Flávio reúne 71,9 mil na Paulista; Lula aposta em manifestações e artistas, mas números levantam questionamentos.
As manifestações de outubro de 2026 evidenciaram estratégias diferentes de mobilização na disputa presidencial entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Enquanto Flávio reuniu aproximadamente 71,9 mil pessoas na Avenida Paulista, segundo uma estimativa independente, os apoiadores de Lula organizaram atos em diferentes cidades, além de uma grande marcha na Paulista sem contagem independente equivalente.
Manifestações de Lula e Flávio Bolsonaro: quem levou mais pessoas às ruas?
A disputa presidencial de 2026 chegou à última semana antes do segundo turno com duas demonstrações de força política. De um lado, milhares de brasileiros vestidos de verde e amarelo acompanharam Flávio Bolsonaro na Avenida Paulista, em São Paulo. Do outro, apoiadores do presidente Lula ocuparam ruas de diferentes capitais, com a participação de movimentos sociais, estudantes e artistas conhecidos nacionalmente.
As manifestações ocorreram em um momento decisivo: faltavam apenas sete dias para a votação de 25 de outubro, quando os eleitores escolheriam o próximo presidente da República.
Mas uma questão ganhou destaque no debate público: qual candidatura conseguiu mobilizar mais brasileiros?
A resposta exige atenção aos dados, especialmente porque nem todas as manifestações tiveram estimativas independentes de público.
No domingo, 18 de outubro, o ato de Flávio Bolsonaro reuniu aproximadamente 71,9 mil pessoas, conforme levantamento do Monitor do Debate Político, associado à USP e ao Cebrap, em parceria com a More in Common Brasil.
O estudo identificou um intervalo estimado entre 63,3 mil e 80,5 mil participantes, considerando o pico de concentração às 12h20.
Já a manifestação favorável a Lula, realizada na mesma avenida em 11 de outubro, ocupou aproximadamente 12 quarteirões. Apesar da grande extensão registrada, não foi possível realizar a mesma contagem independente, pois a campanha petista não autorizou o sobrevoo dos drones utilizados pelos pesquisadores.
A diferença de metodologia é central para entender os números e evitar conclusões precipitadas.
O que aconteceu na manifestação de Flávio Bolsonaro na Avenida Paulista?

O ato de Flávio Bolsonaro, realizado em 18 de outubro, foi organizado na reta final da campanha eleitoral como uma demonstração pública de apoio ao candidato do Partido Liberal.
A manifestação ficou conhecida como Bloquinho do 22, iniciativa impulsionada pelo deputado federal Nikolas Ferreira, de Minas Gerais.
Com músicas de campanha, carros de som e trios elétricos, o evento reuniu representantes de diferentes setores da direita brasileira.
Entre as lideranças presentes estavam o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes, o deputado Nikolas Ferreira e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
A presença dessas figuras reforçou o alinhamento de importantes lideranças políticas em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro.
Público estimado ultrapassou 70 mil participantes
Um dos principais indicadores do evento foi a estimativa de público.
O Monitor do Debate Político e a More in Common Brasil analisaram imagens aéreas utilizando recursos tecnológicos para calcular a quantidade de pessoas presentes.
O levantamento apresentou o seguinte resultado:
Público estimado no pico — 18/10/2026
71.900 pessoas

Intervalo estimado com margem de erro de 12%, segundo o levantamento divulgado em 18 de outubro.
A contagem foi realizada no momento de maior concentração identificado pelos pesquisadores, às 12h20.
É relevante diferenciar o número máximo de pessoas simultaneamente presentes da quantidade total de participantes que passaram pelo local ao longo do evento.
A primeira métrica representa uma fotografia estatística de determinado momento. A segunda exigiria acompanhar o fluxo de entradas e saídas durante toda a manifestação.
Por essa razão, o resultado de 71,9 mil deve ser interpretado como estimativa de público no pico, não como o total acumulado de todas as pessoas que circularam pelo evento.
Crescimento em relação ao ato de setembro
A manifestação de outubro também apresentou um crescimento expressivo quando comparada à mobilização realizada em 7 de setembro.
