Clima: 36 cidades em crise e Lula sob pressão

lustração editorial de uma floresta amazônica atingida por incêndios, com fumaça intensa, céu escurecido e elementos de monitoramento meteorológico, representando a emergência ambiental reconhecida em 36 municípios do Amazonas em outubro de 2026.
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Sumario

Queimadas avançam no Amazonas, oposição cobra respostas e governo federal mobiliza aeronaves e brigadistas para combater os incêndios.

O clima seco e o avanço das queimadas colocaram 36 municípios do Amazonas em situação de emergência reconhecida pelo governo federal em 10 de outubro de 2026. A fumaça afetou Manaus, o número de focos de calor aumentou expressivamente e a crise provocou cobranças políticas sobre a atuação das autoridades, enquanto uma força-tarefa foi mobilizada para combater os incêndios.

Clima extremo coloca Amazonas em emergência e aumenta pressão sobre autoridades

O avanço dos incêndios florestais no Amazonas transformou outubro de 2026 em um período de preocupação ambiental, sanitária e econômica. Enquanto áreas de vegetação são atingidas pelo fogo, a fumaça compromete a qualidade do ar e altera a rotina de milhares de moradores, especialmente em Manaus.

A emergência ganhou repercussão nacional após o reconhecimento federal da situação de desastre em 36 municípios, em 10 de outubro. O decreto estadual havia sido assinado poucas horas antes, e a União anunciou medidas para acelerar o apoio às regiões afetadas.

A crise também alcançou o cenário político. Lideranças da direita, incluindo o governador paulista Tarcísio de Freitas e o deputado federal Nikolas Ferreira, criticaram a resposta do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em paralelo, autoridades federais afirmaram que ações de prevenção e combate já estavam sendo executadas anteriormente e anunciaram reforços com brigadistas, aeronaves e equipes de diferentes órgãos.

Os números ajudam a dimensionar a gravidade da situação. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), divulgados pelo Ministério Público de Contas do Amazonas, o estado acumulou 6.901 focos de calor entre 1º de janeiro e 7 de outubro de 2026, contra 3.559 no mesmo período de 2025.

Isso representa crescimento de aproximadamente 93,9%.

A escalada dos registros levanta uma questão decisiva: se o risco de incêndios estava sendo monitorado, por que a crise alcançou tamanha gravidade?

Responder exige analisar condições meteorológicas, ações humanas, capacidade operacional, investimentos públicos e a cronologia das providências adotadas pelos governos.

Amazonas tem 36 municípios em emergência: o que muda com o reconhecimento federal?

No sábado, 10 de outubro de 2026, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional reconheceu, em caráter sumário, a situação de emergência decretada pelo governo amazonense.

A decisão foi formalizada poucas horas depois da publicação do decreto estadual, conforme comunicado divulgado pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.

O reconhecimento federal facilita a articulação de medidas extraordinárias e permite que o estado e os municípios apresentem demandas relacionadas ao enfrentamento do desastre.

Isso pode envolver recursos financeiros, equipamentos, equipes técnicas e ações emergenciais destinadas à proteção da população.

Entretanto, o reconhecimento não significa que todo recurso solicitado seja automaticamente depositado nos cofres estaduais ou municipais.

A execução depende de procedimentos administrativos, definição das necessidades e autorização das medidas previstas na legislação.

Força-tarefa federal anuncia 11 aeronaves e reforço operacional

Segundo reportagem publicada pelo Canal Rural em 11 de outubro, o governo federal organizou uma força-tarefa envolvendo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a Defesa Civil Nacional, a Força Nacional do Sistema Único de Saúde, o Ministério de Minas e Energia e as Forças Armadas.

A operação anunciada contempla 11 aeronaves, entre elas dois aviões KC-390 da Força Aérea Brasileira, cuja chegada ao Amazonas foi informada para o domingo, 11 de outubro.

O início das operações desses aviões estava previsto para segunda-feira, 12 de outubro.

A mobilização inclui ainda brigadistas e equipes responsáveis por logística, monitoramento e atendimento às comunidades.

A dimensão geográfica da Amazônia torna o combate especialmente desafiador. Em várias regiões, o acesso terrestre é limitado e os deslocamentos podem depender de transporte aéreo ou fluvial.

