Festa histórica terá barcos, missas, congadas, comida e entrada gratuita no Rio Piracicaba
Piracicaba está prestes a viver uma daquelas cenas que não cabem apenas no calendário: cabem na memória de um povo.
A Festa do Divino Espírito Santo chega, em 2026, à sua 200ª edição, atravessando dois séculos de fé, tradição popular, cultura ribeirinha e identidade piracicabana. A programação principal acontece entre 5 e 12 de julho, no Largo dos Pescadores, às margens do Rio Piracicaba, com entrada gratuita. A celebração é reconhecida como a manifestação religiosa e festiva mais antiga da cidade e é tombada como patrimônio cultural imaterial do município.
A tradição que resistiu ao tempo
Em uma época em que muita coisa vira moda e desaparece rapidamente, a Festa do Divino segue de pé há 200 anos.
Segundo a Prefeitura de Piracicaba, a celebração é realizada desde 1826, às margens do Rio Piracicaba, e reúne elementos que explicam parte da alma da cidade: religiosidade, comunidade, famílias, voluntariado, música, comida, procissões, bandeiras e a simbólica relação do povo com o rio.
Mais do que uma festa religiosa, o evento se tornou um retrato vivo da Piracicaba tradicional: aquela que preserva raízes, respeita a fé popular e entende que uma cidade sem memória vira apenas concreto.
O ponto alto: barcos no Rio Piracicaba
A abertura da programação principal acontece no domingo, 5 de julho, com a tradicional Missa da Derrubada e Bênção dos Barcos, no Rio Piracicaba. A cerimônia será conduzida pelo bispo diocesano Dom Devair da Fonseca, seguida por apresentações da Banda União Operária e da Congada com a Folia do Divino.
É um dos momentos mais fortes da festa.
Os barcos decorados, os devotos vestidos de branco, as bandeiras, as músicas e o cenário do rio criam uma imagem rara: Piracicaba olhando para o próprio passado, mas com os pés fincados no presente.

Quem está por trás da festa
A programação é organizada pela Irmandade do Divino Espírito Santo, com apoio da Prefeitura de Piracicaba, por meio das Secretarias Municipais de Cultura e Turismo.
Neste ano, os festeiros são o prefeito Helinho Zanatta e a primeira-dama Valkíria Callovi. O secretário municipal de Cultura, Carlos Beltrame, trata o bicentenário como um marco histórico para a cidade. Já a secretária municipal de Turismo, Clarissa Quiararia, destaca que a festa movimenta não apenas a fé, mas também o turismo e a economia local.
O presidente da Irmandade, Victor Totti, também reforça o tamanho da expectativa para a edição bicentenária. Segundo ele, a preparação começou desde o encerramento da festa anterior e recebeu manifestações de apoio de diferentes cidades paulistas e até de outras regiões do país.
Câmara reconheceu os 200 anos da tradição
A importância da festa também chegou ao Legislativo. Em maio, a Câmara Municipal de Piracicaba aprovou a Moção de Aplausos 106/2026, de autoria do vereador Felipe Jorge Dario, o Felipe Gema, em homenagem à diretoria da Irmandade do Divino Espírito Santo pela realização da 200ª edição.
O texto da moção afirma que a festa preserva, ao longo de dois séculos, valores como fé, partilha e espírito comunitário, além de destacar o trabalho dos voluntários que mantêm a celebração viva.
Programação: o que acontece de 5 a 12 de julho
Domingo, 5 de julho
A festa começa com a Missa da Derrubada e Bênção dos Barcos, seguida por apresentações culturais e feijoada com o Grupo Oitava Cor.
Segunda a quarta, 6 a 8 de julho
Acontece o Tríduo Solene, sempre às 20h, com celebrações conduzidas pelos padres Ronaldo Aguarelli, Gilson Garcia e Claudemir da Rocha.
Quinta, 9 de julho
A partir das 19h, o público terá jantar e música ao vivo com Roberto Seresteiro.
Sexta, 10 de julho
A noite terá jantar, leilão de prendas, show pirotécnico e apresentação da Banda União Operária.
Sábado, 11 de julho
O sábado promete ser um dos dias mais intensos da programação: Congada de São Benedito, Congada do Divino Espírito Santo, Procissão do Divino, Encontro das Bandeiras, Missa do Encontro, jantar e flashnight com a Banda Acropolis.
Domingo, 12 de julho
O encerramento terá procissão até a Capela Nossa Senhora Aparecida, missa de encerramento com padre Henrique, passagem da Bandeira e show sertanejo com Guto Ferreira. O encerramento oficial está previsto para as 16h.
Por que essa festa mexe tanto com Piracicaba?
Porque não é apenas uma programação gratuita.
É uma disputa silenciosa contra o esquecimento.
A cada geração, a Festa do Divino reafirma que tradição não é atraso. Tradição é referência. É aquilo que ajuda uma cidade a lembrar de onde veio para não se perder no caminho.
Em tempos de cultura descartável, a Festa do Divino aparece como um lembrete poderoso: fé, família, comunidade e pertencimento ainda mobilizam multidões.
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Fonte: Governo de Piracicaba.
Da Redação.
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