Segundo a comparação publicada pela Folha de S.Paulo, o evento de setembro havia reunido aproximadamente 28 mil participantes, enquanto a concentração de outubro atingiu 71,9 mil.
Comparação entre duas manifestações associadas ao campo bolsonarista. Estimativas aproximadas de público no pico.

O crescimento aproximado entre as duas estimativas foi de 157%.
Esse aumento indica maior capacidade de mobilização naquele evento específico, especialmente considerando a proximidade do segundo turno presidencial.
Contudo, o crescimento de participantes nas ruas não significa, automaticamente, um aumento proporcional nas intenções de voto.
Discursos contra Lula e críticas às pesquisas eleitorais
Durante a manifestação, Flávio Bolsonaro direcionou críticas ao governo federal e ao presidente Lula.
O candidato também afirmou que pretendia confrontar o adversário no debate presidencial marcado para as 20h daquele domingo, na Band.
Apoiadores presentes no evento fizeram críticas aos institutos de pesquisas eleitorais, questionando a confiabilidade dos levantamentos divulgados durante a campanha.
Essas acusações, entretanto, não constituem comprovação de manipulação dos resultados.
A manifestação foi encerrada por Flávio por volta das 13h05, quando o candidato passou a concentrar sua agenda no debate daquela noite.
Lula mobiliza apoiadores, artistas e movimentos sociais

Enquanto Flávio Bolsonaro priorizou a concentração de seus apoiadores em um evento de grande visibilidade na capital paulista, a mobilização favorável a Lula adotou outra estratégia.
Em 18 de outubro, apoiadores do presidente organizaram manifestações em diferentes cidades brasileiras, incluindo Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Salvador.
Os eventos foram promovidos por movimentos sociais, estudantes, coletivos culturais e grupos de apoio à candidatura petista.
A estratégia buscou distribuir a mobilização pelo território nacional, ampliando a presença pública dos apoiadores na semana decisiva da eleição.
Chico Buarque, Caetano Veloso e outros artistas participaram
No Rio de Janeiro, o cantor Chico Buarque participou de uma manifestação na região da Candelária, no centro da capital fluminense.
Na praia de Copacabana, o cantor Caetano Veloso esteve associado à convocação de outro ato denominado Ato Musical pela Democracia.
Em Salvador, artistas como Gilberto Gil e Daniela Mercury também foram anunciados em mobilizações favoráveis ao presidente.
Na capital federal, manifestantes se concentraram na Esplanada dos Ministérios e participaram de uma caminhada em direção ao Congresso Nacional.
A presença de artistas ajudou a ampliar a repercussão dos eventos, especialmente entre públicos que acompanham personalidades culturais e suas manifestações políticas.
Lula não participou pessoalmente dos atos de 18 de outubro
Apesar da mobilização organizada por seus apoiadores, o presidente Lula não compareceu aos principais atos realizados naquele domingo.
Segundo as reportagens publicadas na data, ele estava concentrado na preparação para o debate presidencial com Flávio Bolsonaro.
Isso representa uma diferença relevante entre as duas estratégias: enquanto Flávio participou pessoalmente do evento na Avenida Paulista, os atos pró-Lula daquele domingo foram conduzidos principalmente por apoiadores e lideranças da sociedade civil.
A ausência do presidente nos eventos de 18 de outubro não deve ser confundida com a manifestação de 11 de outubro, quando Lula participou de uma grande marcha na Avenida Paulista.

Por que a manifestação de Lula não teve contagem independente?
Uma das principais controvérsias da comparação envolve a marcha favorável a Lula realizada em 11 de outubro.
Na ocasião, a Avenida Paulista recebeu uma grande manifestação que ocupou aproximadamente 12 quarteirões.
A dimensão do evento chamou atenção pela extensão territorial e pelo envolvimento de grupos de estudantes, movimentos sociais e comunidades de fãs de artistas.
Entretanto, as entidades responsáveis pelas estimativas independentes de público não conseguiram realizar a mesma medição utilizada posteriormente no ato de Flávio Bolsonaro.