Aeronaves podem contribuir para o transporte de profissionais e equipamentos e, dependendo de sua configuração, para operações relacionadas ao enfrentamento dos incêndios.

É necessário distinguir, porém, aeronaves anunciadas, equipamentos efetivamente disponíveis e missões operacionais executadas.

A confirmação dos resultados depende de relatórios atualizados das instituições responsáveis.

Governo afirma que já realizava ações preventivas

O ministro Waldez Góes declarou que o governo federal vinha realizando oficinas e reuniões com autoridades estaduais e municipais havia mais de 30 dias.

Segundo o ministério, as iniciativas buscavam avaliar riscos relacionados à estiagem, às condições climáticas e à possibilidade de incêndios florestais.

A Defesa Civil Nacional também informou que mantinha atividades de monitoramento e preparação antes do agravamento da crise.

Essas medidas integram a versão apresentada pelo governo federal sobre sua atuação.

Entretanto, a existência de ações preventivas não elimina a necessidade de verificar se o planejamento foi suficiente diante da intensidade dos incêndios registrados.

O desafio é demonstrar quantas equipes foram mobilizadas, quais localidades receberam apoio e que resultados foram alcançados.

Clima: 36 cidades em crise e Lula sob pressão
Clima: 36 cidades em crise e Lula sob pressão

Clima e queimadas: dados revelam aumento expressivo dos focos de calor

O acompanhamento realizado por satélites mostra que o problema vinha se intensificando antes do reconhecimento da emergência.

Segundo o boletim de monitoramento ambiental do Ministério Público de Contas do Amazonas, publicado em 8 de outubro, o estado registrou 644 focos de calor entre 1º e 7 de outubro de 2026.

No mesmo intervalo de 2025, foram contabilizados 277 registros.

A elevação corresponde a 132,5%.

A comparação utiliza dados da série do satélite de referência AQUA_M-T, disponibilizada pelo INPE.

O acumulado de janeiro a 7 de outubro também aumentou de forma expressiva, passando de 3.559 focos em 2025 para 6.901 em 2026.

Indicador20252026Variação
Focos entre 1º e 7 de outubro277644+132,5%
Focos de janeiro a 7 de outubro3.5596.901+93,9%

Os números demonstram o agravamento da atividade térmica detectada, mas exigem interpretação técnica.

Um foco de calor não corresponde necessariamente a um incêndio independente.

Um incêndio de grandes proporções pode produzir diversas detecções por satélite, enquanto outros eventos podem não ser registrados devido às condições de observação.

Da mesma forma, o número de focos não permite determinar diretamente a extensão total da vegetação queimada.

Diferentes sistemas podem apresentar números distintos

A reportagem do Canal Rural também divulgou dados do Painel do Clima do Amazonas relativos aos registros de outubro, apontando 6.901 focos e crescimento de 91,38% na comparação apresentada pela plataforma.

Essa informação utiliza uma referência diferente daquela identificada no boletim do Ministério Público de Contas.

Por essa razão, os números não devem ser combinados sem esclarecer o período analisado e a metodologia utilizada.

A distinção é fundamental para evitar comparações incorretas.

O acompanhamento de queimadas pode envolver diferentes satélites, sensores, horários de passagem e critérios de registro.

O dado mais importante é a tendência consistente de agravamento observada nas fontes de monitoramento ambiental.

Por que o clima seco favorece os incêndios na Amazônia?

Os incêndios florestais resultam da interação entre fontes de ignição, disponibilidade de combustível vegetal, características do território e condições atmosféricas.

Durante períodos de estiagem, a diminuição das chuvas pode reduzir a umidade da vegetação.

Folhas, galhos e outros materiais orgânicos tornam-se mais suscetíveis à combustão quando suficientemente secos.

Temperaturas elevadas, baixa umidade relativa do ar e ventos podem aumentar a velocidade de propagação das chamas.

Entretanto, é incorreto afirmar que o clima seco, sozinho, explica a origem de todos os incêndios.

Muitos episódios começam por ações humanas, incluindo usos inadequados do fogo, acidentes e atividades irregulares.

A investigação das causas exige fiscalização e evidências específicas.

