Merino decide aos 91, e belgas vencem por 4 a 1 em noite cercada de polêmica.
Em poucas horas, a Copa do Mundo de 2026 perdeu uma de suas maiores estrelas e seu último país-sede ainda vivo no torneio.
A Espanha derrotou Portugal por 1 a 0 com um gol nos acréscimos, enquanto a Bélgica expôs os erros dos Estados Unidos e aplicou uma goleada por 4 a 1. Os resultados colocaram espanhóis e belgas frente a frente nas quartas de final.
Mas a rodada não foi marcada apenas pelo futebol.
Antes de a bola rolar em Seattle, uma decisão da FIFA envolvendo o atacante norte-americano Folarin Balogun, o presidente Donald Trump e o dirigente Gianni Infantino levantou questionamentos sobre interferência política, igualdade de tratamento e respeito às regras da competição.
Um golpe aos 91 minutos derruba Portugal
Durante quase toda a partida disputada no AT&T Stadium, na região de Dallas, Portugal conseguiu conter a movimentação espanhola.
A seleção portuguesa fechou os espaços, reduziu a velocidade de Lamine Yamal e obrigou a Espanha a circular a bola longe da área. Diogo Costa apareceu em momentos importantes e manteve o placar zerado diante das tentativas de Mikel Oyarzabal, Álex Baena e do próprio Yamal.

Cristiano Ronaldo, aos 41 anos, permaneceu em campo durante toda a partida. O camisa 7 tentou participar das transições portuguesas e chegou a ser parado pelo goleiro Unai Simón, mas recebeu pouco apoio ofensivo e não conseguiu alterar o rumo do confronto.
Quando a prorrogação parecia inevitável, a Espanha encontrou a brecha.
Aos 46 minutos do segundo tempo, Ferran Torres acelerou a jogada e serviu Mikel Merino. O meio-campista, que havia entrado aproximadamente seis minutos antes, finalizou com tranquilidade e marcou o gol da classificação espanhola.

Foi um daqueles lances que definem Copas: poucos segundos, uma decisão correta e nenhum espaço para recuperação.
O possível adeus de Cristiano Ronaldo
A eliminação pode ter marcado a última aparição de Cristiano Ronaldo em uma Copa do Mundo.
Aos 41 anos, o português deixou o campo sob aplausos, encerrando sua sexta participação no torneio sem conquistar o título mundial que faltou em sua carreira. Embora apenas o próprio jogador possa confirmar seus próximos passos pela seleção, dificilmente ele estará em condições de disputar outra Copa, em 2030, quando terá 45 anos.
Portugal volta para casa com a sensação de ter competido, mas sem ter atacado o suficiente.
O sistema montado por Roberto Martínez conseguiu limitar a Espanha durante boa parte da partida, porém também isolou Ronaldo e reduziu as alternativas ofensivas. No mata-mata, defender bem é necessário — mas esperar durante 90 minutos por um único erro do adversário pode custar caro.
A Espanha não apresentou seu futebol mais brilhante. Ainda assim, teve paciência, profundidade no banco e coragem para buscar o resultado até o último minuto.
Bélgica pune cada erro e desmonta os Estados Unidos
Horas depois, em Seattle, a Bélgica mostrou uma eficiência ainda mais devastadora.
Charles De Ketelaere abriu o placar aos nove minutos, aproveitando uma falha da defesa norte-americana. Malik Tillman empatou aos 31, em cobrança de falta desviada, e devolveu esperança à torcida local.

