Cinco pesquisas, empate técnico e 2,2 milhões de votos de diferença no 1º turno. Quem leva?
O 2º turno da eleição presidencial de 2026 será no domingo (25), e as pesquisas apontam empate técnico: Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 51% a 52% dos votos válidos e Lula (PT) com 48% a 49%. A diferença cabe na margem de erro. Veja o que sustenta cada número.
Faltam seis dias para o brasileiro escolher o presidente, e nenhum instituto arrisca dizer que a decisão está tomada. No primeiro turno, em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro somou 56.104.503 votos, ou 47,03% dos válidos, contra 53.879.538 de Lula, ou 45,16%, segundo dados reproduzidos pelo Diário do Poder. A distância foi de pouco mais de 2,2 milhões de votos.
Quem acompanha as pesquisas nesta semana recebe sinais que parecem contraditórios. Um instituto fala em 52% a 48%, outro em 51% a 49%, e todos repetem a expressão “empate técnico”. O leitor quer saber quem está na frente, quanto isso vale e o que ainda pode mudar.
Este guia reúne os cinco levantamentos mais recentes do 2º turno, explica como ler a margem de erro, mostra onde cada candidato é forte e lista os fatores que podem alterar o cenário até domingo. A análise separa dado de opinião. Números são números, e o resultado oficial só sai das urnas.
O que dizem as pesquisas do 2º turno a seis dias da votação
Cinco institutos divulgaram levantamentos do 2º turno entre 8 e 19 de outubro. Todos colocam Flávio Bolsonaro à frente nos votos válidos, mas nenhum mostra uma vantagem maior que a margem de erro de cada pesquisa. A tabela abaixo reúne os números mais recentes de cada instituto.
| Instituto | Divulgação | Votos válidos (Flávio x Lula) | Votos totais | Margem de erro |
|---|---|---|---|---|
| Atlas/Bloomberg | 19/10 | 51,1% x 48,9% | 49,8% x 47,6% | 1 ponto |
| PoderData/Aya | 19/10 | 52% x 48% | não divulgado | 1,8 ponto |
| Datafolha | 15/10 | 51% x 49% | 47% x 45% | 2 pontos |
| Quaest | 14/10 | 51% x 49% | 46% x 44% | 2 pontos |
| BTG/Nexus | 13/10 | 52% x 48% | não divulgado | não divulgada |
Ao comparar as séries, o que observamos é um movimento pequeno, mas consistente. Nos três institutos que já tinham uma rodada anterior do 2º turno, a vantagem de Flávio encolheu ligeiramente. No Atlas, ele passou de 52,8% para 51,1% dos válidos. No Datafolha, foi de 52% para 51%. No PoderData, de 53% para 52%. Em todos os casos o recuo ficou dentro da margem de erro, e por isso não permite concluir que haja tendência firme.
Votos válidos são os votos dados a candidatos, sem contar brancos, nulos e indecisos. É esse o critério que a Justiça Eleitoral usa para definir o vencedor, e por isso os institutos o destacam.
Atlas/Bloomberg: a maior vantagem numérica em pontos decimais
A pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta segunda-feira ouviu 4.998 pessoas entre 13 e 18 de outubro, por recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de 1 ponto, e o registro no TSE é BR-02418/2026.
Flávio soma 49,8% das intenções de voto no 2º turno, contra 47,6% de Lula. Outros 2,6% declaram voto branco, nulo ou não sabem. Na rodada anterior, de 9 de outubro, Flávio tinha 51,1% dos votos totais e Lula 45,7%. Ou seja, Lula ganhou 1,9 ponto nos totais em dez dias, enquanto Flávio perdeu 1,3.
O levantamento também mediu a avaliação do governo. A reprovação de Lula é de 52,3%, contra 46,2% de aprovação. Na rodada anterior eram 53,4% e 44,7%. A gestão é considerada ruim ou péssima por 50,6% e ótima ou boa por 40,7%, ante 36,9% na pesquisa anterior.
PoderData/Aya: 52% a 48% com amostra de 3 mil eleitores
O PoderData/Aya publicado pela Gazeta do Povo ouviu 3.000 eleitores de 16 a 18 de outubro, com margem de 1,8 ponto e registro BR-02586/2026. Flávio aparece com 52% e Lula com 48% nos votos válidos.
Essa pesquisa tem um dado de contexto importante. Na última rodada do PoderData antes do primeiro turno, Lula aparecia à frente por 45% a 43% nos votos válidos. Nas urnas, Flávio terminou na frente. O próprio veículo lembra que pesquisas de 2022 também apresentaram discrepâncias relevantes em relação ao resultado das urnas. Para o leitor, a lição é prática: pesquisa mede o momento e não prevê o resultado.
