A IA não falhou. A gestão falhou.

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Empresas já usam IA, mas clientes cobram resultado — e o risco virou bilionário.

A inteligência artificial já entrou nas empresas. Já responde perguntas, resume documentos, ajuda advogados, contadores, auditores, áreas fiscais, equipes de marketing, atendimento e até gestores públicos.

Mas agora vem a pergunta que está tirando o sono de executivos no mundo inteiro:

se todo mundo está usando IA, por que tão pouca gente está conseguindo provar resultado real?

A resposta pode ser mais dura do que parece.

Segundo Adrián Fognini, Head of International da Thomson Reuters, o problema deixou de ser tecnológico. A tecnologia já existe. O gargalo agora está na operação: processos mal desenhados, falta de governança, uso descontrolado de ferramentas e empresas tentando encaixar IA em modelos antigos de trabalho.

Em outras palavras:
a IA está pronta. Muitas empresas, não.

E isso já começa a custar caro.

O alerta bilionário que acendeu o sinal vermelho

Um relatório global da Thomson Reuters apontou que até US$ 143 bilhões em receitas nos mercados jurídico e contábil dos Estados Unidos podem entrar em revisão se fornecedores não comprovarem ganhos reais com inteligência artificial.

O dado é um alerta direto para escritórios de advocacia, empresas contábeis, auditorias, consultorias, departamentos fiscais, áreas de compliance e qualquer negócio que dependa de informação sensível, precisão técnica e confiança.

A lógica mudou.

Antes, bastava dizer:
“Usamos tecnologia.”

Agora, o cliente quer saber:
isso melhora a entrega, reduz erro, aumenta velocidade, protege dados e gera resultado mensurável?

Se a resposta for confusa, o contrato pode ir para a mesa de revisão.

Adrián Fognini, diretor internacional da Thomson Reuters

Todo mundo usa IA. Poucos sabem operar.

O levantamento da Thomson Reuters mostra que 74% dos profissionais já usam IA semanalmente. O número impressiona, mas esconde o verdadeiro problema: 91% dizem que suas organizações ainda não extraem todo o potencial da tecnologia.

Esse é o ponto-chave.

Não falta ferramenta.
Falta método.

Não falta acesso.
Falta processo.

Não falta curiosidade.
Falta gestão.

Muitas empresas ainda usam IA como “atalho”: pedem textos, fazem resumos, testam prompts, automatizam pequenas tarefas e chamam isso de transformação digital.

Mas transformação de verdade exige algo mais profundo: redesenhar o fluxo de trabalho, definir critérios de segurança, treinar equipes, medir produtividade, revisar entregas e criar governança.

Sem isso, a IA vira maquiagem tecnológica.

Parece moderno por fora.
Mas continua desorganizado por dentro.

O fantasma da “shadow AI”: quando o funcionário usa IA escondido

Existe um risco crescendo silenciosamente dentro das empresas: a chamada shadow AI.

É quando profissionais usam ferramentas de inteligência artificial sem autorização, sem controle da empresa e, muitas vezes, inserindo dados sensíveis em plataformas que a organização nem sabe que estão sendo usadas.

Na prática, pode ser um colaborador copiando um contrato, uma planilha financeira, um parecer jurídico, dados de clientes ou informações estratégicas em uma IA pública para “ganhar tempo”.

O problema?

Em áreas como jurídico, fiscal, contábil, auditoria e compliance, um erro não é apenas um erro. Pode virar prejuízo, vazamento, questionamento regulatório, perda de cliente e dano reputacional.

A Thomson Reuters alerta que cerca de um terço dos profissionais dessas áreas já usa ferramentas não autorizadas. Entre os que consideram suas empresas lentas na adoção de IA, o número sobe ainda mais.

Ou seja: quando a empresa não lidera o uso da tecnologia, o funcionário improvisa.

E improviso com dado sensível é uma bomba-relógio.

“Quase certo” não serve para quem lida com dinheiro, lei e reputação

Uma coisa é pedir para a IA sugerir ideias de legenda.

Outra é usar IA para influenciar uma decisão jurídica, tributária, financeira ou regulatória.

Nesses casos, “quase certo” não basta.

Esse é o centro da tese da Thomson Reuters: profissionais de áreas críticas precisam de uma IA verificável, auditável, segura e baseada em fontes confiáveis. A empresa chama esse padrão de Fiduciary Grade AI, ou seja, uma inteligência artificial de grau fiduciário, voltada a ambientes em que responsabilidade, rastreabilidade e precisão importam.

Traduzindo para o leitor comum:

não dá para colocar uma IA genérica para mexer em assunto sério sem saber de onde veio a resposta, como ela foi construída e quem revisou o resultado.

O futuro da IA nas empresas não será vencido por quem simplesmente usa mais ferramentas.

Será vencido por quem usa melhor.

O Brasil também entrou nessa corrida — mas com o mesmo problema

No Brasil, a adoção de IA também avança.

Pesquisa do Cetic.br mostrou que o uso de inteligência artificial pelas empresas brasileiras cresceu de 13% em 2024 para 17% em 2025. Entre grandes empresas, o salto foi de 38% para 50%.