Segundo a Folha de S.Paulo, a campanha petista não autorizou o sobrevoo de drones para a contagem.
A reportagem também informou que restrições semelhantes haviam ocorrido em outras oportunidades durante o ano eleitoral.
Estimativa de 1 milhão não foi confirmada por contagem equivalente
Organizadores e representantes da campanha de Lula divulgaram uma estimativa superior a 1 milhão de participantes para a marcha do dia 11.
No entanto, esse número não foi confirmado por levantamento independente equivalente ao produzido no ato de Flávio.
A informação exige uma distinção clara entre três situações:
Número declarado por organizadores: uma estimativa produzida ou divulgada por quem promove o evento.
Estimativa independente: uma medição realizada por pesquisadores ou instituições externas à organização.
Registro visual da multidão: fotografias e vídeos que documentam a ocupação das ruas, mas não determinam, isoladamente, o número de participantes.
A inexistência de uma contagem independente não permite concluir que o público declarado pela campanha esteja necessariamente errado.
Também não permite tratá-lo como um número cientificamente comprovado.
A restrição aos drones levanta discussão sobre transparência
A diferença na possibilidade de medição tornou-se um dos pontos mais relevantes da comparação jornalística.
O evento de Flávio teve seu público estimado por instituições externas, enquanto o ato de Lula não contou com a mesma oportunidade de aferição.
A proteção presidencial envolve medidas especiais de segurança, e o uso de drones em áreas de grande concentração humana exige atenção às normas aplicáveis.
Mesmo assim, a impossibilidade de realizar contagens independentes limita a transparência sobre a dimensão das manifestações.
Sem medições comparáveis, não é possível determinar com rigor estatístico qual dos dois eventos reuniu mais pessoas na Avenida Paulista.
Essa é a principal conclusão técnica sobre o confronto de números apresentado pelas duas mobilizações.
Comparativo das manifestações: Flávio x Lula em 2026
Para entender as diferenças entre as mobilizações, é necessário comparar os eventos segundo critérios comuns.
A tabela abaixo considera a marcha pró-Lula de 11 de outubro, o evento de Flávio Bolsonaro de 18 de outubro e, quando indicado, os atos descentralizados realizados pelos apoiadores petistas no mesmo domingo.
| Critério | Flávio Bolsonaro | Lula e apoiadores |
|---|---|---|
| Principal manifestação na Paulista | 18 de outubro | 11 de outubro |
| Participação do candidato | Flávio esteve presente | Lula esteve presente no dia 11 |
| Público estimado | 71,9 mil pessoas | Campanha divulgou mais de 1 milhão |
| Contagem independente equivalente | Sim | Não |
| Organização | Campanha, PL e aliados | Movimentos sociais, coletivos e apoiadores |
| Lideranças e participantes | Nikolas, Tarcísio, Ricardo Nunes e outros | Lula no dia 11; artistas e movimentos sociais no dia 18 |
| Mobilização em 18/10 | Concentração na Paulista | Atos em diversas cidades |
| Características | Trios elétricos, músicas e discursos | Marchas, discursos e apresentações culturais |
| Principal mensagem | Apoio a Flávio e críticas ao governo Lula | Reeleição, democracia e participação popular |
Importante: os dados de público da tabela não possuem o mesmo grau de verificação. Os 71,9 mil são uma estimativa independente; o número superior a 1 milhão é uma declaração da campanha petista.

O que os números permitem afirmar?
A mobilização de Flávio Bolsonaro apresenta um resultado mensurável: aproximadamente 71,9 mil participantes no momento de maior concentração.
A manifestação de Lula, por sua vez, teve ocupação extensa da Avenida Paulista, mas não possui contagem independente equivalente.
A extensão territorial não pode ser convertida automaticamente em número de participantes, pois depende da densidade de pessoas em cada trecho da via.
Uma multidão distribuída por vários quarteirões pode apresentar densidades muito diferentes de uma concentração mais compacta.
O próprio ângulo utilizado para fotografar as manifestações interfere na impressão visual do tamanho do público.
Por isso, afirmar que um dos candidatos venceu a disputa das ruas apenas com base em imagens ou estimativas partidárias seria metodologicamente inadequado.
