Mendonça autoriza cela comum e ex-dono do Master passa a ter visitas restritas na PF.
Vorcaro perde sala especial na PF: a nova virada no caso Master
O ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, deixou a sala especial onde estava custodiado na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, e foi transferido para uma cela comum da PF. A mudança foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, relator das investigações sobre o caso Master.
A decisão muda a rotina do banqueiro dentro da custódia. Antes, Vorcaro estava em uma sala de Estado-Maior, a mesma estrutura que já havia sido usada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro antes da prisão domiciliar. Agora, segundo a apuração divulgada, ele passa a seguir as regras internas aplicadas aos demais presos da Polícia Federal.
O ponto que acendeu o alerta
A transferência ocorre depois de a defesa de Vorcaro entregar uma proposta de delação premiada à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República no início de maio. Enquanto negociava o acordo, ele tinha maior liberdade para receber advogados durante o dia. Com a proposta já apresentada, Mendonça autorizou a volta à carceragem comum.
Na nova condição, as visitas de advogados passam a ser mais rígidas: duas por dia, com duração de 30 minutos cada, em horários determinados. Para a investigação, é um gesto simbólico e prático: o tratamento deixa de ser excepcional e volta ao padrão da custódia comum.
Por que essa decisão pesa tanto?
O caso Master deixou de ser apenas um escândalo bancário. A Operação Compliance Zero completou seis meses em 18 de maio de 2026 e já é tratada como uma das maiores investigações financeiras recentes do país. Segundo a Agência Brasil, as seis fases executadas até 14 de maio revelaram o que pode ser a maior fraude contra o Sistema Financeiro Nacional já registrada no Brasil.
A investigação já levou a 21 prisões temporárias ou preventivas, 116 mandados de busca e apreensão e bloqueios judiciais próximos de R$ 27,71 bilhões. Os mandados foram cumpridos em sete unidades da federação, incluindo São Paulo, Distrito Federal, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

O Banco Master, o BRB e a engrenagem investigada
A apuração mira suspeitas de fraudes financeiras no Banco Master e também a tentativa de compra da instituição pelo BRB — Banco de Brasília, banco público ligado ao Governo do Distrito Federal. Segundo a Agência Brasil, a primeira fase da operação apontou indícios de “fabricação de carteiras de crédito sem lastro financeiro”, que teriam sido vendidas ao BRB.
O Banco Central decretou a liquidação do Banco Master em 18 de novembro de 2025. A Folha informou que o BC justificou a medida pela “grave crise de liquidez” do conglomerado e por “graves violações” às normas do Sistema Financeiro Nacional.
Os nomes no centro da trama
Além de Daniel Vorcaro, o caso envolve personagens de peso no mercado financeiro e em órgãos públicos. Entre os nomes citados nas apurações estão Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB; Dario Oswaldo Garcia, então diretor financeiro do banco estatal; Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Sousa, ligados ao Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central; além de Augusto Ferreira Lima, ex-CEO e sócio no Banco Master.
A Reuters também informou que o caso ganhou dimensão política após reportagens sobre contatos entre o senador Flávio Bolsonaro e Vorcaro. Flávio confirmou ter se encontrado com o banqueiro após a prisão e disse que a relação envolvia apenas tratativas de investimento para um filme sobre seu pai, sem troca de favores.
A delação pode mudar o jogo?
A possível delação de Vorcaro é vista como uma peça explosiva porque pode alcançar agentes públicos, executivos e políticos ligados ao entorno do Banco Master. A Folha noticiou que a negociação do acordo envolve defesa, Polícia Federal e PGR, mas que a aceitação dependeria de provas inéditas e possibilidade de recuperação de valores.
Até aqui, é importante destacar: as acusações seguem em investigação, e a defesa de Vorcaro nega irregularidades. Em março, a Folha registrou que a defesa afirmou que ele jamais obstruiu o trabalho das autoridades ou da Justiça.
O que muda agora
A ida para a cela comum não encerra o caso. Pelo contrário: aumenta a pressão sobre os próximos passos da investigação. A pergunta que fica em Brasília é direta: a delação de Vorcaro será aceita ou o ex-dono do Master perdeu força justamente quando tentava negociar?
O caso ainda pode abrir novos capítulos sobre a relação entre bancos, agentes públicos, fiscalização financeira e bastidores políticos. Por enquanto, a imagem que fica é forte: o banqueiro que ocupava uma sala especial agora está sob as mesmas regras dos demais presos da PF.
E você, acredita que a delação de Vorcaro pode revelar nomes ainda maiores no caso Master? Comente sua opinião e acompanhe o PodemFoco News para os próximos desdobramentos.
Fontes: Agência Brasil / Rádio Nacional; UOL; Folha de S.Paulo; Veja; Correio Braziliense; Reuters; Banco Central citado em reportagem da Folha.
Da Redação.
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