Bellingham cala o Azteca e despacha o México

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Com dez jogadores, Inglaterra sobrevive ao caos e avança para encarar a Noruega.

A tempestade atrasou o início da partida. Jude Bellingham precisou de apenas 98 segundos para mudar a história. E a Inglaterra, mesmo reduzida a dez jogadores durante boa parte do segundo tempo, resistiu a uma pressão sufocante para eliminar o México dentro do Estádio Azteca.

Em uma das partidas mais dramáticas da Copa do Mundo de 2026, os ingleses venceram por 3 a 2, na noite de domingo, 5 de julho, garantiram presença nas quartas de final e acabaram com uma invencibilidade histórica dos mexicanos em jogos de Mundial no lendário estádio.

Agora, o time comandado por Thomas Tuchel terá pela frente a Noruega de Erling Haaland, responsável por eliminar o Brasil poucas horas antes.

Uma tempestade antes da tempestade

México e Inglaterra deveriam entrar em campo às 21h, no horário de Brasília. No entanto, a aproximação de uma forte tempestade obrigou a FIFA a emitir uma ordem de proteção dentro do estádio e adiar o início do confronto em uma hora.

Quando a bola finalmente rolou, o México tentou transformar o Azteca em um caldeirão.

A seleção da casa começou pressionando, empurrada por mais de 80 mil torcedores e favorecida pela altitude superior a 2.200 metros da Cidade do México. Aos 15 minutos, Raúl Jiménez cabeceou com perigo e obrigou Jordan Pickford a realizar uma defesa decisiva.

A Inglaterra suportou o início mexicano e respondeu com aquilo que separa equipes competitivas de equipes apenas ofensivas: precisão.

Bellingham precisou de 98 segundos

Aos 36 minutos, Declan Rice avançou pelo meio e encontrou Bukayo Saka pela direita. O atacante cruzou com precisão, e Jude Bellingham apareceu entre os defensores para marcar de cabeça.

Era o primeiro gol sofrido pelo México em toda a Copa de 2026.

O golpe seguinte veio praticamente antes que os mexicanos conseguissem reorganizar a defesa.

Apenas 98 segundos depois, a Inglaterra recuperou a bola no campo ofensivo. Harry Kane recebeu e cruzou rasteiro para Bellingham completar dentro da pequena área: 2 a 0.

O meia inglês transformou dois ataques em dois gols e silenciou um estádio que, até aquele momento, parecia impossível de ser dominado.

A sequência entrou para a história como uma das mais rápidas já registradas por um jogador marcando duas vezes em uma Copa do Mundo.

México reage e mantém o jogo vivo

A vantagem inglesa não significou tranquilidade.

Aos 42 minutos, após cobrança de falta e uma disputa dentro da área, Julián Quiñones aproveitou a sobra e acertou um forte voleio para diminuir.

O gol devolveu energia ao México. Nos acréscimos do primeiro tempo, Jiménez finalizou perto da trave e voltou a exigir uma grande defesa de Pickford.

Bellingham, além dos dois gols, ainda apareceu praticamente sobre a linha para impedir uma finalização de César Montes. Foi uma atuação completa: decisiva no ataque e fundamental na defesa.

Expulsão, dois pênaltis e caos no Azteca

O segundo tempo começou com a Inglaterra perto do terceiro gol. Nico O’Reilly acertou a trave em uma finalização de fora da área.

Mas, aos 54 minutos, o jogo mudou novamente.

Jarell Quansah entrou de maneira perigosa em Jesús Gallardo. O árbitro inicialmente permitiu a continuidade da jogada, mas foi chamado pelo VAR e mostrou o cartão vermelho direto ao defensor inglês.

A Inglaterra ficaria com dez jogadores por mais de 40 minutos, considerando os acréscimos. Quansah tornou-se apenas o quarto jogador inglês expulso em uma partida de Copa do Mundo.

O cenário parecia perfeito para uma virada mexicana. Entretanto, seis minutos depois, Anthony Gordon escapou em velocidade e foi derrubado pelo goleiro Raúl Rangel dentro da área.

