Empresa ligada a sócio de Sidônio Palmeira recebeu R$ 12 milhões da Caixa Econômica Federal e da Embratur entre 2024-25
Uma investigação jornalística conduzida pelo O Estado de S. Paulo revela que a produtora audiovisual Macaco Gordo Produções, de propriedade do empresário Francisco “Chico” Kertész — que também é sócio da agência Nordx — recebeu aproximadamente R$ 12 milhões em contratos de publicidade de duas estatais federais: a Caixa Econômica Federal e a Embratur.
Quem são os envolvidos
Sidônio Palmeira foi nomeado ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) em janeiro de 2025.
Chico Kertész, empresário da Macaco Gordo, é “sócio” de Sidônio na agência Nordx — embora o ministro afirme ter se afastado das operações ao assumir o cargo público.
Os contratos detectados
A Macaco Gordo prestou serviços para a Caixa Econômica Federal: de acordo com documentos obtidos via Lei de Acesso à Informação, foram seis campanhas para a Caixa entre 2024-25, e duas para a Embratur.
Em 2025, já sob a gestão de Sidônio na Secom, a Macaco Gordo teria recebido R$ 4,3 milhões da Caixa — o maior valor entre as produtoras contratadas naquele ano.
Os contratos foram intermediados por agências públicas contratadas por licitação (como Calia Agência e Binder Propaganda) que subcontrataram a produtora sem nova licitação.
A defesa dos envolvidos
Sidônio afirmou que se afastou da gestão das empresas ao assumir o cargo e que “jamais” indicou fornecedores para campanhas federais.
Kertész diz que a produtora foi escolhida “por qualificação técnica e menor preço” e que não houve contato da Secom no processo.
A Caixa declarou que os processos seguiram cotação interna com pelo menos três orçamentos.
A Embratur afirma que os procedimentos ocorreram via chamadas públicas e seleção independente da Secom.
Questões abertas e riscos percebidos
A relação societária entre o ministro da Secom e a empresa que recebeu os contratos suscita potencial conflito de interesses — mesmo que o ministro afirme não ter atuado —, o que exige transparência extra.
O uso de modelo intermediado (agências que licitam e subcontratam produtoras) reduz o acompanhamento público direto dos contratos, o que pode dificultar fiscalização.
A concentração em poucos anos (2024-25) e em grandes valores coloca sob atenção órgãos de controle, especialmente em ano eleitoral.
Mesmo havendo alegação de regularidade, a percepção pública pode ser adversa — o que pode minar confiança nas instituições envolvidas.
Para onde observamos daqui
A transparência completa dos documentos contratados (licitações, propostas, valores, orçamentos, concorrentes) será fundamental para confirmar a adequação dos processos.
Órgãos como o Tribunal de Contas da União (TCU) ou o Controladoria‑Geral da União (CGU) podem acompanhar ou auditar para assegurar que não houve favorecimento.
O acompanhamento por parte da imprensa e sociedade civil se torna relevante para monitorar se casos similares se repetem e se há melhorias de governança nos contratos de comunicação.
A reportagem do Estadão identificou que a produtora Macaco Gordo, ligada a empresário sócio do ministro da Secom, faturou cerca de R$ 12 milhões em dois anos com campanhas da Caixa e da Embratur. Apesar de defesas de legalidade e ausência de intervenção por parte do ministro, a situação gera questionamentos sobre transparência e conflito de interesses. A verificação dos processos, a atuação dos órgãos de controle e a vigilância pública serão decisivos para esclarecer se tudo se deu dentro da norma ou se exige medidas corretivas.
Você acha que esse tipo de contrato funciona ou há suspeitas de conflito de interesses?
Fonte: O Estado de S. Paulo.
Da Redação.
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