Itália trava STF no caso Zambelli

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Corte anula entrega ao Brasil e manda processo recomeçar em Roma

Roma colocou o caso Carla Zambelli novamente no centro da guerra jurídica entre Brasil e Itália. A Corte Suprema de Cassação, última instância da Justiça italiana, anulou nesta quarta-feira, 1º de julho de 2026, a segunda autorização de extradição da ex-deputada Carla Zambelli, do PL de São Paulo, e determinou que o processo volte para novo julgamento na Corte de Apelação de Roma.

Na prática, Zambelli não será entregue ao Brasil agora. O caso volta algumas casas no tabuleiro jurídico e reacende uma pergunta explosiva: até onde decisões do STF brasileiro resistem quando passam pelo crivo de tribunais estrangeiros?

O que aconteceu agora?

A decisão italiana atinge o segundo pedido de extradição feito pelo Brasil. Esse processo trata da condenação de Zambelli pelo episódio de 2022, em São Paulo, que resultou em pena de 5 anos e 3 meses por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo.

A Corte italiana anulou a decisão anterior da Corte de Apelação de Roma, que havia autorizado a extradição, e mandou o caso ser reavaliado. Segundo a Folha de S.Paulo, a sentença com os fundamentos ainda será publicada nas próximas semanas; depois disso, o processo deve voltar a tramitar na instância inferior.

Ou seja: não é absolvição, não é encerramento definitivo e não é “fim do caso”. Mas é uma derrota relevante para a estratégia brasileira de trazer Zambelli de volta imediatamente.

Por que isso virou uma bomba política?

Porque não se trata apenas de Carla Zambelli. O que está em jogo é a credibilidade internacional de decisões tomadas pelo Supremo Tribunal Federal em casos de alta tensão política.

Em maio de 2026, a mesma Corte de Cassação já havia negado outro pedido de extradição, ligado à condenação de Zambelli no caso da invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça. Na ocasião, ela foi colocada em liberdade na Itália.

Na primeira decisão, magistrados italianos apontaram problemas relacionados à imparcialidade objetiva do julgamento no STF, especialmente pela atuação do ministro Alexandre de Moraes em diferentes momentos do processo. A Folha registrou que a Corte italiana viu como problemático o papel de Moraes como pessoa lesada por um dos crimes, relator e integrante do julgamento, classificando a situação como uma grave violação ao direito de defesa.

Esse ponto é o coração da polêmica.

O argumento que incomoda Brasília

A defesa de Zambelli sustenta que houve contaminação política e jurídica nos processos. O governo brasileiro e o STF, por outro lado, defendem a validade das condenações e afirmam que o processo respeitou garantias legais.

A AGU informou que protocolou manifestação na Corte Suprema de Cassação da Itália para defender a extradição no caso da condenação por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, enviando informações prestadas pelo STF sobre garantias exigidas pela Justiça italiana e sobre a validade da condenação.

Mas, na audiência desta quarta-feira, o subprocurador-geral italiano Fabio Picuti pediu a anulação do processo de extradição. Segundo Poder360 e Folha, o representante italiano acolheu a tese de possível “contaminação” do processo por causa da participação de Alexandre de Moraes no colegiado do STF, embora a relatoria do caso da arma estivesse com Gilmar Mendes.

Quem é Carla Zambelli no centro dessa crise?

Carla Zambelli Salgado de Oliveira é filiada ao PL de São Paulo, nasceu em Ribeirão Preto e consta no portal da Câmara como “não está em exercício”.

Ela foi uma das parlamentares mais conhecidas da direita brasileira, com forte presença digital e alinhamento ao bolsonarismo. Depois das condenações no STF, deixou o Brasil e passou a responder ao processo de extradição na Itália, país onde também possui cidadania.

A Câmara dos Deputados chegou a rejeitar a perda do mandato em dezembro de 2025, com 227 votos favoráveis à cassação, 110 contrários e 10 abstenções — abaixo dos 257 votos necessários. Depois, a Primeira Turma do STF manteve decisão que anulou a votação da Câmara e determinou a perda do mandato.

O que muda a partir de agora?

O caso volta para a Corte de Apelação de Roma. A tendência é que governo brasileiro e defesa apresentem novamente seus argumentos, com novos prazos e possibilidade de novo recurso à própria Corte de Cassação.

Zambelli continua em liberdade em território italiano, enquanto o governo brasileiro tenta manter viva a chance de extradição.

Para a direita, a decisão reforça a narrativa de que há um incômodo internacional com a forma como determinados processos políticos foram conduzidos no Brasil. Para críticos de Zambelli, a medida é apenas uma etapa processual e não apaga as condenações impostas pelo STF.

A verdade é que os dois lados têm algo a comemorar — e algo a temer.

O ponto central

A Itália não disse que Zambelli é inocente. Também não entregou a ex-deputada ao Brasil.

O que a Justiça italiana fez foi mandar o processo recomeçar, colocando sob holofote um debate espinhoso: a fronteira entre Justiça, política, soberania nacional e garantias individuais.

E quando uma Corte estrangeira começa a questionar decisões de uma Suprema Corte brasileira, o caso deixa de ser apenas jurídico. Vira crise institucional com impacto internacional.

O próximo capítulo

A sentença completa da Corte italiana deve trazer os fundamentos da decisão nas próximas semanas. Até lá, Brasília tenta reorganizar a estratégia, a defesa ganha fôlego e o caso Zambelli segue como um dos maiores termômetros da tensão entre STF, direita brasileira e tribunais estrangeiros.

A pergunta que fica é direta: a Itália está apenas aplicando garantias processuais ou está enviando um recado político ao Brasil?


E você, de que lado está?
A decisão da Itália foi um freio necessário contra possíveis abusos ou apenas uma manobra jurídica que atrasa o cumprimento da pena? Comente sua opinião e compartilhe esta matéria com quem acompanha os bastidores da política brasileira.

Fontes: Diário do Poder; Folha de S.Paulo; Poder360; CNN Brasil; UOL; Migalhas; Agência Brasil; Agência Câmara; AGU e ANSA.

Da Redação.

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