Mobilização concentrada ou distribuída: qual estratégia é mais eficiente?
A estratégia adotada por Flávio Bolsonaro favoreceu a produção de imagens de uma grande multidão reunida em um local emblemático da política brasileira.
Já a mobilização associada a Lula procurou atingir diferentes regiões do país, com forte participação de artistas e organizações civis.

Ambas apresentam vantagens e limitações.
Uma concentração expressiva pode demonstrar capacidade de organização, coesão política e intensidade do apoio dos participantes.
Por outro lado, manifestações distribuídas podem ampliar a presença territorial de uma campanha e facilitar a participação de pessoas que não conseguiriam viajar para um único grande evento.
Entretanto, nenhuma dessas características permite determinar, isoladamente, qual estratégia produzirá mais votos.
Shows políticos e o TSE: o que aconteceu com os atos pró-Lula?
Outra questão relevante envolvendo as manifestações de outubro foi a participação de artistas em eventos políticos.
O Partido Novo apresentou questionamentos à Justiça Eleitoral, argumentando que determinadas apresentações poderiam configurar propaganda eleitoral irregular ou shows utilizados para promover candidaturas.
O Tribunal Superior Eleitoral analisou pedidos relacionados a manifestações programadas para o domingo, 18 de outubro.
O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva rejeitou a suspensão preventiva dos eventos questionados.
Segundo a cobertura da Folha de S.Paulo sobre a decisão do TSE, não havia elementos suficientes naquele momento para demonstrar que os atos organizados por coletivos civis e estudantis seriam necessariamente eventos eleitorais proibidos.
A Lei nº 9.504/1997 estabelece restrições aos chamados showmícios, isto é, apresentações artísticas destinadas à promoção de candidatos em eventos eleitorais.
No entanto, manifestações culturais e políticas organizadas pela sociedade civil não se tornam automaticamente ilegais apenas porque artistas participam delas.
A avaliação depende das características específicas da atividade, incluindo organização, financiamento, finalidade e eventual vinculação direta com propaganda eleitoral.
Uma apresentação musical acompanhada de manifestação política pode levantar questionamentos jurídicos, mas sua classificação exige análise do caso concreto.
Da mesma forma, uma decisão judicial que rejeita a suspensão preventiva de um evento não significa que todas as possíveis condutas praticadas durante sua realização estejam previamente autorizadas.
Por que o tema ganhou importância no segundo turno?
Na reta final da eleição, a participação de artistas conhecidos oferece visibilidade adicional às manifestações.
Essas personalidades possuem públicos formados ao longo de décadas de carreira e conseguem repercutir mensagens para além dos canais tradicionais dos partidos.
A presença delas pode aumentar a divulgação dos atos, gerar repercussão nas redes sociais e estimular a participação de pessoas que normalmente não acompanham eventos partidários.
Entretanto, não existe base suficiente para afirmar que todas as pessoas presentes em manifestações com apresentações culturais compareceram exclusivamente pela música.
Também não é possível presumir que os participantes tenham sido mobilizados apenas por uma preferência eleitoral.
O contexto e a finalidade de cada manifestação precisam ser analisados individualmente.
Manifestações de 2026 revelam força política, mas não garantem votos
A capacidade de reunir milhares de pessoas nas ruas continua sendo um instrumento relevante na política brasileira.
Manifestantes não apenas demonstram apoio público aos candidatos. Eles também produzem imagens, vídeos, mensagens e conteúdos que passam a circular em redes sociais e aplicativos de mensagens.
Dessa forma, o impacto de uma manifestação pode ultrapassar o número de pessoas fisicamente presentes.
Um participante pode publicar vídeos que alcançam milhares de usuários. Uma liderança política pode transformar trechos de um discurso em conteúdos compartilhados por apoiadores em diferentes regiões do país.
Esse fenômeno ajuda a explicar por que campanhas investem em manifestações mesmo quando dispõem de ferramentas modernas de comunicação digital.
A força das imagens na polarização política
As imagens das ruas funcionam como símbolos de apoio popular.
