Governo amplia presença em Meta e Google; oposição vê autopromoção, Secom fala em comunicação pública.
Enquanto o país discute custo de vida, impostos e eleição, uma disputa silenciosa cresce nas telas dos brasileiros: a publicidade do governo federal nas redes sociais.
Segundo levantamento divulgado pela imprensa, o governo Lula destinou cerca de R$ 21 milhões em anúncios no Instagram e Facebook até meados de maio de 2026, quase o dobro dos R$ 11,45 milhões registrados no mesmo período de 2025. Os dados são atribuídos à Biblioteca de Anúncios da Meta.
A ofensiva digital acontece em ano eleitoral e colocou a comunicação do Planalto no centro de uma pergunta explosiva: informação pública ou autopromoção com dinheiro público?
O que está em jogo?
A Folha de S.Paulo já havia apontado que o governo ampliou verbas para big techs, com Google e Meta ultrapassando SBT e Band na distribuição de publicidade federal. A Secom afirma que a mudança acompanha novos hábitos de consumo de informação dos brasileiros.
Outra reportagem da Folha informou que Rio de Janeiro e Minas Gerais concentraram 42% dos gastos em impulsionamentos locais, enquanto a Secom declarou que a distribuição segue critérios técnicos e a legislação.
Onde mora a polêmica
A Constituição permite publicidade oficial, mas exige caráter educativo, informativo ou de orientação social, sem promoção pessoal de autoridades. A cartilha da AGU para as eleições de 2026 reforça esse ponto e alerta que a publicidade institucional deve respeitar o princípio da impessoalidade.

A legislação eleitoral também impõe freio: nos três meses anteriores ao pleito, a publicidade institucional fica vedada, salvo exceções legais. Em 2026, a própria AGU indica o período de vedação a partir de 4 de julho.
O TSE mantém entendimento rígido: no período proibido, a veiculação de publicidade institucional pode configurar conduta vedada mesmo sem conteúdo eleitoral explícito.
A defesa do governo
A Secom sustenta que a presença digital busca informar a população sobre programas, serviços e ações públicas. Essa linha de defesa se apoia na ideia de que o cidadão mudou a forma de consumir notícia: menos televisão tradicional, mais redes, busca e vídeo curto.
A crítica da oposição
Críticos afirmam que, em ano eleitoral, a publicidade oficial pode virar vitrine política. O principal argumento é que campanhas institucionais com forte exposição de programas federais podem favorecer a imagem do governo, mesmo quando não pedem voto diretamente.
O ponto central
A questão não é apenas o valor. É quem aparece, como aparece, onde aparece e em que momento aparece.
Se a comunicação explica serviços públicos, ela cumpre função institucional. Se constrói imagem pessoal de governo ou autoridade, entra numa zona de risco jurídico e político.
Você acha que anúncio de governo em ano eleitoral é informação pública ou campanha disfarçada? Comente e compartilhe.
Fontes: Folha de S.Paulo; Estado de Minas; Revista Oeste; 96FM; TSE; AGU; Câmara dos Deputados; Google Ads Transparency Center; Biblioteca de Anúncios da Meta.
Da Redação.
About The Author
Descubra mais sobre PodEmFocoNews
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.







