Banco dos BRICS: 7 fatos sobre a entrada do Irã

Caricatura editorial ultra-realista de Lula e Geraldo Alckmin diante do Congresso Nacional e de bandeiras do Brasil, com um grande livro simbolizando o plano de governo e a manchete sobre seis promessas antigas.
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Banco dos BRICS: 7 fatos sobre a entrada do Irã. Teerã diz que adesão está próxima, mas banco ainda não confirma país nem libera crédito.

O banco dos BRICS poderá receber o Irã como novo membro, mas a adesão ainda não foi formalizada. Teerã afirma que o processo será concluído “em breve”; até 12 de agosto de 2026, porém, o país não aparece na lista oficial de membros nem de candidatos já admitidos pelo Novo Banco de Desenvolvimento.

O anúncio feito nesta quarta-feira, 12 de agosto, abriu uma nova frente na disputa por influência financeira global. O presidente do Banco Central do Irã, Abdolnaser Hemmati, afirmou que o país está perto de ingressar no Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como banco dos BRICS, antes de uma reunião financeira do bloco na Índia.

A declaração foi divulgada pela mídia estatal iraniana e repercutida pela Reuters. Segundo Hemmati, a instituição é um dos resultados mais importantes da cooperação entre os BRICS. O governo iraniano também pretende ampliar negócios em moedas nacionais e acordos monetários bilaterais ou trilaterais com integrantes do grupo.

O impacto político é evidente. O Irã integra o BRICS desde 2024, enfrenta sanções econômicas extensas e procura canais de financiamento menos dependentes do dólar. Mas há uma diferença decisiva entre uma intenção anunciada em Teerã e uma adesão juridicamente concluída em Xangai, sede do banco dos BRICS.

A informação central, portanto, exige precisão: há negociação e expectativa iraniana, mas ainda não há confirmação pública do NDB sobre a entrada do Irã, muito menos anúncio de empréstimo aprovado.

1. O Irã anunciou que entrará no banco dos BRICS

Hemmati declarou que o Irã deverá ingressar “em breve” no NDB. A fala ocorreu antes de um encontro de ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais dos BRICS na Índia e colocou a pauta financeira no centro da agenda geopolítica do bloco.

Não é a primeira aproximação. Mohammad Reza Farzin, antecessor de Hemmati no Banco Central iraniano, reuniu-se anteriormente com Dilma Rousseff em Xangai para discutir a intenção de Teerã de aderir à instituição.

Na ocasião, informações divulgadas pelo lado iraniano apontaram interesse em aprofundar a cooperação e conhecer os instrumentos financeiros disponíveis.

A mudança de interlocutor também merece atenção. Hemmati reassumiu o comando do Banco Central em meio a forte pressão sobre a moeda e a inflação do Irã. Sua fala, por isso, não é apenas diplomática: ela sinaliza que Teerã trata a aproximação com o banco dos BRICS como parte de uma estratégia econômica mais ampla.

Resposta direta: o Irã anunciou que está perto de entrar no banco dos BRICS, mas o anúncio partiu do governo iraniano. O NDB ainda não publicou uma decisão equivalente.

2. A adesão ainda não aparece nos registros oficiais

Até a atualização consultada em 12 de agosto de 2026, a lista oficial de membros do NDB reúne dez países: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Bangladesh, Emirados Árabes Unidos, Egito, Argélia e Uzbequistão.

O mesmo documento separa uma categoria de membros prospectivos. Nela aparecem Uruguai, Colômbia, Etiópia, Angola e Zimbábue. O Irã não consta em nenhuma das duas relações.

Isso não torna falsa a declaração de Hemmati. Negociações diplomáticas podem avançar antes da publicação de uma resolução. O que não se pode fazer é transformar expectativa em fato consumado.

Para um país se tornar membro, o Conselho de Governadores precisa admitir a candidatura. Depois, o governo interessado deve concluir procedimentos internos e depositar seu instrumento de adesão.

O Uzbequistão, por exemplo, foi admitido anteriormente e só passou a figurar como membro oficial em 5 de junho de 2026.

Situação em 12 de agosto de 2026O que está confirmadoO que ainda falta
Declaração do IrãHemmati diz que a entrada ocorrerá em breveCronograma formal divulgado pelo NDB
Negociação políticaHouve diálogo anterior com Dilma RousseffResolução pública admitindo o Irã
Condição de membroIrã já integra o BRICS políticoTornar-se membro do banco dos BRICS
Acesso a créditoTeerã demonstra interesse nos instrumentos do NDBProjeto, análise, aprovação e contrato

3. Entrar no BRICS não significa entrar automaticamente no banco

O BRICS e o NDB estão ligados, mas não são a mesma organização. O bloco político reúne países que coordenam posições diplomáticas, comerciais e econômicas. O banco dos BRICS é uma instituição financeira multilateral com capital, governança, avaliações de risco e contratos próprios.