Clima: 36 cidades em crise e Lula sob pressão
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Cinco sinais climáticos que merecem atenção

1. Estiagem prolongada

Períodos extensos sem chuva podem reduzir a umidade do solo e da vegetação, ampliando a quantidade de material combustível disponível.

2. Temperaturas elevadas

O calor pode acelerar o ressecamento de materiais vegetais, especialmente quando combinado com baixa umidade e ausência prolongada de precipitação.

3. Umidade relativa do ar reduzida

A baixa umidade influencia as condições de combustão e pode dificultar o controle das frentes de fogo.

4. Ventos persistentes ou intensos

Os ventos podem alterar rapidamente a direção das chamas e transportar fumaça e partículas para localidades distantes.

5. Precipitação irregular

Chuvas localizadas podem reduzir temporariamente a intensidade de determinados incêndios, sem necessariamente eliminar o risco em áreas vizinhas.

Esses indicadores precisam ser avaliados conjuntamente.

Uma única imagem meteorológica não permite concluir que determinado município enfrentará um grande incêndio.

Da mesma forma, a ausência de focos visíveis em um momento não comprova que toda a área esteja livre de risco.

Fumaça em Manaus preocupa população e provoca suspensão de atividades

Os efeitos dos incêndios passaram a ser percebidos diretamente pelos moradores da capital amazonense.

A fumaça atingiu a cidade e comprometeu a qualidade do ar, levando autoridades a adotar medidas preventivas.

Segundo informações divulgadas pelo Canal Rural, a concentração de material particulado fino PM2,5 chegou a 196,4 microgramas por metro cúbico às 6h de sábado, 10 de outubro.

No início da noite, a medição havia diminuído para 46,4 microgramas por metro cúbico.

A redução demonstrou uma melhora naquele intervalo, mas não significou necessariamente que o problema ambiental estivesse resolvido.

Diante da situação, a Prefeitura de Manaus suspendeu atividades ao ar livre programadas para domingo, 11 de outubro, e segunda-feira, 12 de outubro.

As medidas atingiram programações em parques e espaços públicos, incluindo atividades relacionadas ao fim de semana do Dia das Crianças.

Por que a fumaça das queimadas é perigosa?

A combustão de vegetação produz gases e partículas que podem permanecer suspensos na atmosfera.

O PM2,5 corresponde ao material particulado com diâmetro aerodinâmico de até 2,5 micrômetros.

Por seu tamanho reduzido, essas partículas podem penetrar profundamente no sistema respiratório.

A exposição elevada pode causar efeitos adversos à saúde, principalmente em pessoas mais vulneráveis.

A presença de fumaça também pode reduzir a visibilidade, comprometer atividades externas e dificultar operações em determinadas condições.

Os incêndios precisam estar dentro da cidade para afetar Manaus?

Não.

As correntes atmosféricas podem transportar fumaça por grandes distâncias.

Dependendo da direção dos ventos e das condições de dispersão, partículas produzidas fora de uma capital podem alcançar sua área urbana.

A própria Prefeitura de Manaus relatou a influência de queimadas provenientes de outras localidades sobre a qualidade do ar da cidade.

Esse fenômeno demonstra como problemas ambientais locais podem adquirir consequências regionais.

Clima: 36 cidades em crise e Lula sob pressão
Clima: 36 cidades em crise e Lula sob pressão

Tarcísio e Nikolas criticam governo Lula diante das queimadas

O agravamento da emergência ambiental também provocou manifestações de lideranças políticas da direita.

Segundo reportagem divulgada pela CNN Brasil, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o deputado federal Nikolas Ferreira questionaram a atuação do governo Lula diante da crise.

As manifestações ampliaram a pressão sobre a administração federal, sobretudo em relação à rapidez das providências e à capacidade de resposta.

Cobranças políticas ganham força com avanço da crise

A repercussão aumentou à medida que imagens da fumaça em Manaus e dos incêndios florestais passaram a circular nas redes sociais.

As críticas da oposição colocam em discussão se os órgãos responsáveis adotaram medidas preventivas suficientes e se os recursos foram empregados no momento adequado.

Essas perguntas são relevantes do ponto de vista da fiscalização pública.

Entretanto, a manifestação de um parlamentar ou governador não equivale, por si só, à comprovação de negligência administrativa.

