Fim do imposto divide Lula, Alckmin, Fazenda e Câmara em meio à pressão popular e eleitoral.
Taxa das blusinhas vira bomba no governo e ameaça nova derrota de Lula
A chamada “taxa das blusinhas” voltou ao centro da guerra política em Brasília — e, desta vez, o desgaste não está apenas na oposição. O tema rachou setores do próprio governo, expôs divergências entre alas do Executivo e colocou a Câmara dos Deputados no meio de uma disputa que mistura arrecadação, consumo popular, proteção da indústria nacional e cálculo eleitoral.
Segundo apuração publicada pela coluna de Cláudio Humberto, no Diário do Poder, integrantes da Câmara avaliam que o governo pode sofrer uma nova derrota caso tente mexer na cobrança sem articulação prévia com o presidente da Casa, Hugo Motta, do Republicanos da Paraíba. A coluna afirma ainda que a Secretaria de Comunicação Social da Presidência veria o fim da taxa como uma possível tentativa de conter desgaste com públicos sensíveis, especialmente jovens e mulheres, grupos com forte presença nas compras online.
O imposto que parecia técnico virou problema político
A taxa ficou conhecida popularmente como “taxa das blusinhas” porque atinge compras internacionais de baixo valor feitas em plataformas como marketplaces estrangeiros. Na prática, desde 1º de agosto de 2024, compras internacionais de até US$ 50 passaram a pagar 20% de Imposto de Importação quando registradas pelas regras do Programa Remessa Conforme.
A cobrança foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em junho de 2024, dentro da Lei 14.902/2024, a mesma que criou o Programa Mobilidade Verde e Inovação, o Mover. A taxação entrou no texto por meio de uma emenda na Câmara dos Deputados e foi mantida após tramitação no Congresso.
Pela regra atual, mercadorias de até US$ 50 pagam 20% de imposto federal. Acima de US$ 50 e até US$ 3 mil, a alíquota sobe para 60%, com desconto de US$ 20 no tributo a pagar. Além disso, há cobrança de ICMS, que, segundo a Receita Federal, é aplicado em regra à alíquota de 17%, exceto em estados que elevaram para 20%.
Lula, Alckmin e Fazenda: o racha que expôs o governo
O ponto explosivo é que o governo não fala em uma só voz.
De um lado, há quem veja o fim da taxa como uma saída política para reduzir desgaste com consumidores. De outro, a área econômica e setores ligados à indústria avaliam que retirar o imposto pode abrir um rombo de arrecadação e prejudicar a competitividade da produção nacional.
O próprio presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou publicamente que o governo está dividido sobre o assunto. Segundo ele, ministros da área política seriam favoráveis ao fim da cobrança, enquanto integrantes da área econômica defendem a manutenção por causa da arrecadação e do impacto sobre a produção brasileira.

A divergência ficou ainda mais evidente com a posição do vice-presidente Geraldo Alckmin, também ligado à pauta da indústria. Em abril de 2026, Alckmin defendeu a manutenção da taxa e argumentou que, mesmo com a cobrança, a carga sobre importados ainda seria menor do que a enfrentada por produtores nacionais.
Câmara pode transformar a taxa em derrota política
O problema para o Planalto é que o assunto já está se movendo no Congresso.
A oposição protocolou um requerimento de urgência para acelerar a votação de um projeto que busca derrubar a cobrança sobre compras internacionais de até US$ 50. Segundo a Revista Oeste, o pedido foi apresentado por deputados como Gustavo Gayer, Adolfo Viana e Sóstenes Cavalcante, com 363 assinaturas.
Caso a urgência avance, o texto pode ir diretamente ao plenário, encurtando etapas de tramitação nas comissões. Isso aumenta a pressão sobre o governo e pode transformar a taxa em um novo teste de força entre Planalto e Câmara.
Também há outros projetos em discussão. A Agência Câmara informou que o PL 1440/2025 propõe isentar do Imposto de Importação remessas postais de presentes ou itens comprados pela internet, com limite anual de US$ 600 por pessoa física. O texto ainda precisa passar pela Câmara e pelo Senado para virar lei.
O consumidor sente no bolso — e o governo sente nas redes
A força política do tema vem de uma realidade direta: a taxa aparece no carrinho de compra.
Para milhões de brasileiros que compram produtos baratos pela internet, a cobrança não é uma discussão abstrata sobre arrecadação. Ela aparece no preço final, no frete, no imposto calculado no checkout e na sensação de que até pequenas compras foram alcançadas pelo Estado.
É por isso que a narrativa viralizou tão rápido. A expressão “taxa das blusinhas” simplifica uma discussão tributária complexa e transforma o debate em algo fácil de entender: o governo taxou compras populares feitas pela internet.
Mas há o outro lado: entidades empresariais e defensores da indústria nacional argumentam que produtos estrangeiros chegavam ao Brasil com vantagem tributária diante de empresas brasileiras que pagam impostos, geram empregos e seguem obrigações trabalhistas e fiscais. A própria Receita Federal afirma que as regras buscam criar um ambiente mais justo para produtores nacionais e evitar prejuízo à competitividade das empresas brasileiras.
O bastidor mais delicado: ninguém quer pagar a conta sozinho
A crise política em torno da taxa tem uma camada estratégica: quem vai assumir o custo da decisão?
Se o governo defender o fim da cobrança, pode ser acusado de recuar por cálculo eleitoral e de abrir mão de receita. Se mantiver a taxa, continuará exposto ao desgaste com consumidores, especialmente nas redes sociais.
Se a Câmara derrubar a cobrança, pode tentar capitalizar a pauta como defesa do consumidor. Mas também terá de lidar com os argumentos sobre arrecadação, indústria nacional e equilíbrio fiscal.
No meio desse tabuleiro estão nomes como Lula, Geraldo Alckmin, Fernando Haddad, Hugo Motta e líderes da oposição. Cada um com um custo político diferente diante do mesmo imposto.
O que pode acontecer agora?
O cenário ainda não está fechado, mas há três caminhos principais:
1. O governo tenta negociar uma saída intermediária
Pode discutir ajustes, compensações ou mudança gradual, tentando reduzir o desgaste sem abandonar totalmente a arrecadação.
2. A Câmara acelera a derrubada da taxa
Com requerimento de urgência e apoio de parlamentares, o tema pode ganhar velocidade e virar nova derrota para o governo.
3. A taxa permanece, mas vira munição eleitoral
Mesmo sem mudança imediata, a cobrança pode seguir sendo explorada politicamente como símbolo de aumento de impostos sobre o consumidor comum.
Uma taxa pequena virou um problema gigante
A “taxa das blusinhas” deixou de ser apenas uma regra de comércio exterior. Virou um teste de popularidade, articulação política e capacidade do governo de equilibrar três pressões ao mesmo tempo: consumidor, arrecadação e indústria nacional.
O ponto central é simples: o imposto pode até parecer pequeno no papel, mas politicamente virou uma bomba de alto alcance.
E, em Brasília, quando um tema entra no bolso do consumidor e viraliza nas redes, ele raramente fica pequeno por muito tempo.
Você é a favor ou contra o fim da taxa das blusinhas? Essa cobrança protege a indústria brasileira ou pesa demais no bolso do consumidor? Comente sua opinião e compartilhe esta matéria.
Fontes: Diário do Poder, Agência Câmara Notícias, Senado Notícias, Receita Federal, Agência Câmara Notícias, Metrópoles e Revista Oeste.
Da Redação.
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