Datafolha e Quaest: empate técnico confirmado
O Datafolha de 15 de outubro foi a segunda rodada do instituto no 2º turno. Flávio tem 51% dos válidos e Lula 49%, com margem de 2 pontos. Na primeira rodada, de 8 de outubro, o placar era 52% a 48%. A pesquisa foi a primeira após as manifestações pró-Lula do fim de semana anterior, e 94% dos entrevistados na rodada de 8 de outubro disseram já ter decidido o voto.
A Quaest, feita para O Globo, ouviu 2.154 pessoas presencialmente entre 10 e 13 de outubro. Flávio aparece com 46% e Lula com 44% nos votos totais, o que equivale a 51% a 49% nos válidos.
Como o 1º turno moldou o 2º turno
O primeiro turno deixou duas informações que ajudam a entender o 2º turno: o tamanho da base de cada lado e a quantidade de votos em disputa. Flávio e Lula somaram juntos 92,19% dos votos válidos. Os 7,81% restantes foram para os demais candidatos, e esse eleitorado é o alvo das duas campanhas.
Há ainda um alerta metodológico. Segundo a Bloomberg, Flávio superou a previsão da pesquisa final do Datafolha para o primeiro turno em cerca de 5 pontos. Na véspera da votação, o Datafolha tinha Lula com 47% e Flávio com 46% em um cenário de 2º turno. Cinco dias depois, a primeira pesquisa pós-urna já mostrava a ordem invertida.
Isso não significa que as pesquisas atuais estejam erradas, nem que o erro vá se repetir na mesma direção. Significa que a margem de erro não é um detalhe técnico, e que o intervalo de incerteza deste 2º turno pode ser maior do que o número publicado sugere.
Para onde vão os votos dos candidatos eliminados
A Quaest perguntou aos eleitores dos candidatos que ficaram de fora como pretendem votar. O quadro mostra uma migração desigual, com parcela relevante ainda sem escolha definida.
| Eleitor do 1º turno de | Vota em Flávio no 2º turno | Vota em Lula no 2º turno |
|---|---|---|
| Ronaldo Caiado | 42% | 23% |
| Renan Santos | 40% | 14% |
| Augusto Cury | 30% | 34% |
O caso de Augusto Cury é o mais curioso. Ele anunciou apoio a Flávio, mas seu eleitorado se divide de forma equilibrada, com leve vantagem numérica para Lula, segundo a Quaest. Isso mostra um limite conhecido da política brasileira: o apoio declarado de um candidato não se transfere de forma automática para seus eleitores.
O Datafolha, por sua vez, apontou que 46% dos eleitores de Cury, Renan Santos, Caiado e Zema migram para Flávio, segundo a cobertura da primeira rodada do 2º turno. Os dois institutos convergem na direção, mas medem grupos diferentes e não são comparáveis diretamente.
Empate técnico no 2º turno: o que a margem de erro realmente diz
Empate técnico é a situação em que a diferença entre dois candidatos é pequena demais para que a pesquisa garanta quem está à frente. A diferença cabe dentro da margem de erro, e a ordem real pode ser a inversa da medida.
Existe uma regra prática que ajuda a ler esses números. A margem de erro vale para cada candidato individualmente. Como os dois percentuais se movem em sentidos opostos, a incerteza sobre a diferença entre eles é aproximadamente o dobro. Em uma pesquisa com 2 pontos de margem e vantagem de 2 pontos, a diferença real pode estar entre um ponto atrás e cinco pontos à frente.
Aplicando isso ao 2º turno, a vantagem de 2,2 pontos do Atlas, com margem de 1 ponto, é a mais robusta estatisticamente entre as divulgadas hoje. Ainda assim, não elimina a possibilidade de empate ou de virada. A vantagem de 4 pontos do PoderData nos válidos (52% a 48%), com margem de 1,8, também tem incerteza considerável.

Metodologias diferentes, resultados parecidos
Há uma diferença de método entre os levantamentos que vale conhecer. O Datafolha e a Quaest entrevistam eleitores presencialmente. O Atlas usa recrutamento digital aleatório pela internet. O PoderData tem metodologia própria, divulgada no registro do TSE.
Quando métodos diferentes chegam a resultados próximos, a confiança no retrato geral aumenta. É o caso aqui: de 51% a 52% de um lado e de 48% a 49% do outro, em cinco institutos. O que nenhum deles consegue medir bem é a participação. Quem de fato comparece às urnas no domingo é uma variável que pode pesar tanto quanto a margem de erro.