Essa separação ajuda a explicar por que o Irã já participa do BRICS, mas ainda negocia sua entrada no NDB. Também evita um erro frequente em manchetes: apresentar a expansão do bloco como se ela produzisse automaticamente novos acionistas para o banco.

Ser membro do BRICS não concede, por si só, direito imediato a empréstimos do NDB. A adesão ao banco depende de processo institucional separado, e cada financiamento precisa passar por análise própria.

O desenho da instituição também impede que a presidência decida sozinha. Dilma Rousseff conduz a administração, representa o NDB e participa das articulações, mas a admissão de novos países passa pelo Conselho de Governadores.

Logo, a expressão “sob comando de Dilma” descreve a liderança atual, não um poder unilateral para incorporar o Irã.

4. O banco dos BRICS cresceu, mas ainda é seletivo

O NDB foi criado pelos cinco fundadores dos BRICS e entrou em operação em 2015. Sua missão é financiar infraestrutura e desenvolvimento sustentável em economias emergentes, usando empréstimos, garantias, participação acionária e outros instrumentos.

No fim do primeiro trimestre de 2026, o banco havia aprovado US$ 42,9 bilhões para 140 projetos, segundo o balanço apresentado na 11ª reunião anual do Novo Banco de Desenvolvimento, realizada em Moscou em maio.

Os setores incluem energia limpa, transporte, água, saneamento, proteção ambiental e infraestrutura social e digital.

O crescimento é relevante, mas não transforma o banco dos BRICS em uma fonte automática de dinheiro. A instituição preserva classificações internacionais de crédito — AA+ pela S&P, AA pela Fitch e AAA por agências como a JCR — e precisa equilibrar ambição geopolítica com risco financeiro.

Essa tensão ficará ainda mais visível se o Irã avançar.

De um lado, o novo membro poderia ampliar a presença do NDB no Oriente Médio e apresentar projetos em energia, transporte, água e reconstrução de infraestrutura. De outro, operações iranianas exigiriam controles jurídicos, bancários e reputacionais especialmente rigorosos.

5. Sanções são o maior obstáculo prático

O ponto mais sensível não é apenas a votação política. O Irã está submetido a múltiplos regimes de sanções, com restrições que alcançam instituições financeiras, energia, navegação, comércio e pessoas ou empresas designadas.

Nos Estados Unidos, a página oficial da OFAC sobre sanções ao Irã continuava ativa e havia sido atualizada em agosto de 2026.

Isso importa porque bancos correspondentes, seguradoras, fornecedores, investidores e sistemas de liquidação podem ter exposição direta ou indireta ao mercado norte-americano.

Uma operação em yuan, real ou outra moeda local reduz a dependência cambial do dólar, mas não apaga automaticamente obrigações de conformidade. A moeda usada é apenas uma parte da transação.

Participantes, bancos intermediários, mercadorias, tecnologias e destinos dos recursos também podem estar sujeitos a restrições.

Ponto-chave: financiar em moeda local não é sinônimo de ignorar sanções. O banco dos BRICS ainda precisaria estruturar cada operação para evitar entidades bloqueadas, riscos de sanções secundárias e violações das regras aplicáveis.

Para o Irã, a adesão teria valor estratégico justamente porque abriria diálogo com uma instituição criada por economias emergentes.

Para o NDB, contudo, o desafio será demonstrar que expansão política não significa redução de governança ou de controles financeiros.

6. Adesão não significa dinheiro liberado imediatamente

Mesmo que o Conselho de Governadores aprove a entrada do Irã, nenhum cheque seria liberado no dia seguinte. Projetos do banco dos BRICS passam por etapas de preparação, avaliação técnica, análise ambiental e social, negociação contratual, aprovação e desembolso.

Na prática, há pelo menos cinco filtros:

  1. O Irã precisa concluir a adesão formal ao NDB.
  2. O governo ou uma entidade elegível deve apresentar um projeto financiável.
  3. O banco avalia viabilidade econômica, impactos e capacidade de pagamento.
  4. A operação precisa superar controles jurídicos e de conformidade.
  5. O desembolso ocorre conforme condições contratuais e avanço do projeto.

Essa sequência explica por que “entrada no banco” e “financiamento ao Irã” não podem ser tratados como sinônimos.

Banco dos BRICS: 7 fatos sobre a entrada do Irã
Banco dos BRICS: 7 fatos sobre a entrada do Irã

A primeira cria uma possibilidade institucional. A segunda exige decisões concretas, valores, beneficiários e contratos que ainda não foram anunciados.

Também não há, até o momento, informação pública confiável sobre o tamanho de uma eventual participação iraniana no capital, o volume de crédito pretendido ou quais obras seriam priorizadas. Qualquer cifra divulgada sem documento do NDB deve ser tratada como especulação.

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7. O movimento tem impacto direto na disputa por moedas locais

O banco dos BRICS vem tentando elevar financiamentos e captações em moedas de seus membros.

A lógica é reduzir descasamentos cambiais: quando um projeto gera receita em moeda nacional, mas sua dívida está em dólar, uma desvalorização pode encarecer abruptamente o pagamento.

