Grupo Mateus reduz equipe, corta custos e acende alerta no varejo do Norte e Nordeste.
Gigante supermercadista reduz quadro, reorganiza operações e expõe a pressão que atinge uma das maiores redes varejistas do Brasil.
Uma das maiores redes varejistas do país entrou no centro de uma notícia que caiu como bomba no setor supermercadista: o Grupo Mateus reduziu de forma expressiva seu quadro de funcionários entre o fim de 2025 e o primeiro trimestre de 2026.
Segundo dados divulgados por veículos econômicos e regionais, a companhia passou de aproximadamente 47,9 mil para 41,2 mil empregados nas operações de Bahia, Maranhão, Pará, Piauí, Ceará e Sergipe. Na prática, isso representa uma redução líquida de cerca de 6,7 mil postos e queda de 13,9% no quadro comparado ao trimestre anterior.
O número impressiona porque não vem de uma empresa pequena em dificuldade visível. O Grupo Mateus segue gigante: no primeiro trimestre de 2026, reportou receita líquida de R$ 9,4 bilhões, alta de 12,9% em relação ao ano anterior, e encerrou março com 306 unidades em operação e 18 centros de distribuição.
A pergunta que fica é direta: por que uma empresa bilionária corta milhares de vagas?
A resposta está em uma palavra: eficiência
A companhia não trata o movimento como colapso financeiro, mas como parte de um processo de racionalização de estruturas, aumento de produtividade e controle de despesas.
No relatório de resultados do 1T26, o Grupo Mateus informa que as iniciativas tiveram foco especialmente nas operações de Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Sergipe e Bahia, resultando em redução de 8,8% no quadro de colaboradores dessas operações em relação a setembro de 2025. A empresa também registrou R$ 26 milhões em despesas não recorrentes com rescisões ligadas a esses projetos.
Em outras palavras: o grupo está tentando fazer mais com menos.
Essa estratégia aparece de forma clara no balanço: as despesas operacionais somaram R$ 1,6 bilhão no primeiro trimestre, alta de 29,3% frente ao mesmo período do ano anterior. Parte importante desse avanço veio da consolidação do Novo Atacarejo, operação adquirida em 2025, que adicionou R$ 235,4 milhões às despesas.
O Novo Atacarejo virou peça-chave nessa história
Em julho de 2025, o Grupo Mateus concluiu a combinação de negócios com o Novo Atacarejo, rede com atuação em Pernambuco, Paraíba e Alagoas. Com a transação, passou a deter 51% do capital votante e total da operação.
A integração ampliou o tamanho do grupo, mas também trouxe um desafio: absorver custos, sistemas, lojas, formatos e estruturas em uma operação já espalhada por vários estados.
No primeiro trimestre de 2026, a divisão combinada entre Grupo Mateus e Novo Atacarejo registrou receita líquida de R$ 2,4 bilhões, mas teve SSS negativo de 10% e prejuízo de R$ 38 milhões no período. O relatório da companhia aponta que o resultado foi impactado pelo encerramento da operação do canal Balcão nas lojas de Pernambuco, Paraíba e Alagoas.

Esse ponto é importante: a empresa continuou grande, mas parte da operação ficou menos rentável.
Lucro caiu, mesmo com receita bilionária
O resultado financeiro também ajuda a explicar a pressão.
O Grupo Mateus reportou lucro líquido atribuído aos controladores de R$ 212,9 milhões no 1T26, queda de 21,8% na comparação anual. A receita avançou, mas as vendas em mesmas lojas caíram 7,3%, um sinal de desaceleração no consumo.
O InfoMoney também destacou a queda de aproximadamente 22% no lucro líquido, além do recuo no Ebitda e na margem operacional no trimestre.
A própria companhia atribuiu parte do desempenho à deflação de alimentos, ao maior endividamento das famílias e à mudança no perfil da cesta de consumo. Na prática, o consumidor está mais seletivo, mais pressionado e comprando de forma diferente.
Demissões ou reorganização?
Veículos regionais trataram o movimento como uma onda de demissões. O GP1, do Piauí, afirmou que a reestruturação resultou na saída de cerca de 6,6 mil funcionários e também relatou fechamento de unidades consideradas pouco rentáveis.
Tecnicamente, a forma mais segura de escrever é: redução líquida do quadro de funcionários. Isso porque o número compara o total de empregados entre períodos e pode envolver demissões, encerramentos, substituições, desligamentos naturais e ajustes operacionais.
Mas o efeito social é real.
Quando uma rede desse porte reduz milhares de postos em estados do Norte e Nordeste, o impacto ultrapassa o balanço financeiro. Afeta famílias, renda local, consumo em cidades menores e o próprio comércio ao redor das unidades.
O que isso revela sobre o varejo brasileiro?
A notícia mostra uma virada de chave no setor.
Durante anos, grandes redes cresceram abrindo lojas, comprando concorrentes e ampliando presença regional. Agora, com juros altos, consumo pressionado e margens apertadas, o foco mudou: não basta vender muito; é preciso vender com rentabilidade.
O Grupo Mateus continua operando em grande escala, com centenas de unidades e forte presença regional. Mas o recado do balanço é claro: expansão sem eficiência virou risco.
E esse movimento pode servir de termômetro para outras redes do varejo alimentar no Brasil.
O outro lado
Até o fechamento desta matéria, os dados públicos apontavam que a companhia enquadra as medidas como parte de projetos de produtividade, racionalização de estruturas e ganho de eficiência operacional. Não há, nos documentos analisados, indicação de crise de faturamento ou colapso da operação.
Pelo contrário: o grupo segue com receita bilionária, abriu quatro lojas no primeiro trimestre e mantém presença em nove estados.
A diferença é que agora o crescimento parece vir acompanhado de uma palavra que mexe diretamente com trabalhadores e cidades inteiras: corte.
E você, acha que esses cortes são apenas ajuste de eficiência ou sinal de alerta para o varejo brasileiro? Comente sua opinião e acompanhe o PodemFoco News para entender os bastidores das notícias que impactam a economia e a vida real das famílias.
Fontes: Jornal da Cidade Online, Correio 24 Horas, GP1, Release oficial de resultados 1T26 do Grupo Mateus, InfoMoney, Money Times e Mercado & Consumo.
Da Redação.
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