Vereador homenageia esposa e logo ela é presa por esquema

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Luciane Pazette, chefe de licitações e esposa de parlamentar, é detida na Operação Água Turva

Nesta terça-feira (7), o Grupo Especial de Combate à Corrupção (GECOC) do Ministério Público de Mato Grosso do Sul prendeu Luciane Cintia Pazette, diretora do departamento de licitações da Prefeitura de Bonito (MS). Ela é esposa do vereador Pedro Aparecido Rosário (PSDB), conhecido como “Pedrinho da Marambaia”. A iniciativa faz parte da Operação Água Turva, que investiga uma suposta organização criminosa que atuaria no município.

Também foram detidos o secretário municipal de Finanças e Administração, Edilberto Cruz Gonçalves, e o arquiteto e urbanista Carlos Henrique Sanches Corrêa. Os três foram levados para interrogatório na 1ª Promotoria de Justiça de Bonito ainda na tarde de terça-feira.

Em outra frente da operação, Luiz Fernando Xavier Duarte foi preso em flagrante por posse ilegal de uma pistola calibre .380, encontrada em sua residência durante cumprimento de mandado de busca e apreensão. Ele pagou fiança de R$ 2 mil e foi liberado, mas segue como investigado no inquérito.

Até o momento, não houve resposta do gabinete do vereador Pedro Aparecido Rosário sobre a prisão de sua esposa.

Homenagem pouco antes da queda

Curiosamente, apenas oito dias antes da deflagração da operação, o vereador Pedro Aparecido Rosário protocolou na Câmara Municipal de Bonito a Moção nº 35/2025, parabenizando a equipe de Licitações da prefeitura — liderada por sua esposa, Luciane Pazette.

No texto da moção, o setor era referido como “o coração pulsante da administração pública” e elogiado por “assegurar legalidade, transparência e eficiência na aquisição de bens e serviços essenciais para a população”.

Na lista de servidores homenageados, Luciane Cintia Pazette aparecia em primeiro lugar, sob a categoria de “Execução” — o que reforça a proximidade entre o ato de louvor público e os fatos que vieram a público poucos dias depois.

Este contraste entre a moção elogiosa e a prisão abrupta intensifica o clima de questionamento sobre a lisura das ações no setor de licitações do município.

Alcance da Operação Água Turva

Segundo relatório e posicionamentos públicos do Ministério Público, a “Operação Água Turva” investiga um esquema de fraude em licitações, simulação de concorrências e conluio entre agentes públicos e empresários.

A apuração aponta que o grupo criminoso operaria desde 2021 no município de Bonito, com contratos suspeitos que já ultrapassam R$ 4,3 milhões.

O nome da operação — “Águas Turvas” — foi escolhido como metáfora: simboliza a perda de transparência nas gestões e remete ironicamente às águas cristalinas típicas da cidade, conhecida por seu turismo ecológico.

Além de prisões preventivas, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão, em Bonito e em localidades como Campo Grande, Terenos (MS) e Curitiba (PR).

A prisão preventiva de Luciane, Edilberto e Carlos Henrique foi decretada pela juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna, do Núcleo de Garantias.
voxms.com.br

A investigação apura delitos como corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa, associados às fraudes em licitações para obras e serviços públicos.

No caso específico de Luiz Fernando Duarte, a prisão não era inicialmente relacionada ao núcleo das fraudes em licitação, mas sim por porte ilegal de arma. Mesmo assim, ele pode ser incluído como investigado no contexto mais amplo da operação.

Contexto político local e repercussões

Bonito é um dos destinos turísticos mais valorizados no Mato Grosso do Sul, conhecido pelos rios e cachoeiras de águas límpidas. O impacto de um escândalo envolvendo contratações públicas pode reverberar fortemente, atingindo não apenas a imagem da prefeitura, mas também a credibilidade de agentes públicos locais.

No cenário político, a figura do vereador homenageador que tinha na moção a própria mulher como exemplo institucional gerou forte carga simbólica — e agora pode ser lembrada sob suspeita de favorecimento velado.

Ainda não se sabe quais empresas estariam envolvidas nas fraudes ou os nomes dos empresários beneficiados, mas há menção pública de que parte dos contratos foi direcionada a empresas previamente orientadas — por meio de exigências técnicas ou condições específicas nos editais.

O sigilo judicial ainda vigora sobre muitos detalhes, conforme informado pelo MPMS, e novas revelações podem surgir à medida que os interrogatórios e perícias forem concluídos.

Para o público local, a apreensão da chefe de licitações, justamente aquela que havia sido destacada publicamente por proporcionar “transparência” e “legalidade”, gera uma sensação de choque e descrédito nas estruturas municipais.

Caminhos processuais e possíveis consequências

Os presos passarão por interrogatório formal e terão seus casos remetidos ao Ministério Público para deliberação sobre medidas cautelares, possíveis prisões preventivas e desmembramentos da ação penal.

Se confirmados os indícios de fraude em licitação e atrelados aos delitos investigados (corrupção, lavagem, organização criminosa), os envolvidos poderão responder criminalmente e ser obrigados a ressarcir os cofres públicos.

Também há risco de implicações políticas: afastamentos, cassações, perda de direitos públicos e desgaste institucional para a gestão local e seus representantes.


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Fonte: Correio do Estado, Top Mídia News, Conjuntura Online, Vox MS, jornal da cidade online.

Da Redação.

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