A avaliação exige documentos, registros operacionais e uma análise da atuação das diferentes esferas governamentais.

Também é necessário distinguir competências federais, estaduais e municipais no enfrentamento dos incêndios.

Governo federal apresenta sua versão

O Ministério do Meio Ambiente afirmou, em nota de 9 de outubro, que o Ibama havia extinguido 229 incêndios no Amazonas desde o início da temporada e continuava atuando em outros 20 incêndios ativos.

A pasta também declarou que mantinha ações de monitoramento, prevenção e combate na região.

Isso demonstra que existiam operações federais anteriores ao decreto de emergência.

Por outro lado, os dados apresentados não comprovam automaticamente que os recursos mobilizados fossem suficientes para controlar todos os incêndios.

A discussão sobre a eficiência da resposta depende de indicadores mais amplos, incluindo extensão das áreas atingidas, número de equipes, recursos disponíveis e resultados operacionais.

Divergências sobre solicitações de apoio

O Ministério do Meio Ambiente informou que o Amazonas havia solicitado apoio federal em setembro, mas posteriormente dispensado determinada equipe após a ocorrência de chuvas que contribuíram para reduzir os incêndios naquele momento.

Representantes do Corpo de Bombeiros estadual, por sua vez, questionaram dificuldades relacionadas à disponibilização de aeronaves anteriormente solicitadas.

As divergências exigem esclarecimento documental.

Para compreender a sequência dos acontecimentos, é necessário verificar quando cada pedido foi apresentado, qual tipo de apoio foi solicitado e como os órgãos responsáveis responderam.

A responsabilidade pública não deve ser avaliada apenas por anúncios ou declarações políticas, mas pela capacidade concreta de proteger a população e reduzir os danos.

Ministério Público de Contas cobra explicações sobre atuação do Amazonas

Antes mesmo do reconhecimento federal da emergência, o Ministério Público de Contas do Amazonas havia adotado providências relacionadas à crise.

Em 7 de outubro, o órgão encaminhou representação ao Tribunal de Contas do Estado para analisar a suficiência, a eficiência e a efetividade das ações estaduais de prevenção e combate aos incêndios.

A iniciativa foi motivada pela recorrência dos focos de calor e dos episódios de fumaça que vinham atingindo diferentes municípios.

O órgão apontou a necessidade de verificar se as medidas adotadas estavam sendo proporcionais à dimensão do risco ambiental.

A representação também considerou dados de monitoramento meteorológico, registros de poluição atmosférica e informações sobre a evolução das queimadas.

A medida não representa uma condenação antecipada do governo estadual.

Trata-se de um procedimento de controle destinado a examinar a atuação administrativa e subsidiar eventuais providências.

STF já havia cobrado planejamento contra incêndios

A preocupação institucional com a temporada de queimadas não começou em outubro.

Em maio de 2026, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a União e estados da Amazônia Legal e do Pantanal apresentassem informações sobre medidas de preparação e prevenção contra os incêndios previstos para o segundo semestre.

Em junho, o STF também cobrou ajustes em planos estaduais de enfrentamento ao fogo, diante de problemas estruturais identificados em documentos apresentados ao tribunal.

As decisões mostram que havia alertas sobre a necessidade de reforçar o planejamento.

Contudo, não permitem concluir, isoladamente, que o agravamento observado em outubro tenha sido provocado por uma única decisão administrativa.

A análise das responsabilidades exige examinar o cumprimento das determinações e a execução efetiva dos planos.

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Clima: 36 cidades em crise e Lula sob pressão

Agricultura e pecuária podem sofrer efeitos do clima extremo

A crise ambiental no Amazonas também expõe riscos para atividades econômicas dependentes das condições meteorológicas.

A estiagem pode comprometer a disponibilidade de água, prejudicar o desenvolvimento de determinadas culturas e aumentar os custos operacionais.

Incêndios podem atingir áreas produtivas, pastagens, instalações, cercas e estruturas utilizadas no transporte e armazenamento.

Os impactos dependem da localização e da extensão dos danos.

Risco para lavouras e produção agrícola

A falta de água pode prejudicar o crescimento das plantas, especialmente em fases de maior exigência hídrica.