Para o Irã, que enfrenta restrições de acesso ao sistema financeiro internacional, negócios em moedas nacionais são parte de uma estratégia de resiliência.

Hemmati afirmou que Teerã pretende usar moedas locais no comércio e aprofundar cooperações monetárias com integrantes do bloco.

Isso não significa que o dólar esteja prestes a ser substituído por uma “moeda dos BRICS”. O NDB já emite títulos e concede financiamentos em diferentes moedas, mas grande parte de sua carteira e de suas captações ainda depende de mercados financeiros tradicionais.

A transição é gradual, operacional e muito mais complexa do que slogans sobre desdolarização sugerem.

Para o Brasil, acionista fundador do banco dos BRICS, a possível entrada iraniana produz uma equação delicada.

Pode ampliar mercados, cooperação Sul-Sul e demanda por instrumentos em moedas locais. Ao mesmo tempo, aumenta a necessidade de transparência, seleção rigorosa de projetos e proteção da reputação internacional do banco.

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O que realmente muda a partir de agora

O anúncio de Hemmati eleva o nível político da negociação.

A partir daqui, os sinais decisivos não virão de novas declarações genéricas, mas de atos verificáveis: inclusão do Irã entre os membros prospectivos, resolução do Conselho de Governadores, depósito do instrumento de adesão e eventual divulgação de projetos.

Até que essas etapas apareçam, a formulação mais precisa é esta: o Irã negocia sua entrada no banco dos BRICS e acredita que ela está próxima, mas o NDB ainda não confirmou publicamente a adesão.

Se o processo avançar, o efeito ultrapassará Teerã. A decisão testará até onde o banco consegue expandir a representação do Sul Global sem comprometer acesso a mercados, classificações de risco e relações com parceiros sujeitos a sanções ocidentais.

Conclusão

A possível entrada do Irã no banco dos BRICS é uma movimentação relevante, mas ainda incompleta. O anúncio de Abdolnaser Hemmati confirma o interesse de Teerã e mostra que as conversas ganharam força sob a presidência de Dilma Rousseff. A documentação pública do NDB, porém, ainda não registra o país como membro ou candidato formalmente admitido.

O próximo capítulo dependerá de governança, adesão jurídica, sanções e projetos concretos. Se houver aprovação, o Irã poderá ganhar uma nova porta para financiamento de desenvolvimento; o banco, por sua vez, enfrentará um dos maiores testes de equilíbrio entre expansão geopolítica e credibilidade financeira. Compartilhe esta análise e acompanhe as atualizações oficiais antes de aceitar manchetes que tratem negociação como contrato fechado.

Aviso Importante

As informações aqui apresentadas são de caráter educativo e não constituem recomendação de investimento. Consulte um profissional financeiro certificado antes de tomar decisões financeiras.


O Irã deve entrar no banco dos BRICS mesmo sob fortes sanções internacionais? Comente sua opinião e compartilhe esta matéria para ampliar o debate.

Fontes

  • Reuters
  • New Development Bank
  • Office of Foreign Assets Control
  • Revista Timeline

Da Redação.


Perguntas frequentes sobre o banco dos BRICS e o Irã

O Irã já entrou no banco dos BRICS?

Não. Em 12 de agosto de 2026, o Irã afirmou que entrará em breve, mas ainda não aparece na lista oficial de membros ou de países prospectivos já admitidos pelo NDB.

Dilma Rousseff pode aprovar sozinha a entrada do Irã?

Não. Dilma Rousseff preside o banco dos BRICS, mas a admissão de novos países depende do Conselho de Governadores e da conclusão dos procedimentos formais de adesão pelo país interessado.

O banco dos BRICS já aprovou empréstimos para o Irã?

Não há anúncio público de empréstimo aprovado para o Irã. Mesmo após uma eventual adesão, cada projeto precisará passar por avaliação técnica, financeira, ambiental, social e jurídica.

Por que o Irã quer entrar no NDB?

O Irã busca novas fontes de financiamento para infraestrutura e desenvolvimento, maior uso de moedas nacionais e alternativas a canais financeiros fortemente dependentes do dólar.

As sanções impedem qualquer financiamento ao Irã?

Não necessariamente em todos os casos, mas tornam as operações muito mais complexas. O banco e seus parceiros precisariam verificar entidades, setores, moedas, intermediários e riscos de sanções secundárias antes de qualquer desembolso.

Fazer empréstimos em moedas locais elimina o risco de sanções?

Não. Usar yuan, real ou outra moeda pode reduzir exposição cambial ao dólar, mas não elimina restrições aplicáveis a participantes, bancos, tecnologias, mercadorias ou destinos dos recursos.

Qual é o tamanho atual do banco dos BRICS?

Ao fim do primeiro trimestre de 2026, o NDB informava US$ 42,9 bilhões em financiamentos aprovados para 140 projetos. A instituição atua principalmente em infraestrutura e desenvolvimento sustentável.

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