Nova delação rejeitada pela PF cita Alcolumbre, PT da Bahia e negócios do Banco Master
Brasília voltou a tremer.
Uma nova proposta de colaboração premiada atribuída a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, colocou no centro da crise o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, citado em reportagem sobre um suposto repasse milionário no exterior.
O valor chama atenção: US$ 30 milhões, cerca de R$ 155 milhões.
Mas aqui está o ponto que muda tudo: a Polícia Federal rejeitou a segunda proposta de delação. Ou seja, as declarações ainda estão no campo das alegações apresentadas pela defesa e não representam, até agora, um acordo aceito ou homologado.
Mesmo assim, o estrago político já começou.
O que Vorcaro teria dito
Segundo reportagens publicadas sobre o caso, Vorcaro teria relatado que o valor foi depositado em uma conta no exterior e depois repassado a Davi Alcolumbre como suposta contrapartida por apoio a interesses ligados ao Banco Master.
A operação, ainda conforme os relatos divulgados, teria contado com a intermediação de Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro.
A acusação é explosiva por três motivos:
envolve o presidente do Senado;
nasce dentro do maior escândalo recente envolvendo o Banco Master;
aparece no momento em que Brasília discute pressão por CPI ou CPMI sobre o caso.
Alcolumbre nega e promete reação judicial
Davi Alcolumbre negou ter recebido qualquer valor.
A assessoria do presidente do Senado classificou as informações como falsas e afirmou que ele pretende adotar medidas judiciais nas esferas cível e criminal contra os responsáveis pelas acusações.
Na prática, a defesa política de Alcolumbre se apoia em um ponto central: até o momento, a delação não foi aceita pela Polícia Federal e não há validação formal pública das acusações.
Por que a PF rejeitou a delação?
A Polícia Federal rejeitou pela segunda vez a proposta de colaboração de Daniel Vorcaro.
De acordo com informações divulgadas pela Agência Brasil, a PF comunicou a decisão ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, relator das investigações. A Procuradoria-Geral da República ainda analisa o material.
O motivo detalhado da nova recusa está sob sigilo. Porém, na primeira rejeição, investigadores avaliaram que Vorcaro não teria apresentado novidades relevantes em relação ao que já havia sido apreendido e não teria assumido crimes de forma suficiente para justificar benefícios.
Esse é o coração do impasse: Vorcaro tenta negociar, mas a PF não parece convencida de que ele entregou provas novas e úteis.
Quem é Daniel Vorcaro no centro desse terremoto?
Daniel Vorcaro é o fundador do Banco Master e está preso no âmbito da Operação Compliance Zero, investigação que apura suspeitas de fraudes financeiras, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e irregularidades envolvendo o Banco Master.
O caso ganhou dimensão nacional porque envolve:
suspeitas de carteiras de crédito sem lastro;
negociações com o BRB;
bloqueios bilionários de bens;
autoridades públicas;
empresários;
operadores financeiros;
e agora possíveis citações políticas de alto impacto.
A operação deixou de ser apenas um caso bancário. Virou uma crise institucional.
O elo com o PT da Bahia e Rui Costa
A nova proposta também menciona negócios ligados ao PT da Bahia.
O nome de Rui Costa, ex-governador da Bahia e ex-ministro da Casa Civil, aparece em reportagens sobre o caso, especialmente em relação ao funcionamento de operações vinculadas ao crédito consignado de servidores estaduais, como o chamado CredCesta.
Importante: segundo as publicações, não há referência direta a pagamento de propina a Rui Costa. O ex-ministro nega envolvimento em irregularidades.
Esse trecho amplia o alcance político do caso porque conecta a trajetória do Banco Master a negócios estaduais antigos, operações de crédito e relações com diferentes grupos de poder.
Antônio Rueda também é citado
Reportagens também mencionam Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil.
Rueda nega irregularidades. Ele reconhece que seu escritório de advocacia prestou serviços ao Banco Master, mas afirma não ter relação pessoal com Vorcaro.
Esse detalhe é politicamente sensível porque envolve o mesmo partido de Davi Alcolumbre, o União Brasil.

O que está comprovado e o que ainda é alegação?
Para entender o caso sem cair em torcida política, é preciso separar os fatos das acusações.
Está confirmado até agora:
Daniel Vorcaro tenta fechar acordo de colaboração.
A PF rejeitou a segunda proposta de delação.
A PGR ainda analisa o material.
A proposta cita Davi Alcolumbre, segundo reportagens.
Alcolumbre nega ter recebido valores.
O caso Banco Master segue sob investigação no STF.
A Operação Compliance Zero apura suspeitas graves no sistema financeiro.
Ainda está no campo das alegações:
o suposto pagamento de US$ 30 milhões;
a existência de conta secreta no exterior;
a eventual contrapartida política;
a participação de intermediários em repasses;
a comprovação documental pública das acusações.
Esse ponto é essencial: acusação em proposta de delação não é condenação.
Por que isso pode virar uma bomba política?
Porque o caso atinge o comando do Congresso Nacional.
Davi Alcolumbre não é apenas mais um senador. Ele preside o Senado e o Congresso, controla ritmo de pautas, influencia comissões e tem papel direto em decisões que podem mexer com governo, oposição, Judiciário e mercado financeiro.
Se novas provas surgirem, o caso pode pressionar:
a abertura de CPI ou CPMI do Banco Master;
a instalação de procedimentos internos no Senado;
a atuação da PGR;
decisões do STF;
e articulações entre governo, Centrão e oposição.
Se nada for comprovado, o caso pode virar uma guerra de versões com dano político, judicial e reputacional para todos os envolvidos.
A pergunta que Brasília tenta evitar
O grande ponto não é apenas saber o que Vorcaro falou.
A pergunta real é: ele tem provas?
Porque, sem documentos, rastros financeiros, registros bancários, mensagens ou testemunhos consistentes, a delação pode virar apenas uma tentativa de negociação para reduzir prejuízos penais.
Mas se houver lastro, o caso Banco Master pode abrir um novo capítulo de crise entre mercado financeiro, Congresso e Judiciário.
O caso Master virou um teste de transparência
O Brasil já viu delações derrubarem governos, destruírem reputações e também produzirem acusações que não se sustentaram.
Por isso, o episódio exige duas coisas ao mesmo tempo: investigação profunda e responsabilidade pública.
Não dá para ignorar uma acusação desse tamanho.
Também não dá para tratar uma proposta rejeitada como sentença.
O que se sabe hoje é que o caso Vorcaro entrou em uma zona de alta tensão. E quando um banqueiro preso tenta falar, Brasília escuta com medo.
Você acha que o Congresso deve abrir uma CPI do Banco Master para investigar tudo isso? Comente sua opinião e compartilhe esta matéria com quem acompanha política, economia e bastidores de Brasília. O PodemFoco News vai seguir acompanhando os próximos capítulos.
Fontes: Revista Timeline; Veja; Agência Brasil; UOL; Poder360; Reuters; Associated Press e Brasil 247.
Da Redação
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