A intensidade dos efeitos varia conforme a espécie cultivada, as características do solo e o manejo adotado.

Chuvas irregulares também dificultam o planejamento de operações como plantio, irrigação e colheita.

Entretanto, não é possível calcular perdas gerais de produção agrícola no Amazonas apenas a partir do número de focos de calor.

Estimativas confiáveis exigem levantamentos de campo e informações específicas sobre as áreas atingidas.

Pecuária e estruturas rurais

A propagação das chamas pode comprometer pastagens e ameaçar animais, trabalhadores e instalações.

Em propriedades próximas a áreas de incêndio, a fumaça e a dificuldade de deslocamento também podem prejudicar atividades rotineiras.

A manutenção de sistemas de prevenção e a observação de alertas oficiais ajudam a orientar decisões durante períodos críticos.

Logística e abastecimento

Na Amazônia, o transporte fluvial possui papel fundamental no abastecimento de diversas comunidades.

Quando a estiagem provoca redução significativa dos níveis dos rios, determinadas rotas podem enfrentar restrições operacionais.

Incêndios também podem ameaçar estradas, pontes e outras estruturas.

Esses impactos demonstram que a gestão do clima e dos riscos ambientais possui importância econômica que vai além da preservação florestal.

Radar meteorológico e satélites: como a tecnologia pode ajudar

A expansão das ferramentas de monitoramento permite acompanhar chuvas, temperaturas, condições atmosféricas e possíveis focos de incêndio.

Entretanto, cada sistema possui características e limitações específicas.

O radar meteorológico é utilizado principalmente para detectar precipitação e acompanhar o deslocamento das áreas de chuva.

Já os satélites de monitoramento ambiental podem identificar anomalias térmicas associadas à presença de fogo.

Estações meteorológicas registram condições locais, enquanto modelos de previsão ajudam a estimar a evolução da atmosfera.

FerramentaInformação principalAplicação
Radar meteorológicoChuva e deslocamento da precipitaçãoAcompanhamento de tempestades
Satélite térmicoAnomalias de temperaturaDetecção de possíveis focos de calor
Estação meteorológicaVento, umidade, temperatura e precipitaçãoMonitoramento local
Modelo meteorológicoEstimativa das condições futurasPlanejamento preventivo
Sensor de qualidade do arConcentração de poluentesProteção da saúde pública

O cruzamento dessas informações permite uma compreensão mais ampla do cenário.

Porém, os sistemas digitais não substituem operações de fiscalização, preparação de brigadas e estruturação da resposta aos desastres.

Prevenção exige mais do que previsões

Um alerta sobre condições favoráveis ao fogo não impede automaticamente o início de um incêndio.

É necessário que o monitoramento esteja associado a políticas de fiscalização, planejamento e resposta operacional.

Isso inclui o acompanhamento das áreas vulneráveis, a disponibilidade de equipamentos e a articulação entre órgãos públicos.

A tecnologia fornece informações para decisões melhores, mas sua eficácia depende das providências tomadas a partir desses dados.

Quem deve responder pela crise ambiental?

A situação do Amazonas envolve atribuições distribuídas entre diferentes esferas do poder público.

O governo federal atua por meio de órgãos ambientais, proteção e defesa civil, políticas nacionais de prevenção e apoio extraordinário.

O estado possui responsabilidades relacionadas à fiscalização, à defesa civil, ao Corpo de Bombeiros e à coordenação de medidas regionais.

Os municípios também participam da proteção das comunidades, do atendimento emergencial e da execução de ações locais.

A existência de responsabilidades compartilhadas exige coordenação.

Ela não significa, entretanto, que eventuais falhas individuais devam ser ignoradas.

Ao contrário, a atuação conjunta precisa ser acompanhada de transparência sobre os deveres e as decisões de cada órgão.

O que precisa ser esclarecido?

A avaliação da resposta governamental deve considerar a cronologia das solicitações de apoio, o número de equipes disponíveis antes da emergência, os recursos efetivamente mobilizados e os resultados alcançados.

Também é necessário examinar se os planos de contingência foram executados e quais dificuldades operacionais limitaram as ações.

Informações dessa natureza permitem distinguir problemas estruturais, limitações meteorológicas e possíveis falhas administrativas.

