PF fecha cerco no Caso Master

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Mendonça autorizou buscas contra perito suspeito de vazar dados sigilosos da Compliance Zero.

PF fecha cerco no Caso Master: perito é afastado após suspeita de vazamento sigiloso

O escândalo do Banco Master ganhou uma nova camada explosiva: agora, o alvo está dentro da própria Polícia Federal.

Nesta terça-feira, 19 de maio de 2026, a PF deflagrou a 7ª fase da Operação Compliance Zero, em Porto Velho, Rondônia, para apurar um suposto vazamento de informações sigilosas relacionadas à investigação sobre fraudes envolvendo o Banco Master. A ação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal e inclui dois mandados de busca e apreensão, além da suspensão cautelar do policial federal investigado.

O ponto central: quem vigiava a investigação agora virou investigado

Segundo a Polícia Federal, o servidor afastado é suspeito de ter repassado informações sigilosas obtidas a partir da análise de materiais apreendidos em fases anteriores da Compliance Zero. A Agência Brasil informou que o caso envolve suspeita de violação de sigilo funcional, crime previsto no Código Penal.

Oficialmente, a PF não divulgou o nome do investigado em sua nota. Porém, reportagens do Metrópoles e do UOL/Estadão Conteúdo identificaram o perito criminal federal como João Cláudio Nabas. Segundo essas apurações, ele é suspeito de repassar informações a profissional da imprensa.

O que teria vazado?

A versão oficial fala em dados sigilosos da investigação. Já veículos como Folha, UOL/Estadão e Poder360 apontam que parte do material supostamente vazado envolveria informações relacionadas ao contrato do escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, com o Banco Master, de Daniel Vorcaro.

A Folha informou que o contrato divulgado anteriormente previa pagamento na casa de R$ 129 milhões em três anos, enquanto documentos da Receita Federal citados pela imprensa apontariam R$ 80,2 milhões em pagamentos ao escritório em 2024 e 2025. O escritório Barci de Moraes declarou ter prestado serviços jurídicos e consultoria ao Master, com equipe de advogados e reuniões de trabalho no período.

STF tenta conter vazamento sem mirar jornalistas

Um dos pontos mais delicados da nova fase é a fronteira entre investigação criminal e liberdade de imprensa. O Supremo afirmou que as medidas não têm como alvo jornalistas ou veículos de comunicação, mas sim a apuração da conduta de um agente público que, em tese, teria violado o dever funcional de guardar sigilo.

Na prática, o recado é claro: o STF tenta preservar o sigilo da investigação sem atingir o direito constitucional dos jornalistas ao sigilo da fonte.

Por que isso pesa tanto no Caso Master?

A Operação Compliance Zero já é uma das investigações financeiras mais sensíveis do país. Segundo a Agência Brasil, até esta terça-feira a operação contabilizava 21 pessoas presas, 116 mandados de busca e apreensão e mais de R$ 27 bilhões em bens e valores bloqueados ou sequestrados pela Justiça.

O caso investiga suspeitas de fraudes financeiras ligadas ao Banco Master e a Daniel Vorcaro. Além de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, a apuração também mira uma rede de relações com políticos, servidores públicos, agentes federais e integrantes de alto escalão.

O que muda agora?

A nova frente pode abrir três caminhos:

1. Rastreamento dos vazamentos
A PF deve tentar identificar se o suposto repasse de dados foi pontual ou se houve uma cadeia maior de circulação de informações.

2. Análise dos materiais apreendidos
Computadores, celulares, documentos e registros digitais podem indicar quem acessou, copiou ou compartilhou dados sigilosos.

3. Impacto no andamento da Compliance Zero
Caso fique comprovado que houve vazamento interno, a investigação pode ganhar novas medidas de controle, restrição de acesso e responsabilização funcional.

O outro lado

Até o fechamento desta matéria, a defesa do perito investigado não havia se manifestado publicamente, segundo o Metrópoles. O investigado deve ser tratado como suspeito, sem condenação, até eventual decisão judicial definitiva.

O Caso Master já era grande. Agora, ficou ainda mais sensível.

A pergunta que passa a rondar Brasília é direta: o vazamento foi um episódio isolado ou parte de uma engrenagem maior dentro de uma das investigações mais explosivas do país?

A resposta pode definir os próximos capítulos da Compliance Zero — e mexer ainda mais com os bastidores do poder.


Você acha que vazamentos em investigações sigilosas ajudam a revelar a verdade ou colocam todo o processo em risco? Comente sua opinião e acompanhe o PodemFoco News para entender os próximos capítulos do Caso Master.

Fontes: Polícia Federal, Agência Brasil, Folha de S.Paulo, UOL/Estadão Conteúdo, Poder360, Metrópoles e Jornal da Cidade Online.

Da Redação.

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