Campinas Mira o Mundo

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Evento da ACIC colocou empresas, bancos, logística e instituições globais na mesma mesa para acelerar exportações.

Campinas mira o mundo: evento da ACIC expõe a nova disputa pelo mercado global

Campinas não está apenas olhando para fora do Brasil. Está tentando se posicionar como uma porta de entrada para empresas que querem vender, negociar, proteger marcas, atrair investimentos e disputar espaço no mercado internacional.

Esse foi o movimento por trás do Global Trade Summit 2026, realizado pela Associação Comercial e Industrial de Campinas (ACIC), por meio do HUB de Conexões Internacionais. O encontro reuniu empresários, instituições, especialistas e parceiros estratégicos com um objetivo direto: fortalecer a internacionalização empresarial da região.

A leitura fria dos números ajuda a entender por que o assunto ganhou peso. A Região Metropolitana de Campinas fechou abril de 2026 com US$ 517,36 milhões em exportações, recorde para o mês desde o início da série histórica, em 1997. No primeiro quadrimestre, foram US$ 1,797 bilhão em vendas ao exterior, também o melhor desempenho para o período em quase três décadas.

O bastidor: Campinas quer mais do que vender produto

O ponto central do evento não foi apenas falar de exportação. Foi montar uma rede.

A ACIC destacou que o GTS 2026 reuniu empresas interessadas em ampliar conexões, gerar oportunidades de negócios e entender caminhos mais seguros para acessar mercados internacionais. A programação incluiu palestra magna da FGV Educação Executiva, cerimônia institucional de cooperação entre ACIC e CECIEX e uma Rodada Internacional de Negócios, estruturada para aproximar empresas brasileiras, comerciais exportadoras, importadoras e instituições ligadas ao comércio exterior.

Na prática, o evento mirou uma dor comum de pequenos, médios e grandes empresários: muita empresa tem produto, operação e vontade de crescer, mas ainda não tem rede, validação institucional, estratégia jurídica, logística ou acesso comercial para competir fora do país.

Quem estava por trás dessa conexão global

Entre os patrocinadores destacados pela ACIC estavam empresas com papéis diferentes dentro do ecossistema internacional.

A USTAY participou com foco em mobilidade internacional, imigração, educação e suporte estratégico para brasileiros que buscam oportunidades fora do país. O Sicredi apareceu como parceiro financeiro para empresas em expansão. Já o Viracopos Cargo foi apontado como peça logística estratégica, reforçando o papel do aeroporto como hub para conectar Campinas ao mercado global.

Além deles, o evento contou com apoiadores como ADTECH, Dígitro, Lothus Cargo, BEG Gin Destilaria, Ikki Invest – XP Campinas, eba! benefícios, Stratex, Agência Anthropz, Vilage Marcas e Patentes, Cotrin Loro Advocacia, Prefeitura de Campinas e InvestSP.

Outro levantamento regional sobre o evento apontou ainda a presença de instituições como InvestSP, Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, Promo Brasile Itália e Câmara de Comércio Brasil-Argentina, ampliando a ponte com mercados da América do Sul, Europa e países árabes.

O nome forte da ACIC: Nina Bertelli

A presidente da ACIC, Nina Bertelli, afirmou que o GTS nasce com a proposta de consolidar Campinas como um polo estratégico de internacionalização empresarial, conectando empresários a oportunidades reais fora do Brasil.

A fala indica uma mudança importante: Campinas não quer ser vista apenas como cidade industrial, tecnológica ou universitária. Quer disputar relevância como plataforma regional de negócios internacionais.

A vice-presidente da ACIC, Adriana Flosi, também reforçou que, no comércio exterior, empresas não competem apenas por preço ou produto. Elas competem por confiança, validação e acesso.

Essa frase resume bem o jogo: exportar não é só “mandar mercadoria para fora”. É construir reputação, segurança jurídica, logística eficiente, proteção de marca, relacionamento institucional e leitura de mercado.

Os números mostram por que a pauta virou estratégica

Em 2025, as exportações da RMC somaram US$ 5,45 bilhões, crescimento de 11,22% em relação a 2024. Campinas liderou o ranking regional, com US$ 1,18 bilhão exportado, equivalente a 21,65% do total da região, ficando na 9ª posição entre as cidades que mais exportaram no Estado de São Paulo.

O desempenho regional também acompanha uma tendência de diversificação de destinos. Segundo dados divulgados pela InvestSP com base na Comex, houve aumento nas vendas para países da América Latina e da Europa, incluindo altas para Argentina, Colômbia, Paraguai, Alemanha e Holanda.

Isso ajuda a explicar por que um evento como o Global Trade Summit não é apenas institucional. Ele conversa diretamente com uma necessidade econômica: a região precisa abrir novos mercados e reduzir dependências em um cenário global instável.

O outro lado: exportar mais não elimina os desafios

Apesar dos resultados positivos nas exportações, a balança comercial da RMC ainda revela uma dependência pesada de importações. Em abril de 2026, as importações regionais chegaram a US$ 1,607 bilhão, também recorde para o mês, segundo dados da Comex Stat citados pelo Correio Popular/RAC.

Esse dado é importante porque mostra que a região é altamente conectada ao comércio global, mas também vulnerável a custos internacionais, câmbio, logística e fornecimento externo.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mantém o Comex Stat como sistema oficial para consultas detalhadas de exportação e importação, além de divulgar indicadores da balança comercial brasileira. Em abril de 2026, o Brasil registrou US$ 34,1 bilhões em exportações, US$ 23,6 bilhões em importações e saldo comercial positivo de US$ 10,5 bilhões.

Por que isso importa para o empresário da região?

Porque a pauta global deixou de ser assunto apenas de multinacional.

Empresas de tecnologia, alimentos, máquinas, logística, serviços especializados, saúde, educação, propriedade intelectual e consultoria podem encontrar oportunidades fora do país — mas precisam de estrutura.

O GTS 2026 colocou esse ponto no centro: internacionalizar não é improvisar. É preparar a empresa para vender melhor, proteger melhor, negociar melhor e se conectar com atores certos.

O próximo capítulo já começou

Segundo a ACIC, após a primeira edição, a entidade já iniciou o planejamento para a edição de 2027, incluindo a busca por novos parceiros estratégicos interessados em integrar o movimento de internacionalização empresarial.

A pergunta que fica é direta: Campinas vai apenas comemorar bons números de exportação ou vai transformar essa janela em uma política econômica regional de longo prazo?

Se depender da movimentação institucional da ACIC, a resposta parece estar em construção.

E o recado para o empresário é claro: o mundo está mais perto, mas só entra no jogo quem se prepara.


Campinas está pronta para virar referência internacional em negócios ou ainda falta estrutura para as empresas da região competirem lá fora?
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Fonte: ACIC Campinas.

Da Redação.

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