Sem esses elementos, qualquer conclusão definitiva sobre responsabilidade exclusiva seria precipitada.

O fato verificável é que a população enfrenta consequências concretas e espera providências eficazes.

Leia também: El Niño: 7 alertas após chuva recorde em São Paulo

Conclusão: crise do clima exige respostas antes da próxima emergência

O reconhecimento federal da situação de emergência em 36 municípios do Amazonas demonstra a gravidade da crise ambiental de outubro de 2026.

O aumento expressivo dos focos de calor, a fumaça que comprometeu a qualidade do ar em Manaus e a necessidade de mobilizar aeronaves e brigadistas revelam os desafios enfrentados pelas autoridades.

As críticas políticas ampliam a cobrança por transparência, mas a avaliação das responsabilidades depende de documentos e resultados verificáveis.

O clima seco favorece a propagação do fogo, enquanto a prevenção depende de fiscalização, planejamento e capacidade de resposta.

O principal desafio não é apenas combater os incêndios que já começaram, mas impedir que os sinais de alerta sejam ignorados até que uma nova emergência coloque a população em risco.

Acompanhe o PodeMFoco News para informações sobre os desdobramentos da crise e as medidas adotadas pelos órgãos responsáveis.

Leia também: El Niño 2026: Alerta de Calor Extremo e Tempestades!

Aviso Importante

As informações desta reportagem correspondem aos dados disponíveis até 11 de outubro de 2026. Os números de focos de calor, as condições meteorológicas, a qualidade do ar e as operações de combate podem mudar. Em situações de risco, devem ser observados os alertas atualizados da Defesa Civil e das autoridades sanitárias e ambientais.


36 cidades em emergência, milhares de focos de calor e uma pergunta que precisa ser respondida: o Brasil está preparado para enfrentar as queimadas?

Enquanto o governo federal mobiliza reforços, a oposição cobra explicações e a população enfrenta os efeitos da fumaça.

Na sua opinião, houve falha na prevenção ou a resposta das autoridades foi suficiente?

Deixe sua opinião nos comentários, compartilhe esta reportagem e acompanhe o PodeMFoco News para ficar por dentro dos próximos desdobramentos.

Fontes:

Canal Rural, CNN Brasil, Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, Ibama, Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Ministério Público de Contas do Amazonas, INPE e Prefeitura de Manaus.

Da Redação.


Perguntas frequentes sobre o clima e as queimadas

Por que 36 municípios do Amazonas estão em emergência?

O governo estadual decretou emergência devido aos incêndios florestais, e a União reconheceu a medida em 10 de outubro de 2026. O reconhecimento permite acelerar procedimentos de apoio extraordinário ao enfrentamento do desastre.

Quantas aeronaves foram anunciadas para combater os incêndios?

A força-tarefa federal divulgada em 11 de outubro contempla 11 aeronaves, segundo o Canal Rural. O início das operações de dois aviões KC-390 foi previsto para 12 de outubro.

O governo Lula foi criticado pelas queimadas?

Sim. A CNN Brasil noticiou críticas de lideranças da direita, incluindo Tarcísio de Freitas e Nikolas Ferreira, à resposta federal. As manifestações representam cobranças políticas e não comprovam, isoladamente, negligência administrativa.

Quantos focos de calor foram registrados no Amazonas?

O Ministério Público de Contas do Amazonas informou 6.901 focos entre janeiro e 7 de outubro de 2026, com base em dados do satélite de referência do INPE. O número representa detecções térmicas, e não necessariamente incêndios independentes.

O clima seco provoca incêndios florestais?

A estiagem, as temperaturas elevadas e a baixa umidade podem facilitar a propagação do fogo. Contudo, as fontes de ignição frequentemente estão relacionadas a atividades humanas, acidentes e uso inadequado do fogo.

Como a fumaça afeta a população?

A fumaça contém gases e partículas capazes de prejudicar a qualidade do ar e causar efeitos adversos à saúde. Em Manaus, episódios de poluição levaram à suspensão de atividades externas.

Como acompanhar os riscos de queimadas?

Informações de satélites, estações meteorológicas, previsões e alertas oficiais ajudam a monitorar os riscos. É importante consultar os órgãos responsáveis e interpretar os dados conforme o período e a metodologia utilizados.

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