Na indústria paulista, levantamento da Fiesp apontou que 36,9% das empresas já usam ou testam IA, acima dos 22% registrados na pesquisa anterior.

Isso mostra que a pauta não é distante da nossa realidade.

Para empresas de Americana, Santa Bárbara d’Oeste, Campinas, Limeira, Nova Odessa, Sumaré e região, a pergunta não é mais “vou usar IA ou não?”.

A pergunta real é:

vou usar IA com estratégia ou vou deixar minha equipe improvisar sozinha?

Esse detalhe pode separar empresas mais competitivas de negócios que apenas seguem tendência.

O mercado não quer promessa. Quer prova.

O estudo da Thomson Reuters aponta outro dado provocador: 78% dos clientes corporativos consideram essencial ou muito importante que fornecedores entreguem melhorias de qualidade impulsionadas por IA.

Só que apenas 6% acreditam que a maioria dos fornecedores já entrega esse nível de resultado.

Esse abismo é perigoso.

De um lado, clientes mais exigentes.
Do outro, empresas ainda tentando entender como aplicar a tecnologia.

É nesse espaço que contratos podem ser perdidos, talentos podem ir embora e concorrentes mais preparados podem crescer.

A McKinsey também identificou movimento parecido: a maioria das organizações já usa IA em alguma função, mas muitas ainda estão presas em testes, pilotos e experimentos sem escala.

O mercado já entendeu que IA não é enfeite. É infraestrutura competitiva.

Mas infraestrutura mal operada vira custo.

O impacto para empregos: ameaça ou nova exigência?

A discussão sobre IA costuma cair no medo de substituição de empregos. Mas a questão é mais complexa.

O relatório da Thomson Reuters mostra que profissionais também estão pressionando as empresas por melhores ferramentas. Parte dos talentos considera trocar de emprego se a organização não entregar condições reais para trabalhar com IA.

Isso muda o jogo.

A IA não é apenas uma ameaça para o trabalhador. Ela também virou critério de escolha profissional.

Quem domina a tecnologia tende a procurar empresas mais modernas.
Quem não oferece ferramentas seguras pode perder gente boa.
Quem não treina sua equipe pode criar risco interno.

A empresa que proíbe tudo perde velocidade.
A empresa que libera tudo perde controle.
A empresa que estrutura, treina e mede sai na frente.

O erro fatal: comprar ferramenta sem mudar o processo

O maior equívoco das empresas é acreditar que contratar uma plataforma de IA resolve tudo.

Não resolve.

Sem processo, a ferramenta vira brinquedo caro.
Sem treinamento, vira risco.
Sem governança, vira caos.
Sem métrica, vira achismo.

O verdadeiro ganho acontece quando a IA entra no fluxo real do negócio: atendimento, documentação, análise, revisão, produção, auditoria, tomada de decisão e acompanhamento de indicadores.

É aí que a tecnologia deixa de ser novidade e começa a gerar vantagem competitiva.

O que uma empresa precisa fazer agora?

A resposta não é sair usando qualquer ferramenta.

O caminho mais seguro passa por cinco movimentos:

1. Mapear onde a IA já está sendo usada

A empresa precisa descobrir se colaboradores já utilizam IA por conta própria e em quais tarefas.

2. Criar regras simples e claras

O time precisa saber o que pode, o que não pode e quais dados jamais devem ser colocados em ferramentas externas.

3. Treinar pessoas, não apenas comprar sistemas

IA sem capacitação aumenta erro. IA com treinamento aumenta produtividade.

4. Medir resultado

Velocidade, qualidade, redução de retrabalho, satisfação do cliente e diminuição de risco precisam entrar na conta.

5. Redesenhar processos

A maior vantagem não vem de “usar IA”, mas de reconstruir o jeito como o trabalho é feito.

O futuro já começou — e vai premiar quem executar melhor

A inteligência artificial não é mais uma promessa distante. Ela já está no escritório, no celular, no atendimento, nas reuniões, nos relatórios, nos contratos e nos bastidores das decisões empresariais.

Mas a grande revelação é esta:

o vencedor da era da IA não será quem tiver a ferramenta mais famosa. Será quem tiver a melhor operação.

A tecnologia pode acelerar empresas.
Mas também pode expor bagunça.

Pode aumentar produtividade.
Mas também pode ampliar erros.

Pode proteger vantagem competitiva.
Mas também pode revelar quem não tem processo, governança nem preparo.

A IA não falhou.
A gestão é que está sendo colocada à prova.


Você confiaria em uma empresa que usa inteligência artificial sem regra, sem revisão e sem segurança? Comente sua opinião e compartilhe esta matéria com empresários, profissionais liberais e gestores que ainda acham que IA é só “modinha”. No fim, a pergunta que fica é simples: sua empresa está usando IA para crescer — ou apenas brincando com uma tecnologia que pode expor seus maiores riscos?

Fontes: Forbes Brasil e Reuters.

Da Redação.

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