Onde cada candidato é forte no 2º turno
Os números gerais escondem perfis eleitorais muito distintos. Os dados do Datafolha mostram que Lula tem vantagem entre eleitores com escolaridade até o ensino fundamental, com 55% contra 41% de Flávio. No Nordeste, a diferença é ainda maior, com 61% para Lula e 35% para Flávio.
A Gazeta do Povo, em matéria sobre o perfil do voto, destacou que Lula venceu entre os mais ricos e perdeu na classe C. É um recorte que contraria a narrativa simples de que o voto petista se concentra nas faixas de menor renda, e que mostra a disputa pelo eleitor de renda média.
A tabela reúne indicadores de aceitação dos dois candidatos medidos por institutos diferentes. Os números não são diretamente comparáveis entre linhas, mas ajudam a mapear o terreno.
| Indicador | Flávio Bolsonaro | Lula |
|---|---|---|
| Rejeição total (Quaest, 14/10) | 54% | 53% |
| Rejeitam somente este candidato (Datafolha, 8/10) | 43% | 46% |
| Voto no Nordeste (Datafolha, 8/10) | 35% | 61% |
| Quem os eleitores acham que vence (PoderData, 8/10) | 54% | 37% |
| Aprovação do governo (Atlas, 19/10) | não se aplica | 46,2% |
| Desaprovação do governo (Atlas, 19/10) | não se aplica | 52,3% |
Atenção ao detalhe: rejeição e intenção de voto são medidas diferentes. Um candidato muito rejeitado pode vencer se o adversário também for, e é exatamente esse o quadro: 54% e 53% de rejeição na Quaest, com diferença de um ponto entre os dois.
Fatores que podem mexer no 2º turno até domingo
Seis dias é pouco tempo, mas na política brasileira costuma ser suficiente para mudar um placar apertado. Estes são os fatores com maior potencial de impacto, na ordem em que aparecem nos dados:
- Transferência dos votos de Cury: é o grupo mais dividido, com 30% para Flávio e 34% para Lula na Quaest. Qualquer movimento de campanha direcionado a esse eleitorado pode render pontos.
- Debate da Band: no primeiro confronto direto, Flávio questionou Lula sobre o filho dele, o Lulinha, e Lula chamou o adversário de “malandro carioca”, segundo a Gazeta do Povo. Debates tendem a mobilizar quem já tem preferência, mas podem influenciar indecisos, que somam entre 1% e 2% nas pesquisas.
- Pauta trabalhista: o Senado aprovou na quarta-feira (14) o fim da escala 6×1, proposta defendida por Lula, segundo a Bloomberg. Críticos veem motivação eleitoral na ofensiva legislativa, e apoiadores a defendem como pauta de mérito próprio. O efeito sobre o voto ainda não aparece com clareza nos dados.
- Mobilização de rua: Lula tem organizado grandes comícios e as manifestações pró-Lula do fim de semana anterior ao Datafolha de 15 de outubro foram citadas como fator de recuperação. O Atlas mostra melhora de 3,8 pontos na avaliação positiva do governo entre as duas rodadas.
- Mercado e economia: os ativos brasileiros dispararam após o resultado do primeiro turno, e a Bloomberg atribui o movimento ao fato de muitos investidores considerarem Flávio mais propenso a promover cortes de gastos. A Bloomberg também registra demanda crescente por proteção em dólar e bolsa antes do 2º turno.
- Comparecimento: em empates técnicos, quem leva seus eleitores às urnas decide. Nenhuma pesquisa captura isso com precisão.
Um fator que não aparece nas pesquisas
O tom da campanha também importa. Aliados de Lula intensificaram ataques contra os ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça, do TSE, segundo a Gazeta do Povo, e a campanha do presidente disse querer colaborar com o tribunal, mas reagir a agressões. Ainda não há dados que meçam o efeito desse embate sobre o voto, e qualquer afirmação sobre ele seria especulação.
Três leituras possíveis para o resultado de domingo
Ninguém pode prever o resultado, mas é possível descrever o que cada desfecho exigiria dos dados. As leituras abaixo não são previsões: organizam o que as pesquisas permitem dizer.
| Leitura | O que precisaria acontecer | O que os dados sugerem |
|---|---|---|
| Vitória de Flávio com folga | Pesquisas subestimarem Flávio, como no 1º turno | Plausível: o Datafolha errou em cerca de 5 pontos no primeiro turno |
| Resultado apertado | Pesquisas acertarem o retrato atual | Compatível com 51% a 52% de um lado e 48% a 49% do outro |
| Virada de Lula | Votos de Cury e indecisos penderem para Lula, com comparecimento alto | Possível: Lula recuperou aprovação e ganhou pontos nos totais do Atlas |
Quem decide é o eleitor. Os números só mostram o que ele pensava entre os dias 13 e 18 de outubro.
