O impeachment de Alexandre de Moraes voltou ao centro da disputa entre o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal. Um levantamento publicado em 19 de julho de 2026 aponta que o ministro já é alvo de 52 pedidos apresentados desde 2021 — praticamente metade das 105 representações dirigidas aos integrantes da Corte no período.
O número é politicamente explosivo. Mas existe um detalhe decisivo: 52 pedidos não significam 52 processos abertos.
Na prática, as representações permanecem submetidas à avaliação do Senado. A decisão inicial sobre aceitá-las, encaminhá-las para análise ou arquivá-las passa pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
É justamente nesse ponto que a pressão política se concentra.
Impeachment de Alexandre de Moraes: por que são 52 pedidos?
A contagem considera as representações apresentadas a partir de 4 de janeiro de 2021, quando pedidos anteriores contra ministros do Supremo foram arquivados no Senado.
Em janeiro de 2026, um levantamento divulgado pelo Estadão e reproduzido pelo UOL contabilizava 41 requerimentos individuais contra Moraes. Em março, o número já havia chegado a 47. Em maio, subiu para 51. A 52ª representação foi anunciada em junho.
A evolução ajuda a explicar por que diferentes reportagens podem apresentar números distintos: os veículos podem adotar períodos, datas de corte e critérios diferentes, além de contabilizar pedidos coletivos de maneiras distintas.
O dado de 52, portanto, deve ser apresentado corretamente: são pedidos contabilizados desde 2021, e não processos de impeachment formalmente instaurados.
O que motivou o pedido mais recente?
O pedido que elevou o total para 52 foi apresentado pelos deputados federais Cabo Gilberto Silva (PL-PB) e Carlos Jordy (PL-RJ) e encaminhado a Davi Alcolumbre.
Os parlamentares acusam Moraes de suposto atentado à liberdade de imprensa ao citarem uma operação de busca e apreensão autorizada contra o jornalista Luís Pablo Conceição Almeida.
A representação também menciona o caso da ex-deputada Carla Zambelli e uma decisão da Justiça italiana relacionada ao pedido brasileiro de extradição.
Segundo os autores, a atuação de Moraes teria provocado uma concentração indevida de funções investigativas e judiciais. Essas são, contudo, alegações da oposição, que ainda precisam passar por exame técnico e político no Senado. A existência de uma denúncia não comprova automaticamente crime de responsabilidade.
O conteúdo do pedido mais recente pode ser consultado no relato publicado pelo Poder360.
Banco Master também entrou na ofensiva contra Moraes
Outro pedido relevante foi protocolado em março de 2026 pelo Partido Novo.
A representação menciona uma suposta relação do ministro com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A informação sobre o protocolo foi confirmada pela própria TV Senado.
Novamente, é indispensável separar acusação de comprovação: o protocolo formaliza uma denúncia política e jurídica, mas não representa uma conclusão de culpa contra o ministro.

Outros nomes envolvidos nos pedidos
O impeachment de Alexandre de Moraes vem sendo defendido por parlamentares e representantes da oposição há vários anos.
Uma das petições registradas oficialmente pelo Senado, a PET 4/2024, foi apresentada pelo deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) e teve entre os autores:
- Bia Kicis (PL-DF);
- Caroline de Toni (PL-SC);
- Sebastião Coelho da Silva;
- Rodrigo Saraiva Marinho.
A página oficial da PET 4/2024 informa que a representação está “em tramitação”, mas aparece como “aguardando despacho”. O documento foi encaminhado à Advocacia do Senado para elaboração de parecer.
Isso revela a diferença entre um pedido protocolado e um processo efetivamente aberto.
Impeachment de Alexandre de Moraes depende de Alcolumbre?
O presidente do Senado exerce papel determinante na fase inicial.
Qualquer cidadão pode apresentar uma denúncia por crime de responsabilidade contra um ministro do STF. Depois do protocolo, o documento passa a ser tratado como petição e pode ser submetido a uma análise jurídica preliminar.
Em linhas gerais, o caminho envolve:
- Protocolo da representação no Senado;
- Avaliação inicial da Presidência da Casa;
- Possível encaminhamento à Advocacia do Senado;
- Análise política e jurídica pelas instâncias competentes;
- Eventual deliberação dos senadores;
- Julgamento, caso o processo avance.
