Parlamentares lançam “Ele é ele” e “Ela é ela” com visão cristã e biológica da infância
Nesta semana, os parlamentares Nikolas Ferreira (deputado federal – PL-MG) e Ana Campagnolo (deputada estadual – PL-SC) anunciaram o lançamento de dois livros voltados ao público infantil: “Ele é ele” e “Ela é ela”.
O que dizem os livros
Segundo a descrição oficial das obras, publicadas pela Editora Vida, os dois títulos utilizam “linguagem apropriada para crianças e ilustrações encantadoras” e afirmam que “Deus os criou de forma única para cumprirem o propósito que o Senhor estabeleceu para eles nesta terra”.
No caso de “Ela é ela”, por exemplo, o recado é aplicado às meninas: “Independentemente da profissão ou dos sonhos que escolherem, as meninas podem crescer confiantes em sua identidade como verdadeiras mulheres de Deus: sábias, bondosas e cheias de graça”.
Já “Ele é ele” traz mensagem equivalente para meninos: “responsáveis, bondosos e cheios de força e coragem”.
Os autores deixam claro que estas publicações são uma reação ao que denominam de “ideologia de gênero”, defendendo que gênero e sexo biológico devem andar juntos.
Motivação e contexto
Ambos os parlamentares são vinculados a pautas conservadoras, especialmente relacionadas à família, valores cristãos e à resistência a discursos de identidade de gênero mais fluida. A iniciativa dos livros aparece como parte de uma estratégia editorial-educativa para reafirmar a “natureza” de meninos e meninas segundo princípios cristãos.
Os lançamentos ocorrem em um momento em que o debate sobre identidade de gênero está polarizado no Brasil, envolvendo educação, direito das crianças e participação da religião na formação de valores.
Reações e impactos
As obras geraram diferentes reações. De um lado, apoiadores veem como um instrumento para segurar a identidade tradicional infantil, dar respaldo a pais que desejam educação alinhada à fé e conservar valores familiares. De outro lado, críticos apontam que o conteúdo pode reforçar visões rígidas de gênero, desconsiderar experiências de diversidade, e excluir crianças que não se encaixam em binarismos ou que vivenciam transição de gênero ou identidade não conforme ao sexo biológico.
Alguns artigos de mídia dizem que os livros têm a função explícita de “combater a ideologia de gênero” nas infâncias.
Especialistas em literaturas infantis ou em estudos de gênero alertam que a forma mais direta de tratar essas questões em livros para crianças exige cuidado para não estigmatizar ou silenciar vivências diversas — ainda que não haja menção explícita a tais falas nas obras.
O que muda na prática
Para docentes, pais e cuidadores, o lançamento desses livros representa uma nova opção editorial com forte viés ideológico-religioso.
Pais alinhados à/religião ou aos valores conservadores podem ver nessas obras um apoio na criação dos filhos.
Escolas ou ambientes educativos que valorizam diversidade ou políticas de equalização de gênero podem enfrentar dilemas se optarem por incluir ou não esses títulos.
No plano mais amplo, o mercado de literatura infantil está cada vez mais segmentado: há títulos que promovem diversidade, afirmação identitária, fluidez de gênero — e agora, com essas obras, uma contrapartida que reforça o binarismo tradicional.
O debate público se acende: até que ponto livros para crianças devem incorporar visões ideológicas tão explícitas e qual o papel da literatura infantil na formação dos valores de gênero?
O lançamento de “Ele é ele” e “Ela é ela” por Nikolas Ferreira e Ana Campagnolo marca mais um capítulo no embate cultural-educativo brasileiro sobre identidade de gênero, infância, educação e valores. As obras refletem uma visão cristã e conservadora, voltada para reafirmação de meninos e meninas segundo sexo biológico e propósito definido.
Para o público, especialmente pais, educadores e formadores de opinião, o tema exige reflexão: qual tipo de mensagem queremos transmitir às crianças sobre gênero? E qual o papel da literatura nesse processo?
Convidamos você a deixar sua opinião — compartilhe, comente e participe do diálogo que afeta a próxima geração.
Qual a sua opinião sobre a educação infantil tratar gênero dessa forma? Comente, compartilhe e participe da discussão!
Fonte: Guiame, Poder360 e Brasil Paralelo.
Da Redação.
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