Governador do TO Líder de Esquema

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Desvio de R$ 73 Mi: Casal no Poder no Centro da Fraude em Cestas Básicas

Palmas, TO – 06/10/2025 – O Tocantins vive mais um capítulo de instabilidade política com o afastamento do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), confirmado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em setembro de 2025. Acusado de liderar um esquema de corrupção que desviou cerca de R$ 73 milhões dos cofres públicos entre 2020 e 2021, o ex-vice-governador – que assumiu o cargo principal em outubro de 2021 – é o epicentro de uma investigação que expõe falhas sistêmicas na gestão estadual. A segunda fase da Operação Fames-19, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em 3 de setembro, revelou um “núcleo de agentes políticos” no alto escalão, com indícios de fraudes em contratos de cestas básicas e frangos congelados durante a pandemia de Covid-19.

O Esquema Revelado: Fraudes em Tempos de Crise

A investigação da PF aponta que o grupo criminoso explorou o estado de emergência em saúde e assistência social para fraudar licitações e distribuições de alimentos. Como vice-governador na época, Barbosa controlava a Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Social, responsável pela alocação de recursos federais e estaduais para cestas básicas destinadas a famílias vulneráveis. No entanto, segundo relatórios policiais, as entregas eram simuladas por meio de empresas de fachada, que declaravam quantidades infladas de itens distribuídos – às vezes o dobro do real – para inflar pagamentos.

Empresários coniventes assinavam múltiplos recibos ou devolviam cestas não entregues, criando uma ilusão de cumprimento contratual. O prejuízo estimado chega a R$ 73 milhões, com desvios em contratos de fornecimento de cestas e aves congeladas. Áudios interceptados pela PF, divulgados recentemente, indicam que Barbosa coordenava pessoalmente as operações, orientando operadores sobre como driblar fiscalizações e acelerar repasses. “Na cúpula do esquema foi identificada a atuação de agentes do alto escalão do governo do Estado do Tocantins, iniciando pelo atual governador do Estado, Wanderlei Barbosa Castro, e por sua esposa Karynne Sotero”, afirma o relatório da PF, destacando o papel central do casal.

Durante as buscas em setembro, agentes federais apreenderam R$ 52 mil em espécie escondidos em um compartimento secreto na residência oficial de Barbosa. Em outro imóvel ligado a investigados, foram encontrados cerca de R$ 700 mil em dinheiro vivo, além de documentos que comprovam transações irregulares. O mecanismo se estendia a um sistema de propinas: empresários eram coagidos a pagar “taxas” para antecipar pagamentos devidos pelo governo, com negociações intermediadas por figuras próximas ao esquema.

Os Envolvidos: Uma Rede Familiar e Empresarial

A primeira-dama Karynne Sotero emerge como peça-chave na engrenagem fraudulenta. Ex-atriz e influenciadora, ela atuava como elo entre o governador e Paulo César Lustosa, conhecido como “PC”, seu ex-marido e um dos operadores principais. Lustosa, dono de empresas de logística, é acusado de fornecer as fachadas para as entregas fictícias. Seu irmão, Wilton Rosa Pires, e Maria Socorro Guimarães – apelidada de “Bispa Socorro” por sua influência evangélica – completam o trio operacional. A “Bispa” era responsável por cobrar as propinas, atuando como “cobrador” informal do grupo.

Não para por aí: Rérison Castro, filho de Barbosa, é apontado como “laranja” em um resort de luxo construído com verbas desviadas. O imóvel, avaliado em milhões, seria uma tentativa de lavagem de dinheiro, segundo a PF. O esquema, que começou na vice-governadoria de Barbosa, se ampliou após sua ascensão ao poder, aproveitando a fragilidade institucional do estado durante a pandemia.

Contexto Político: Um Padrão de Impunidade no Tocantins

O caso de Barbosa não é isolado. O Tocantins registra um histórico alarmante de governadores derrubados por corrupção. Antes dele, Mauro Carlesse (PP), afastado em 2021 por irregularidades eleitorais e desvios, foi o predecessor direto. Carlesse assumiu após o impeachment de Marcelo Miranda (MDB), cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2009 e 2018 por compra de votos e fraudes em contratos. Dos três últimos mandatários eleitos pelo voto popular, nenhum completou o mandato sem intervenção judicial – um ciclo vicioso que reflete falhas na fiscalização e na accountability política.

Eleito em 2022 com 58% dos votos no primeiro turno, Barbosa prometia renovação e combate à corrupção herdada de Carlesse. Ironia do destino: sua gestão, que durou menos de quatro anos, termina sob o mesmo manto de suspeitas. O afastamento, inicialmente de 180 dias prorrogáveis, foi ratificado pela Corte Especial do STJ em 3 de setembro, com o vice-governador Raimundo Paz (PSB) assumindo interinamente. Até o momento, o governo interino nega qualquer continuidade do esquema e promete cooperação total com a Justiça.

As Defesas: Negação e Contra-argumentos

As defesas dos envolvidos são veementes. Os advogados de Wanderlei Barbosa argumentam que, como vice-governador em 2020-2021, ele não tinha autoridade direta sobre repasses financeiros, atribuindo as irregularidades a subordinados. “Meu cliente é vítima de uma perseguição política”, declarou o defensor em nota oficial, questionando a validade dos áudios como prova.

Karynne Sotero, por sua vez, nega qualquer contato com PC Lustosa desde o divórcio em 2017, descrevendo as acusações como “infundadas e difamatórias”. A defesa de Lustosa reforça que o empresário “nunca violou a lei” e que suas empresas operavam dentro da legalidade. Wilton Rosa Pires, irmão de Lustosa, alega ausência de contratos com o Estado, enquanto “Bispa Socorro” optou pelo silêncio quando procurada pela imprensa. Rérison Castro não se manifestou publicamente.

A PF, no entanto, sustenta que as evidências – incluindo quebras de sigilo bancário e telemático – são robustas, com indícios de que o esquema persiste mesmo após o afastamento. A operação Fames-19, iniciada em 2024, já resultou em prisões de deputados e empresários no Tocantins, ampliando o escopo para outros órgãos públicos.

Impactos e o Futuro: Lições para o Brasil

Com um mês de afastamento completado em 3 de outubro, o Tocantins enfrenta paralisia administrativa e descrédito público. Famílias que dependiam das cestas básicas durante a crise sanitária – ironicamente, as principais vítimas – agora questionam a efetividade dos programas sociais. Analistas políticos veem no caso um reflexo nacional: a pandemia serviu de pretexto para desvios bilionários em todo o país, com o TCU estimando prejuízos de R$ 100 bilhões em fraudes semelhantes.

O que virá a seguir? O Ministério Público Federal (MPF) avalia denúncias formais, e o STJ pode estender o afastamento indefinidamente. Para o eleitorado tocantinense, o episódio reforça a urgência de reformas eleitorais e maior transparência. Barbosa, que celebrou 58 anos de idade em meio ao escândalo, pode enfrentar inelegibilidade por oito anos se condenado. Enquanto isso, o estado – que completa 37 anos em 2025 – ganha como “presente” mais um vexame nacional, exposto em programas como o Fantástico da TV Globo.

Essa matéria, com base em fontes oficiais e jornalísticas, busca esclarecer os fatos sem prejulgamentos, convidando o leitor a refletir sobre a corrupção no poder público. O Tocantins merece mais: uma governança limpa e responsável.


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Fonte: Polícia Federal, Agência Brasil; G1 Tocantins; Poder360; UOL Notícias; Fantástico (Globo); CNN Brasil; STJ; Brasil de Fato.

Da Redação

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