A Constituição atribui ao Senado a competência para processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade. A legislação estabelece como possíveis infrações, entre outras hipóteses, alterar decisões fora das vias legais, exercer atividade político-partidária ou agir de forma incompatível com a honra e o decoro do cargo.
O enquadramento de uma conduta nessas hipóteses, porém, depende de análise jurídica e votação política. Não basta a apresentação de um pedido.
Por que nenhum dos pedidos avançou?
O principal obstáculo não é a quantidade de denúncias, mas a ausência de decisão política para abrir o processo.
Davi Alcolumbre pode analisar os requerimentos, solicitar pareceres e determinar seu andamento, mas a legislação não estabelece um prazo objetivo para que cada pedido receba uma decisão definitiva.
Esse vazio permite que representações permaneçam durante meses ou anos aguardando despacho.
Defensores do impeachment de Alexandre de Moraes afirmam que o Senado estaria evitando exercer sua função constitucional de fiscalizar o Supremo. Já os críticos dessa ofensiva sustentam que os pedidos são usados como instrumento de pressão contra decisões judiciais desfavoráveis à direita e ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
As duas leituras fazem parte da disputa. O fato concreto é que, até hoje, nenhum ministro do STF sofreu impeachment no Brasil.
Moraes lidera com folga a lista do STF
Levantamento divulgado em maio mostrava que os ministros do Supremo haviam recebido 104 pedidos desde 2021. Naquele momento, a distribuição entre os principais alvos era:
- Alexandre de Moraes: 51;
- Gilmar Mendes: 14;
- Dias Toffoli: 12;
- Flávio Dino: 8.
Com a nova representação de junho, Moraes chegou a 52 e o total dirigido aos integrantes do STF alcançou 105.
A concentração demonstra que a ofensiva não é genérica contra o Supremo. O ministro tornou-se o principal alvo por conduzir investigações, processos e decisões envolvendo Bolsonaro, parlamentares, influenciadores e militantes conservadores.
O número 52 pode derrubar Moraes?
Sozinho, não.
Cinquenta e dois protocolos ampliam o desgaste, alimentam campanhas eleitorais e aumentam a pressão sobre os senadores. Entretanto, a repetição de denúncias não substitui a necessidade de admissibilidade, comprovação dos fatos e formação de maioria política.
O impeachment de Alexandre de Moraes somente se tornará uma possibilidade concreta se três barreiras forem superadas:
- o presidente do Senado permitir o avanço de uma representação;
- os fatos forem considerados juridicamente compatíveis com crime de responsabilidade;
- houver apoio político suficiente entre os senadores.
Sem essa combinação, os pedidos continuam tendo forte valor simbólico, mas efeito institucional limitado.

Eleição de 2026 pode mudar o jogo
A renovação do Senado tornou-se parte central da estratégia da direita.
Partidos conservadores procuram eleger uma bancada capaz de pressionar a Presidência da Casa e formar maioria em votações envolvendo ministros do Supremo. Por isso, o impeachment de Alexandre de Moraes deverá aparecer com frequência nos discursos da campanha eleitoral.
A eleição não decidirá diretamente a saída de Moraes, mas poderá alterar a correlação de forças no Senado — instituição que possui a competência constitucional para julgar ministros do STF.
O embate, portanto, ultrapassou a figura de um magistrado. A disputa envolve os limites entre os Poderes, a liberdade de expressão, a independência judicial e a responsabilidade institucional de autoridades não eleitas.
O ponto que o brasileiro precisa observar
O número chama atenção, mas a pergunta decisiva é outra:
O Senado analisará o mérito das denúncias ou continuará deixando os pedidos sem uma resposta definitiva?
Arquivar uma acusação por falta de provas é uma decisão institucional. Admitir seu processamento também é. Manter dezenas de representações indefinidamente paradas, porém, alimenta desconfiança tanto entre apoiadores quanto entre críticos do Supremo.
O país precisa de respostas baseadas na Constituição, em provas e no devido processo — não de condenações antecipadas nem de silêncio institucional.
Na sua opinião, o Senado deveria analisar imediatamente os pedidos contra Moraes ou as representações fazem parte de uma pressão política sobre o STF? Comente, compartilhe a matéria e acompanhe o PodemFoco News para receber as próximas atualizações.
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Fontes consultadas — somente os nomes
- Poder360
- Senado Federal
- TV Senado
- UOL
- Estadão
- CNN Brasil
- Revista Oeste
- Gazeta do Povo
- Constituição Federal
- Lei nº 1.079/1950
Da Redação.
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