Harry Kane cobrou com força e marcou o terceiro gol inglês.

O México, porém, recusou-se a abandonar a partida. Kane cometeu uma infração em Brian Gutiérrez, o VAR confirmou o pênalti e Raúl Jiménez converteu aos 69 minutos.

México 2, Inglaterra 3.

Ainda restavam mais de 20 minutos — além de 11 minutos de acréscimos — diante de um Azteca completamente incendiado.

Os números revelam uma partida diferente

O México terminou o confronto com aproximadamente 67% de posse de bola, 20 finalizações e 12 escanteios.

A Inglaterra teve apenas seis finalizações e dois escanteios.

Mas existe um dado ainda mais revelador: das seis tentativas inglesas, cinco foram em direção ao gol. Três terminaram na rede.

O México também acertou cinco finalizações no alvo, apesar de ter chutado mais de três vezes o total da Inglaterra.

Os números expõem a diferença entre volume e eficiência.

O México controlou o território, cercou a área adversária e acumulou ataques. A Inglaterra foi mais objetiva, explorou os espaços e aproveitou as oportunidades decisivas.

Não foi uma vitória construída apenas pela posse ou pela estética. Foi conquistada por organização, disciplina defensiva, precisão e capacidade de resistir quando o cenário parecia desfavorável.

Pickford segura a classificação

Nos minutos finais, o México lançou cruzamentos, acumulou escanteios e manteve praticamente todos os jogadores ingleses dentro da própria área.

Jordan Pickford apareceu novamente em momentos fundamentais. O goleiro completou sua 17ª partida em Copas e igualou Peter Shilton como o inglês com mais jogos disputados no torneio entre os goleiros da seleção masculina.

Thomas Tuchel também reforçou o sistema defensivo com jogadores mais altos e experientes. A Inglaterra abandonou qualquer preocupação estética e passou a defender cada bola como se fosse a última.

Funcionou.

Quando o árbitro encerrou a partida, o barulho do Azteca deu lugar à frustração.

Uma queda histórica para o México

O México chegou às oitavas após vencer seus quatro primeiros jogos e sem sofrer nenhum gol. Também havia derrotado o Equador por 2 a 0, conquistando sua primeira vitória em uma fase eliminatória de Copa em 40 anos.

Além disso, a seleção mexicana jamais havia perdido uma partida de Copa do Mundo no Estádio Azteca.

Antes do confronto, eram dez jogos no local, com oito vitórias e dois empates. A Inglaterra foi a primeira seleção a derrotar os mexicanos naquele estádio em uma partida de Mundial.

A derrota também representou apenas o terceiro revés mexicano em cerca de 90 partidas competitivas disputadas no Azteca desde 1966.

O México caiu, mas não saiu diminuído. A equipe mostrou intensidade, mobilizou sua torcida e pressionou até os últimos segundos. Pagou, contudo, por erros defensivos concentrados em um intervalo de menos de dois minutos.

Em uma Copa do Mundo, esse tipo de desatenção costuma ser fatal.

Inglaterra encara a algoz do Brasil

A Inglaterra chega às quartas de final pela terceira Copa consecutiva.

O próximo adversário será a Noruega, que derrotou o Brasil por 2 a 1 com dois gols de Erling Haaland.

O confronto está marcado para sábado, 11 de julho, às 18h, no horário de Brasília, no Hard Rock Stadium, em Miami Gardens.

Será um duelo de estrelas e estilos.

De um lado, Bellingham e Kane, decisivos nos momentos de maior pressão. Do outro, Haaland, responsável por encerrar o sonho brasileiro.

Depois de sobreviver ao México, à altitude, à tempestade, à expulsão e a mais de cem minutos de tensão, a Inglaterra demonstrou que talvez tenha encontrado aquilo que tantas vezes lhe faltou em Copas anteriores: capacidade de sofrer sem perder o controle.


A Inglaterra venceu por competência ou o México desperdiçou uma oportunidade histórica com um jogador a mais?
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Fonte: FIFA.

Da Redação.

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