CEO cria “cópia” de si com IA

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Após suspeita de tumor, Fábio Scabeni treinou uma IA para preservar decisões, legado e raciocínio.

CEO cria “cópia” de si com IA após susto médico — e reacende debate sobre o futuro da liderança

Um diagnóstico assustador, uma perda familiar e uma pergunta quase impossível: e se você pudesse deixar uma versão digital do seu pensamento para continuar orientando sua família e sua empresa?

Foi esse medo que levou Fábio Scabeni, CEO do Grupo Viasoft, a criar uma espécie de “segundo cérebro” com inteligência artificial. Segundo a StartSe, tudo começou depois que ele perdeu um familiar por tumor cerebral em 2023 e passou por sintomas que levantaram suspeita semelhante; depois, o diagnóstico final apontou epilepsia, não tumor.

A ideia nasceu como legado pessoal. Mas virou método, produto e provocação para líderes: a IA será apenas uma ferramenta de produtividade ou uma extensão real da tomada de decisão?

Quem é Fábio Scabeni?

Scabeni começou como estagiário de suporte na Viasoft e, 16 anos depois, assumiu como CEO do grupo. A empresa paranaense tem 36 anos de mercado, mais de 600 colaboradores e atua com soluções de ERP, CRM e BI.

De acordo com a Exame, ele treinou a IA com pensamentos, valores e estilo de raciocínio para que a ferramenta funcionasse como um “segundo cérebro” — inicialmente pensando na filha pequena e, depois, na gestão empresarial.

O que é esse “segundo cérebro”?

Não se trata apenas de pedir respostas ao ChatGPT. A proposta é alimentar a IA com documentos, decisões, valores, memórias, apresentações, dados internos e padrões de pensamento.

Na prática, a ferramenta passa a funcionar como um copiloto que ajuda o líder a enxergar riscos, organizar cenários e tomar decisões com mais clareza.

A Axios também tratou o tema recentemente ao afirmar que muitos CEOs ainda usam IA “com amnésia”, como se fosse apenas uma busca avançada. A recomendação é criar projetos com documentos fortes, contexto e instruções claras para transformar a IA em parceira de pensamento.

O ponto mais polêmico

O caso levanta uma questão incômoda: até onde uma IA pode representar o pensamento de uma pessoa sem substituir sua responsabilidade humana?

A própria Exame destacou que, para Scabeni, a IA pode ampliar a capacidade de decisão, mas a responsabilidade moral e ética continua sendo humana.

Esse é o centro da discussão. A IA pode sugerir caminhos, alertar riscos e organizar dados. Mas quem assina a decisão ainda é o ser humano.

Por que isso importa para empresas brasileiras?

A inteligência artificial deixou de ser assunto de laboratório. Ela já entrou na rotina de CEOs, gestores, vendedores, profissionais de marketing e empresários locais.

Fábio Coelho, presidente do Google Brasil, afirmou à Exame que a IA não é bolha e pode funcionar como um “segundo cérebro” ou assistente pessoal turbinado, aumentando produtividade e ajudando a resolver problemas complexos.

Para pequenas e médias empresas, a leitura é direta: quem aprender a usar IA com estratégia pode ganhar velocidade, clareza e vantagem competitiva. Quem usar apenas para “fazer textinho” vai ficar para trás.

O alerta

A promessa é poderosa, mas não pode ser romantizada. IA treinada com dados pessoais e empresariais exige cuidado com privacidade, segurança, vieses e governança.

O “segundo cérebro” pode ser uma revolução. Mas, sem critério, também pode virar uma máquina de repetir certezas antigas, reforçar erros e dar aparência técnica para decisões ruins.

A história de Fábio Scabeni não é só sobre tecnologia. É sobre medo, legado, liderança e futuro.

O susto médico passou. Mas a pergunta ficou: se uma IA pudesse aprender como você pensa, ela ajudaria você a decidir melhor — ou revelaria que você nunca organizou direito o próprio pensamento?


Você confiaria suas decisões a uma IA treinada com sua própria mente? Comente sua opinião e acompanhe o PodemFoco News para mais histórias sobre tecnologia, negócios e futuro.

Fontes: StartSe; Exame; Axios; informações públicas sobre Grupo Viasoft e discussões recentes sobre IA aplicada à gestão.

Da Redação.

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