Uma avenida ocupada por milhares de pessoas pode transmitir a percepção de entusiasmo, confiança e capacidade de mobilização.
Porém, existe um risco quando essas imagens são interpretadas como representação fiel de todo o eleitorado.
As pessoas presentes em uma manifestação são participantes voluntários e, normalmente, mais engajados politicamente.
Elas não constituem uma amostra estatisticamente representativa da população.
Isso significa que um candidato pode reunir uma manifestação numerosa e, ainda assim, enfrentar dificuldades eleitorais.
Também significa que um candidato pode ter eleitores que preferem não participar de atos públicos.
Manifestações medem disposição para mobilização; pesquisas eleitorais buscam estimar preferências do eleitorado. São indicadores diferentes.

O papel das redes sociais nas mobilizações
A eleição presidencial de 2026 também evidencia uma mudança importante na forma como grupos políticos se organizam.
A divulgação de manifestações não depende exclusivamente de partidos, emissoras de televisão ou estruturas tradicionais de campanha.
Influenciadores, parlamentares, artistas e comunidades digitais podem convocar participantes por meio de vídeos, transmissões e publicações compartilhadas.
No campo de apoio a Flávio Bolsonaro, Nikolas Ferreira destacou-se como uma das figuras envolvidas na convocação do Bloquinho do 22.
Entre os apoiadores de Lula, organizações estudantis e comunidades de fãs de artistas participaram de mobilizações que ganharam repercussão digital.
A presença de grupos ligados ao entretenimento mostra como práticas de organização desenvolvidas em comunidades digitais também podem ser utilizadas em acontecimentos políticos.
Esses grupos possuem experiência em campanhas de divulgação, mobilização coletiva e distribuição rápida de conteúdos, habilidades que podem ser transferidas para iniciativas de participação pública.
O desafio de conquistar quem não foi às manifestações
Embora os eventos tenham reunido milhares de pessoas, a eleição presidencial depende de um universo muito maior de eleitores.
Segundo a cobertura da Reuters sobre a disputa presidencial de 2026, a abstenção registrada no primeiro turno tornou-se uma preocupação estratégica para as duas campanhas.
A reportagem aponta aproximadamente 33 milhões de eleitores ausentes na primeira votação.
Esse contingente ilustra um desafio que não pode ser resolvido apenas com grandes concentrações.
As campanhas precisam transformar entusiasmo em participação efetiva nas urnas, além de dialogar com eleitores indecisos e pessoas que não acompanham diretamente a disputa partidária.
A distância entre mobilização e voto também ajuda a explicar por que manifestações e pesquisas podem apresentar sinais aparentemente contraditórios.
Uma grande multidão pode demonstrar apoio intenso entre determinados grupos sem representar uma mudança proporcional na preferência eleitoral nacional.
O que esperar da última semana antes do segundo turno?
As manifestações de 18 de outubro ocorreram no mesmo dia do primeiro debate presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro naquela etapa da disputa.
O confronto televisivo estava programado para as 20h, na Band, oferecendo aos candidatos a oportunidade de apresentar propostas, responder a críticas e disputar a atenção do eleitorado fora dos ambientes de apoio partidário.
A proximidade entre os atos de rua e o debate reforça uma característica da campanha: a tentativa de combinar mobilização presencial com visibilidade em veículos de comunicação e plataformas digitais.
Nos dias anteriores à votação de 25 de outubro, a capacidade de convencer eleitores ainda indecisos e incentivar o comparecimento às urnas tende a ganhar importância.
As ruas podem influenciar os últimos dias de campanha?
Sim, mas esse impacto não deve ser tratado como automático.
Manifestações podem criar repercussão, estimular apoiadores e produzir conteúdos utilizados em campanhas digitais.
Também podem atrair a atenção de eleitores que ainda não definiram seu voto.
Contudo, medir a influência eleitoral específica de um evento exige levantamentos apropriados, e não apenas observar o número de participantes.
No caso de outubro de 2026, os atos revelam que tanto Flávio Bolsonaro quanto Lula contam com segmentos da sociedade dispostos a participar publicamente da disputa.
