PF investiga lavagem na saúde e aponta dinheiro oculto em empresa ligada ao ex-prefeito.
R$ 450 mil em dinheiro vivo não estavam em um banco. Não estavam em um cofre. Segundo a Polícia Federal, estavam ocultos dentro de uma empresa vinculada a investigado da Operação Anáfora, em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro.
E é justamente esse detalhe — dinheiro em espécie, escondido, em uma apuração sobre suposto desvio de recursos da saúde — que colocou novamente o nome de Washington Reis (MDB), ex-prefeito de Duque de Caxias e presidente estadual do MDB no Rio, no centro de uma crise política e policial com cheiro de escândalo nacional.
A segunda fase da Operação Anáfora foi deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira, 30 de junho de 2026, para aprofundar a investigação sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao desvio de recursos públicos destinados à saúde no Rio de Janeiro. Ao todo, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão, sendo 10 expedidos pela 6ª Vara Federal Criminal e outros 4 pelo TRF-2, segundo a própria PF.
O que a PF encontrou?
Segundo a Polícia Federal, durante o cumprimento das ordens judiciais em Duque de Caxias, os agentes encontraram R$ 450 mil em espécie ocultos em uma empresa vinculada a um investigado da operação.
A CNN Brasil informou que o dinheiro estava em um saco preto, escondido embaixo de um sofá, dentro de uma sala de empresa ligada a Washington Reis. Já o SBT News apontou que o valor teria sido encontrado no Laticínio Vale Carioca, empresa associada ao entorno do político.
É a típica imagem que viraliza porque resume, em uma cena, o que o brasileiro comum sente há anos: enquanto a população enfrenta fila, falta de médico, demora em exame e estrutura precária na saúde pública, operações policiais continuam encontrando dinheiro vivo em lugares inacreditáveis.
Quem é Washington Reis?
Washington Reis é ex-prefeito de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, ex-secretário estadual de Transportes e presidente estadual do MDB no Rio de Janeiro.
O nome dele já havia aparecido na primeira fase da Operação Anáfora, em 2022, quando a PF investigava suposto favorecimento em contratos da saúde no município de Duque de Caxias. Na época, Reis era candidato a vice-governador na chapa de Cláudio Castro (PL), mas acabou substituído por Thiago Pampolha durante o processo eleitoral.
Agora, nesta nova fase, há uma nuance importante: segundo apuração da CNN, Washington Reis não foi diretamente alvo das buscas, embora mandados tenham sido cumpridos em endereços vinculados a ele e familiares tenham sido citados na apuração. O SBT News também informou que Reis figura entre os investigados, mas que o pedido de busca em sua residência teria sido negado pela Justiça.
O elo empresarial que chamou atenção
Um dos pontos centrais da investigação é o rastreamento de patrimônio e movimentações financeiras dos investigados.
Segundo a PF, a apuração identificou indícios de que investigados teriam mantido bens em nome de terceiros, feito despesas incompatíveis com a renda declarada e participado de negociações envolvendo imóveis.
O R7 informou que a WR Participações, empresa ligada a Washington Reis, teria quase 300 imóveis e seria supostamente administrada por sua irmã, Jane Reis. O mesmo veículo citou ainda a existência de empresas parceiras em imóveis ligados à WR Participações.
Já o Correio da Manhã apontou que, de acordo com a PF, a empresa possui cerca de 300 imóveis registrados em seu patrimônio e características compatíveis com práticas de ocultação de bens e lavagem de capitais.
O caso vem de 2022
A Operação Anáfora não começou agora.
A primeira fase foi deflagrada em setembro de 2022 e apurava suposto favorecimento na contratação de uma cooperativa de trabalho pela Secretaria de Saúde de Duque de Caxias. Segundo a Agência Brasil e o Poder360, os contratos investigados somavam aproximadamente R$ 563,5 milhões em pouco mais de dois anos.
Naquele momento, também apareceram nomes como o empresário Mário Peixoto. O caso ganhou peso político porque atingiu personagens influentes da política fluminense em plena disputa eleitoral.
Agora, quatro anos depois, a PF afirma que aprofundou a trilha do dinheiro. E a nova fase mira justamente aquilo que costuma ser o coração desse tipo de investigação: patrimônio, imóveis, empresas, terceiros e dinheiro vivo.
Quais crimes são investigados?
Segundo a Polícia Federal, os investigados poderão responder, conforme o grau de participação de cada um, pelos crimes de:
organização criminosa;
fraude à licitação;
lavagem de dinheiro;
outros delitos que possam surgir no decorrer da investigação.
Até o momento, é importante destacar: a operação ainda está em fase investigativa. Cabe à Justiça definir responsabilidades individuais, e todos os citados têm direito à defesa.
O outro lado
De acordo com o SBT News, Washington Reis afirmou que soube da operação pela imprensa e disse desconhecer as acusações. O Poder360 informou que procurou o político por aplicativo de mensagens, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem.
O espaço permanece aberto para manifestação dos citados e de suas defesas.
Por que esse caso importa?
Porque a investigação toca em um ponto sensível para qualquer cidadão: dinheiro da saúde pública.
Não estamos falando de uma disputa política comum, daquelas que passam batido no noticiário. Estamos falando de uma operação que investiga se recursos que deveriam atender pacientes, sustentar serviços públicos e financiar contratos de saúde podem ter sido desviados, lavados e escondidos por meio de empresas, imóveis e terceiros.
E quando a PF encontra R$ 450 mil em espécie ocultos em uma empresa ligada ao caso, a pergunta inevitável é simples:
se isso estava no sofá, o que mais pode estar escondido na estrutura do esquema?
Entenda em 30 segundos
A Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Anáfora nesta terça-feira, 30 de junho de 2026.
A investigação apura suposta lavagem de dinheiro ligada ao desvio de recursos públicos da saúde no Rio de Janeiro.
Foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, Niterói e Duque de Caxias.
A PF confirmou a apreensão de R$ 450 mil em espécie ocultos em empresa vinculada a investigado.
Washington Reis, ex-prefeito de Duque de Caxias e presidente estadual do MDB no Rio, continua no radar da investigação, embora veículos informem que ele não foi diretamente alvo das buscas nesta fase.
A apuração envolve suspeitas de ocultação de patrimônio, bens em nome de terceiros, imóveis e despesas incompatíveis com renda declarada.
A pergunta que fica
O Brasil já viu muitos escândalos começarem com notas fiscais, contratos obscuros e empresas de fachada.
Mas quando uma operação sobre saúde pública encontra dinheiro vivo escondido embaixo de um sofá, o caso deixa de ser apenas jurídico. Vira símbolo.
Símbolo de um país cansado de ver dinheiro público desaparecer enquanto o cidadão comum paga imposto, enfrenta fila e ainda escuta que “faltam recursos”.
Agora, a PF precisa ir até o fim. Sem blindagem. Sem seletividade. Sem acordo de bastidor.
Porque saúde pública não é cofre privado. E dinheiro do povo não pode terminar escondido atrás de almofada.
Você acredita que operações como essa realmente chegam aos chefões ou param nos intermediários? Comente sua opinião e compartilhe esta matéria para mais pessoas acompanharem o desdobramento da investigação.
Fontes: Polícia Federal; Agência Brasil; CNN Brasil; R7; SBT News; Poder360; UOL; Terra; Correio da Manhã e Diário 360
Da Redação.
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