Bolívia escolhe novo presidente e rompe com duas décadas de hegemonia esquerdista

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Runoff de 19 outubro marca virada pró-mercado e reaproximação com os EUA

Em um momento histórico para o país, a Bolívia realizou no domingo (19 de outubro de 2025) uma eleição de segundo turno para presidente que representa uma guinada política significativa: o afastamento da longa hegemonia do Movimiento al Socialismo (MAS) e o surgimento de uma nova aposta estatal centrada em políticas de mercado e relançamento de laços com os Estados Unidos.

O cenário da eleição

Após o primeiro turno da eleição presidencial, nenhum candidato alcançou os requisitos para vencer diretamente — mais de 50% ou ao menos 40% com vantagem de 10 pontos percentuais. O resultado levou a disputa para o segundo turno entre Rodrigo Paz Pereira (centrista) e Jorge “Tuto” Quiroga (conservador).

Ambos os candidatos defendem reformas pró-mercado e proximidade com Washington — um contraste com décadas de governo orientado pela MAS.

Por que essa eleição importa

Fim de 20 anos de domínio esquerdista: O MAS, partido do ex-presidente Evo Morales, governou o país por quase duas décadas, com forte apoio entre população indígena e movimentos sociais. Agora, o cenário muda.

Crise econômica severa: A alta inflação (chegando a cerca de 23% em ritmo anual), escassez de combustíveis, dólares e queda nas exportações de gás natural pressionam o apoio popular ao governo anterior.

Nova política externa: A possibilidade de retomada da cooperação com os EUA — antes congelada em razão das alianças da Bolívia com China, Rússia e Irã — é vista como chave para estabilizar economia e diplomacia.

Quem são os candidatos?

Rodrigo Paz: Senador de perfil centrista, promete uma “capitalismo para todos”, mantendo programas sociais, mas abrindo economia para investimento privado. Segundo manchetes, venceu no segundo turno com cerca de 54,5% dos votos.

Jorge “Tuto” Quiroga: Ex-presidente, defende reformas mais radicais: cortes nos gastos públicos, privatizações e reformas estruturais para resetar a economia.

Ambos impõem mudança de via — a disputa não era entre esquerda e direita tradicionais, mas entre versões diferentes de liberalização econômica.

Potenciais impactos imediatos

Política econômica: Espera-se que o próximo governo reduza subsídios a combustíveis, atraia investimento externo e revise leis de hidrocarbonetos e mineração para tornar a Bolívia um destino mais favorável para empresas internacionais.

Relações exteriores: A reaproximação com os Estados Unidos pode significar cooperação nas áreas de comércio, energia e segurança — rompendo o isolamento diplomático recente.

Política interna e social: Apesar da guinada de mercado, o eleito terá de administrar uma sociedade desigual, com forte economia informal (estimada em 84% da força de trabalho) e demandas por inclusão social. A adoção de reformas será um equilíbrio delicado.

Desafios à frente

Aliança política frágil: O novo presidente não terá maioria absoluta no Parlamento, o que exige negociações e compromissos.

Expectativas elevadas: A população espera melhorias rápidas — porém, dados estruturais como dívida, reservas, infraestrutura e informalidade operam em prazos mais longos.

Reação de grupos sociais: Movimentos indígenas e sindicatos ligados ao antigo governo podem se opor a reformas consideradas agressivas ou que pareçam retrair direitos conquistados. Qualquer choque social poderá gerar instabilidade.

O que isso significa para a América Latina

A mudança na Bolívia pode funcionar como exemplo de aterrisagem de um país que buscava um modelo econômico alternativo (esquerdista) e agora volta-se para políticas liberais. Isso pode influenciar dinâmicas regionais: alianças, investimentos estrangeiros, e até a competição para atrair capital internacional ficam no foco. Além disso, para o Brasil e países vizinhos, uma Bolívia com economia mais liberal e relações com os EUA traz novos fluxos comerciais e geopolíticos.

A eleição de 2025 da Bolívia marca um ponto de inflexão — político, econômico e diplomático. Deixa-se para trás quase duas décadas de poder pela esquerda, e abre-se uma nova era de apostas no mercado, reformas e reaproximação externa. Mas o êxito dependerá de quão bem o novo governo equacionará liberalização com justiça social, estabilidade política com reformas urgentes. O mundo agora observa se a Bolívia vai conseguir transformar o voto de mudança em resultados concretos para sua população.

Fonte: Reuters.

Da Redação.

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