Como acompanhar o 2º turno sem cair em armadilhas
Em semanas decisivas, circulam pesquisas de qualidade muito variável. Alguns cuidados simples evitam decisões baseadas em números mal lidos:
- Confira o registro no TSE: toda pesquisa eleitoral legítima tem número de registro, como BR-02418/2026 no caso do Atlas.
- Compare votos válidos com votos totais: são medidas distintas, e institutos diferentes destacam uma ou outra.
- Observe a data de campo: uma pesquisa feita na quarta-feira pode estar defasada se houve fato relevante na quinta.
- Desconfie de prints e números sem fonte: em eleições polarizadas, pesquisas falsas ou fora de contexto circulam em grupos de mensagens.
- Aguarde a apuração oficial: o resultado é o que o TSE divulga após o encerramento da votação, às 17h no horário de Brasília.
Leia também: Band: 7 momentos que incendiaram o debate Lula x Flávio
2º turno
O 2º turno de 2026 chega a seis dias da votação com um retrato bastante homogêneo: Flávio Bolsonaro entre 51% e 52% dos votos válidos, Lula entre 48% e 49%, e todos os institutos falando em empate técnico. A leve tendência de aproximação nas pesquisas com duas rodadas é real, mas pequena. O erro do primeiro turno lembra que o intervalo de incerteza é maior do que parece.
O que o leitor leva daqui é método: olhar votos válidos, margem de erro, metodologia e data de campo antes de tirar conclusões. Se este guia ajudou, compartilhe com quem está acompanhando o 2º turno e deixe nos comentários qual dado mais chamou sua atenção.
Leia também: Vantagem de Lula cai em 98% das cidades do Nordeste
Aviso Importante
As informações deste artigo têm caráter exclusivamente informativo e jornalístico. Pesquisas eleitorais retratam o momento da coleta e não são previsão de resultado. Os dados podem ser atualizados por novos levantamentos. Para o resultado oficial, consulte o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
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Fontes:
Diário do Poder, Gazeta do Povo, Bloomberg Línea, InvestNews, Money Times, Atlas/Bloomberg, PoderData/Aya, Datafolha, Quaest, BTG/Nexus, TSE
Da Redação.
Perguntas frequentes sobre o 2º turno
Quando será o 2º turno das eleições presidenciais de 2026?
O 2º turno será no domingo, 25 de outubro de 2026. Disputam a Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT), os dois candidatos mais votados no primeiro turno, realizado em 4 de outubro.
Quem lidera as pesquisas do 2º turno?
Flávio Bolsonaro lidera numericamente em todas as pesquisas recentes, com 51% a 52% dos votos válidos, contra 48% a 49% de Lula. Como a diferença está dentro da margem de erro, os institutos classificam o cenário como empate técnico.
O que significa empate técnico em pesquisa eleitoral?
Significa que a diferença entre os candidatos é menor que a margem de erro da pesquisa. Nesse caso, não é possível afirmar estatisticamente quem está à frente, porque a ordem real pode ser a inversa da medida.
O que são votos válidos e por que decidem o 2º turno?
Votos válidos são os votos dados a candidatos, excluindo brancos e nulos. A Justiça Eleitoral usa esse critério para definir o vencedor, e por isso os institutos publicam os percentuais de votos válidos além dos votos totais.
As pesquisas erraram no primeiro turno de 2026?
O Datafolha subestimou Flávio Bolsonaro em cerca de 5 pontos no primeiro turno, segundo a Bloomberg. Na véspera da votação, o PoderData também mostrava Lula à frente nos válidos, e o resultado das urnas inverteu a ordem. Erros de pesquisa podem ocorrer nos dois sentidos.
Qual a margem de erro das pesquisas do 2º turno?
Varia por instituto: 1 ponto no Atlas/Bloomberg, 1,8 ponto no PoderData e 2 pontos no Datafolha e na Quaest. Todas usam nível de confiança de 95%, o que significa que em 5% dos casos o resultado pode fugir do intervalo.
Onde acompanhar o resultado oficial do 2º turno?
O resultado oficial é divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após o encerramento da votação, às 17h no horário de Brasília. Os dados do TSE prevalecem sobre qualquer projeção de pesquisa ou de veículo de imprensa.
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