Nova empresa assume contrato de R$ 147 milhões após atrasos, lixo nas ruas e pressão de moradores.
Piovezan perde a paciência com coleta de lixo em Santa Bárbara: “Não estou satisfeito”
Nova empresa assume o serviço nesta segunda-feira (27) com contrato de R$ 147 milhões, enquanto moradores cobram fim dos atrasos e do acúmulo de lixo nas ruas.

Santa Bárbara d’Oeste entra em uma semana decisiva para um dos serviços públicos mais sensíveis da cidade: a coleta de lixo.
Depois de dias de reclamações, atrasos, mau cheiro e sacos acumulados em ruas e calçadas, o prefeito Rafael Piovezan (PL) decidiu subir o tom e admitir publicamente aquilo que muitos moradores já vinham dizendo nas redes sociais e nos bairros: a coleta não está funcionando como deveria.
Em vídeo publicado nas redes sociais, durante a apresentação da nova frota da empresa que assumirá o serviço, Piovezan foi direto:
“Eu, assim como qualquer barbarense, não estou satisfeito com a maneira na qual ela vem sendo feita.”
A frase virou o ponto central de uma crise urbana que mistura cobrança popular, troca de empresa, contrato milionário e expectativa por resultado imediato.
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Segundo reportagem do Liberal, a nova responsável pela coleta será a Forty Construções e Engenharia, contratada por R$ 147 milhões para operar o serviço pelos próximos cinco anos. A operação começa nesta segunda-feira, 27 de abril, sem alteração nos dias e horários já praticados pela coleta no município.
O que muda agora na coleta?
De acordo com as informações divulgadas pela Prefeitura e publicadas pela imprensa regional, a nova estrutura apresentada para Santa Bárbara d’Oeste contará com:
- seis caminhões de coleta;
- um caminhão hidrojato;
- uma varredeira;
- uma retroescavadeira;
- manutenção dos dias e horários já existentes.
A promessa oficial é de um serviço “mais moderno, qualificado, eficiente e sustentável”, nas palavras do prefeito Rafael Piovezan.
Mas a pergunta que fica para o morador é simples: vai resolver ou será apenas troca de caminhão, uniforme e discurso?
A crise começou antes da nova empresa assumir
Até esta semana, o serviço era executado pela CTA Empreendimentos, contratada de forma emergencial pelo município. A empresa integra o Consórcio Santa Bárbara, que havia gerido a limpeza urbana da cidade de 2020 até fevereiro deste ano.
Segundo o Liberal, a própria Prefeitura afirmou que vinha cobrando a empresa atual com notificações diárias e adoção de medidas administrativas, embora essas medidas não tenham sido detalhadas publicamente na reportagem.
Nos bairros, a situação passou do incômodo ao desgaste público.
Moradores relataram atrasos na coleta, acúmulo de sacos de lixo, mau cheiro e transtornos. Em alguns pontos, a população chegou a empilhar sacos de lixo no meio das ruas como forma de protesto, segundo a reportagem.
Jardim Europa apareceu entre os pontos de reclamação
Em reportagem anterior do Liberal, moradores da região do Jardim Europa já relatavam problemas com lixo acumulado e atraso na coleta. O morador Manoel Farias afirmou que a situação havia piorado desde o fim de semana, citando cheiro forte e reclamações da população.
Esse tipo de relato mostra que a crise não é apenas administrativa. É prática, visível e diária.
Quando o lixo não passa, a cidade sente rápido: aparece o mau cheiro, aumentam os riscos sanitários, surgem insetos, roedores e cresce a sensação de abandono urbano.
Câmara também entrou no assunto
A pressão não ficou só nas ruas.
Na Câmara Municipal, a vereadora Esther Moraes (PV) apresentou o Requerimento nº 237/2026, pedindo explicações ao Executivo sobre atrasos na coleta de lixo em diversos bairros da cidade.
