JBS entra na mira dos EUA

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Gigante brasileira é citada em investigação sobre carne, preços e concentração nos EUA.

A maior empresa de carnes do mundo voltou ao centro de uma disputa pesada nos Estados Unidos. A JBS, gigante brasileira com forte presença no mercado americano, foi citada no contexto de uma investigação federal sobre possível conluio, manipulação de preços e práticas anticompetitivas no setor de carnes.

O caso ganhou força depois que a Casa Branca determinou que o Departamento de Justiça dos EUA investigasse as maiores processadoras de carne do país. No radar estão as chamadas “Big Four”: JBS, Cargill, Tyson Foods e National Beef.

Segundo autoridades americanas, essas quatro empresas controlam mais de 85% do processamento de carne bovina nos EUA. E é justamente essa concentração que acendeu o alerta em Washington.

O que está sendo investigado?

O Departamento de Justiça apura se houve práticas como:

  1. combinação de preços;
  2. manipulação de mercado;
  3. restrição artificial de oferta;
  4. fraude em compras de gado;
  5. condutas que possam prejudicar pecuaristas e consumidores.

O procurador-geral em exercício Todd Blanche afirmou que a estrutura atual do setor, somada ao fechamento de plantas e à concentração nas mãos de poucos grupos, indica possível atividade anticompetitiva.

A investigação também abriu espaço para denúncias de produtores, funcionários e pessoas do setor. O DOJ pediu que informantes apresentem dados sobre possíveis irregularidades.

Por que a JBS virou personagem central?

A JBS não é apenas mais uma empresa no mercado americano. Ela é uma das maiores produtoras de carne bovina dos EUA, tem forte presença em frango e suínos por meio da Pilgrim’s Pride e pertence a um grupo brasileiro que já enfrentou acusações graves de corrupção.

Em 2020, a J&F Investimentos, controladora da JBS, admitiu culpa nos EUA em um caso de suborno internacional e aceitou pagar mais de US$ 256 milhões para encerrar uma investigação criminal relacionada à lei anticorrupção americana.

Além disso, a Pilgrim’s Pride, empresa controlada pela JBS, declarou-se culpada em 2021 em caso de fixação de preços no mercado de frango e foi condenada a pagar multa criminal superior a US$ 107 milhões.

A briga também chegou a Wall Street

Mesmo com o histórico de polêmicas, a JBS avançou em seu plano de listagem na Bolsa de Nova York. A movimentação foi criticada por parlamentares americanos, organizações ambientais e grupos de defesa da concorrência.

Senadores dos EUA já haviam alertado a SEC sobre riscos envolvendo corrupção, governança, concentração de mercado e possíveis impactos ambientais ligados à companhia.

A empresa, por outro lado, afirma ter fortalecido controles internos, políticas anticorrupção e mecanismos de transparência. Também defende que a listagem nos EUA amplia a fiscalização e melhora o acesso a investidores globais.

O ponto mais explosivo: comida virou segurança nacional

A narrativa da Casa Branca é dura: quando poucas empresas controlam a cadeia da carne, o problema deixa de ser apenas econômico e passa a ser tratado como tema de segurança alimentar.

Com preços altos para consumidores e pressão sobre pecuaristas independentes, Washington tenta mostrar que não vai tolerar suspeitas de cartelização no prato do americano.

E agora?

A investigação ainda está em andamento. Até aqui, não há condenação nova contra a JBS dentro desse caso específico da carne bovina. Mas o histórico da empresa, somado ao peso que ela tem no mercado dos EUA, colocou a gigante brasileira sob holofotes internacionais.

O caso pode abrir uma nova fase de pressão contra multinacionais do setor alimentício — especialmente aquelas acusadas de crescer rápido demais, concentrar mercado demais e prestar contas de menos.

Ameaça eminente

A JBS chegou ao topo do mercado global de carnes. Agora, enfrenta uma pergunta incômoda em território americano: até que ponto tamanho poder econômico pode ameaçar concorrência, produtores e consumidores?

A resposta ainda será dada pelas autoridades dos EUA. Mas uma coisa já está clara: Washington decidiu olhar para o mercado da carne com lupa, e a gigante brasileira está no centro dessa vitrine.


Você acha que gigantes da alimentação deveriam ser mais fiscalizadas? Comente sua opinião e compartilhe.

Fontes: Casa Branca, DOJ/Spectrum News, AP News, Reuters, Senado dos EUA, DOJ 2020 e DOJ 2021.

Da Redação.

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