Especialista alerta que falta de proteção solar nos lábios pode causar câncer silencioso e diagnóstico tardio preocupa médicos
O protetor solar já virou item comum para muita gente. Mas existe uma parte do corpo que ainda é completamente esquecida pela maioria dos brasileiros — e ela pode desenvolver câncer silenciosamente: os lábios.
Enquanto milhões de pessoas se preocupam com manchas, queimaduras e envelhecimento da pele, especialistas acendem um alerta sobre o aumento dos riscos de câncer de boca relacionados à exposição solar sem proteção adequada, principalmente no lábio inferior.
A preocupação ganhou ainda mais força durante a campanha Maio Vermelho, movimento nacional de conscientização sobre prevenção e diagnóstico precoce do câncer bucal.
Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil registra cerca de 15 mil novos casos de câncer de boca por ano — número considerado alarmante por especialistas da saúde pública. O problema é que muitos pacientes descobrem a doença já em estágio avançado, reduzindo drasticamente as chances de cura.
O câncer pode começar com um simples ressecamento
De acordo com a cirurgiã-dentista Lígia Gonzaga Fernandes, a exposição solar crônica sem proteção é um dos principais fatores associados ao câncer de lábio inferior.
A especialista atua no CEO II Vera Cruz, unidade da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo administrada pelo CEJAM.
Segundo ela, o problema costuma evoluir lentamente e sem sintomas graves no início, o que faz muitas pessoas ignorarem os sinais.
“A radiação ultravioleta provoca danos cumulativos no DNA das células ao longo dos anos”, explica a especialista.
O mais perigoso é justamente o caráter silencioso da doença.
Em muitos casos, o paciente acredita que está apenas com os lábios “ressacados pelo tempo seco”, quando na verdade já existe uma lesão em evolução.
Os sinais que NÃO devem ser ignorados
Especialistas alertam que alguns sintomas aparentemente simples podem ser sinais iniciais de câncer bucal:
ressecamento persistente;
descamação contínua;
feridas que não cicatrizam;
crostas;
manchas brancas ou avermelhadas;
dormência;
dificuldade para mastigar ou falar;
áreas endurecidas nos lábios ou dentro da boca.
Um dos maiores perigos é que muitas dessas lesões não causam dor.
Isso faz com que milhares de brasileiros demorem meses — ou até anos — para procurar ajuda médica.
Trabalhadores expostos ao sol estão entre os mais vulneráveis
Profissionais que trabalham diariamente ao ar livre estão entre os grupos mais expostos ao risco:
motoristas;
entregadores;
pedreiros;
agricultores;
vendedores ambulantes;
profissionais da construção civil;
garis;
vigilantes.
Em cidades da região de Americana, Santa Bárbara d’Oeste, Campinas e outras do interior paulista, onde as temperaturas frequentemente ultrapassam os 30°C, especialistas reforçam que a exposição acumulada ao longo dos anos aumenta significativamente os riscos.
Tabaco, álcool e HPV também aumentam o perigo
Além do sol sem proteção, o câncer de boca também está ligado a outros fatores importantes:
tabagismo;
consumo excessivo de álcool;
infecção por HPV;
má higiene bucal;
alimentação inadequada.
Especialistas afirmam que o álcool potencializa os efeitos cancerígenos do cigarro, formando uma combinação extremamente perigosa.
O detalhe que pode salvar vidas
Segundo a especialista, detectar o câncer logo no início pode elevar as chances de cura para mais de 80% ou até 90%.
E existe um detalhe importante: o tratamento precoce costuma ser menos agressivo, preservando funções essenciais como fala, mastigação e deglutição.
Por isso, médicos e dentistas reforçam uma orientação simples:
qualquer ferida na boca que não cicatrize em até 10 dias deve ser investigada.
Como se proteger do câncer nos lábios
As medidas preventivas são relativamente simples:
usar protetor labial com FPS diariamente;
aplicar filtro solar no rosto;
usar chapéus de aba larga;
evitar exposição intensa ao sol;
realizar acompanhamento odontológico regular.
Mesmo assim, boa parte da população ainda negligencia completamente a proteção labial.
Maio Vermelho: campanha quer aumentar diagnóstico precoce
A campanha Maio Vermelho busca justamente chamar atenção para um tipo de câncer que ainda recebe pouca discussão pública no Brasil.
O objetivo é incentivar prevenção, observação de sinais e busca rápida por atendimento profissional.
Em um país tropical como o Brasil, onde a exposição solar é intensa praticamente o ano inteiro, o alerta ganha ainda mais relevância.
Sobre o CEJAM
O CEJAM — Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” — é uma entidade filantrópica fundada em 1991 e atua em parceria com o poder público no gerenciamento de serviços e programas de saúde em diversas cidades brasileiras.
A instituição possui atuação em municípios como:
São Paulo;
Campinas;
Osasco;
Guarulhos;
Santos;
Barueri;
Mogi das Cruzes;
São José dos Campos;
entre outras cidades.
Em 2026, a organização lançou a campanha:
“CEJAM 2026: respeito à vida, respeito ao planeta. 365 dias cuidando do presente, transformando o futuro.”
Você usa protetor labial com FPS no dia a dia ou nunca parou para pensar nisso? Comente sua opinião e compartilhe esta matéria com alguém que trabalha exposto ao sol todos os dias.
FONTES: Instituto Nacional de Câncer, CEJAM, Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo e Especialista Lígia Gonzaga Fernandes.
Da Redação.
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