No documento, a parlamentar questiona qual empresa é responsável pelo serviço, se houve troca ou início de nova operação, quais bairros foram mais afetados, se houve penalidades ou notificações e qual o prazo para normalização completa. O requerimento também aponta que o acúmulo de resíduos pode causar mau cheiro, proliferação de pragas e riscos sanitários.
Em outras palavras: a cobrança saiu da reclamação de rua e virou fiscalização formal.
Contrato milionário aumenta a cobrança por resultado
O novo contrato com a Forty tem um peso político e financeiro grande: R$ 147 milhões em cinco anos.
Esse valor eleva naturalmente o nível de cobrança pública. Afinal, quando o município assume um contrato dessa proporção, o cidadão espera perceber diferença concreta na porta de casa.
A Forty já prestou serviço em Santa Bárbara d’Oeste anteriormente, até 2019, antes da entrada do Consórcio Santa Bárbara. Segundo o Liberal, o proprietário da empresa, Walter Jorge Filho, relembrou pesquisa do Indsat de 2017 que colocou Santa Bárbara como a segunda melhor coleta da Região Metropolitana de Campinas durante período em que a empresa atuava no município.
Esse histórico será usado como carta de confiança pela empresa e pela Prefeitura. Mas, agora, o teste será outro: entregar resultado rápido em uma cidade que já está irritada.
E a taxa do lixo no meio disso tudo?
A crise também acontece em um momento delicado: Santa Bárbara d’Oeste aprovou e sancionou recentemente a criação da Taxa de Manejo de Resíduos Sólidos, conhecida popularmente como taxa do lixo.
Segundo a Câmara Municipal, o projeto foi protocolado pela Prefeitura para instituir a cobrança pelo uso efetivo ou potencial dos serviços de coleta, transporte, tratamento e destinação final dos resíduos sólidos urbanos. A proposta foi apresentada como adequação à legislação federal do novo marco do saneamento.
De acordo com o SB Notícias, a Lei Complementar Municipal nº 365, de 7 de abril de 2026, foi sancionada pelo prefeito Rafael Piovezan e a cobrança começa a produzir efeitos a partir de 1º de janeiro de 2027.
Ou seja: enquanto a população vê lixo acumulado em alguns bairros, também acompanha a criação de uma cobrança específica para custear o serviço. Politicamente, isso aumenta ainda mais a pressão por eficiência.
O ponto central: a população não quer desculpa, quer coleta funcionando
A fala de Piovezan tem impacto porque reconhece publicamente a insatisfação com o serviço. Mas reconhecimento, sozinho, não recolhe lixo.
A partir de segunda-feira, a nova empresa terá uma missão objetiva: mostrar nas ruas que o contrato milionário não é apenas uma troca burocrática.
A população vai observar três pontos principais:
- Se a coleta vai voltar à regularidade;
- Se os bairros mais afetados serão atendidos rapidamente;
- Se a Prefeitura vai fiscalizar e punir falhas, caso elas continuem.
Santa Bárbara d’Oeste não está diante apenas de uma mudança de empresa. Está diante de um teste de gestão pública.
Porque coleta de lixo é aquele tipo de serviço que só vira notícia quando falha. E, quando falha, a cidade inteira sente.
A nova coleta começa sob pressão, com contrato alto, promessa de estrutura reforçada e uma frase forte do prefeito ecoando pela cidade: “não estou satisfeito.”
Agora, a cobrança muda de lado.
A Prefeitura cobrou a antiga empresa. A Câmara cobrou explicações. Os moradores cobraram nas ruas. E, a partir de agora, todos vão cobrar a Forty.
A pergunta que fica é direta: Santa Bárbara vai ver uma coleta nova de verdade ou apenas uma nova promessa circulando pela cidade?
E você, está satisfeito com a coleta de lixo no seu bairro?
Comente o nome do bairro, diga se o caminhão passou nos últimos dias e marque alguém de Santa Bárbara que precisa acompanhar essa situação.
Fontes: Liberal, Câmara Municipal de Santa Bárbara d’Oeste e SB Notícias.
Da Redação.
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