A reação durou apenas dois minutos.
De Ketelaere voltou a aparecer aos 33 e recolocou a Bélgica na frente. Além dos dois gols, o atacante participou diretamente da construção ofensiva e foi o principal nome da partida.
No segundo tempo, o goleiro Matt Freese errou ao tentar sair jogando. Hans Vanaken aproveitou o presente e marcou o terceiro gol belga aos 57 minutos.
Nos acréscimos, Romelu Lukaku completou a goleada: Bélgica 4, Estados Unidos 1.
Christian Pulisic ainda precisou deixar o confronto após sentir uma lesão no pé, agravando uma noite em que os norte-americanos demonstraram disposição, mas foram incapazes de competir com a frieza e a organização dos europeus.
A polêmica que colocou Trump e a FIFA no centro da Copa
A goleada não apagou a discussão iniciada antes da partida.
Folarin Balogun havia recebido um cartão vermelho contra a Bósnia e Herzegovina, na fase anterior. Inicialmente, o atacante deveria cumprir uma partida de suspensão automática e não enfrentar a Bélgica.
A punição, entretanto, foi transformada em uma suspensão condicional por um ano, permitindo que o jogador fosse escalado nas oitavas de final.
Segundo a Reuters, Donald Trump telefonou para o presidente da FIFA, Gianni Infantino, e pediu que o lance fosse revisto. Posteriormente, a entidade utilizou o artigo 27 de seu Código Disciplinar para adiar o cumprimento da punição.
A Federação Belga contestou a medida, argumentando que as regras da Copa determinavam suspensão automática em casos de expulsão. O recurso belga acabou rejeitado antes da partida.
O que está confirmado
Trump solicitou a revisão do caso diretamente a Infantino. Depois disso, a punição imediata foi suspensa, Balogun foi liberado e a contestação apresentada pela Bélgica não prosperou.
O que ainda não está comprovado
Não foi apresentado publicamente um documento demonstrando que o telefonema de Trump determinou a decisão do comitê disciplinar.
A sequência dos acontecimentos alimenta suspeitas legítimas e exige transparência, mas coincidência temporal não deve ser tratada automaticamente como prova de interferência.
Em uma competição mundial, a regra precisa valer igualmente para anfitriões, favoritos e seleções de menor expressão. Quando autoridades políticas entram em uma discussão disciplinar, a FIFA tem obrigação ainda maior de explicar, documentar e justificar suas decisões.
Dentro de campo, a controvérsia pouco ajudou os Estados Unidos. Balogun começou como titular, mas teve influência limitada e não conseguiu evitar a eliminação.
A Copa fica sem seus anfitriões
Com a derrota norte-americana, todos os representantes da Concacaf foram eliminados do Mundial. Canadá e México, também anfitriões, já haviam deixado a competição.
O resultado representa um duro choque de realidade para o projeto dos Estados Unidos.
A seleção comandada por Mauricio Pochettino avançou em primeiro lugar na fase de grupos e eliminou a Bósnia, mas voltou a demonstrar dificuldades diante de uma equipe europeia mais experiente, organizada e eficiente.
A estrutura cresceu, a torcida compareceu e o interesse pelo futebol aumentou. Mas, em alto nível, marketing, estádio cheio e condição de anfitrião não substituem disciplina defensiva, tomada de decisão e execução.

Espanha e Bélgica prometem duelo de estilos
Espanha e Bélgica se enfrentarão na sexta-feira, 10 de julho, no Los Angeles Stadium, em Inglewood.
Os espanhóis chegam sustentados pelo controle da posse, pela pressão territorial e por uma defesa que ainda não sofreu gols no torneio. Os belgas avançam embalados pela força física, pelas transições rápidas e pela capacidade de transformar falhas adversárias em gols.
O confronto também carrega memória histórica.
Nas quartas de final da Copa de 1986, a Bélgica eliminou a Espanha nos pênaltis. Quarenta anos depois, os espanhóis terão a oportunidade de responder — agora valendo novamente uma vaga entre as quatro melhores seleções do planeta.
A Espanha avançou pela paciência.
A Bélgica avançou pela precisão.
Nas quartas, apenas uma dessas virtudes sobreviverá.
A FIFA agiu corretamente ao liberar Balogun ou abriu um precedente perigoso ao mudar a punição após a intervenção de Trump?
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Fonte: FIFA.
Da Redação.
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