A dimensão dessas mobilizações oferece informações relevantes sobre o engajamento de suas bases, mas o resultado eleitoral dependerá de fatores mais amplos.
Veja os melhores momentos da manifestação de hoje:
Leia também: Sabatinas de Lula e Flávio: 7 temas das eleições 2026
Conclusão: quem venceu a disputa das manifestações?
As manifestações de outubro de 2026 mostraram duas estratégias distintas na reta final da eleição presidencial.
Flávio Bolsonaro conseguiu mobilizar aproximadamente 71,9 mil pessoas na Avenida Paulista, conforme estimativa independente. Lula participou de uma grande marcha no mesmo endereço em 11 de outubro e teve apoio de manifestações descentralizadas no domingo seguinte, com participação de artistas e movimentos sociais.
A principal diferença comprovável está na medição do público. O ato de Flávio possui uma estimativa independente; a marcha de Lula não conta com aferição equivalente.
Isso impossibilita declarar com segurança qual reuniu mais pessoas na Paulista.
O verdadeiro resultado político dessas mobilizações dependerá da participação dos eleitores no segundo turno de 25 de outubro.
E você, acredita que multidões nas ruas são um indicador confiável da força eleitoral de um candidato? Compartilhe sua opinião e acompanhe a cobertura política do Podemos Foco.
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Aviso Importante
Esta reportagem tem finalidade jornalística e informativa. Os números apresentados distinguem estimativas independentes, declarações de campanhas e registros documentados pela imprensa. A comparação entre manifestações não constitui previsão de resultados eleitorais. As informações correspondem aos acontecimentos verificados até 18 de outubro de 2026.
Lula x Flávio: quem mostrou mais força nas ruas? Compare os números, leia a matéria completa e tire suas próprias conclusões!
Fontes:
Gazeta do Povo, Folha de S.Paulo, SBT News, UOL, Reuters, CNN Brasil, Veja, Exame.
Da Redação.
Perguntas frequentes sobre as manifestações de 2026
Quantas pessoas participaram do ato de Flávio Bolsonaro?
A manifestação de Flávio Bolsonaro realizada em 18 de outubro de 2026, na Avenida Paulista, reuniu aproximadamente 71,9 mil pessoas no pico, segundo o Monitor do Debate Político e a More in Common Brasil. O intervalo estimado foi de 63,3 mil a 80,5 mil participantes.
Quantas pessoas foram à manifestação de Lula?
A campanha de Lula divulgou uma estimativa superior a 1 milhão de participantes para a marcha realizada em 11 de outubro na Avenida Paulista. Entretanto, esse número não foi confirmado por uma contagem independente equivalente à utilizada no ato de Flávio Bolsonaro.
Por que não houve contagem independente no ato de Lula?
As entidades responsáveis pela medição informaram que a campanha petista não autorizou o sobrevoo de drones necessário ao levantamento. A restrição impossibilitou uma comparação com a mesma metodologia utilizada no evento de Flávio.
Qual manifestação reuniu mais pessoas?
Não é possível determinar com segurança qual manifestação reuniu mais participantes na Avenida Paulista. O ato de Flávio teve contagem independente estimada em 71,9 mil pessoas, enquanto a manifestação de Lula não passou por aferição equivalente.
Quais artistas participaram das manifestações favoráveis a Lula?
Entre os artistas relacionados aos atos de 18 de outubro estavam Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Daniela Mercury. As manifestações ocorreram em diferentes cidades, com participação de movimentos sociais e organizações civis.
O TSE proibiu os shows das manifestações?
Não. O Tribunal Superior Eleitoral rejeitou pedidos de suspensão preventiva de determinados eventos culturais e manifestações, diante da insuficiência de provas sobre seu suposto caráter eleitoral irregular. Isso não elimina as restrições legais aplicáveis aos showmícios.
O tamanho de uma manifestação prevê o resultado das eleições?
Não. O número de participantes representa a capacidade de mobilização de determinado grupo político, mas não constitui uma amostra estatisticamente representativa do eleitorado. O resultado depende do voto dos eleitores que comparecerem às urnas.
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