Treinamento do Comando Vermelho: 5 fatos alarmantes

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Treinamento do Comando Vermelho acende alerta nacional, a investigação revela curso clandestino, armas pesadas e uma rota estratégica do tráfico em Mato Grosso.

Atualizado em: 20 de julho de 2026

Treinamento do Comando Vermelho em uma ilha isolada, com adolescentes e jovens, armamento de uso restrito e técnicas de sobrevivência na mata. Não se trata do roteiro de uma série policial: essa é a estrutura clandestina que investigadores afirmam ter encontrado dentro da Terra Indígena Tereza Cristina, em Mato Grosso.

O centro teria sido usado para preparar integrantes da facção em meio à disputa por rotas do narcotráfico entre o Brasil e a Bolívia. A descoberta ocorreu durante a Operação Argos, conduzida pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Rondonópolis, depois de aproximadamente dez meses de investigação.

A ação policial ocorreu em 13 de março de 2026, mas o caso ganhou dimensão política e nacional: dias depois, a Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou um pedido formal de informações sobre a presença do crime organizado em terras indígenas.

O episódio expõe uma mudança perigosa: facções que antes recrutavam mão de obra local agora são investigadas por organizar treinamento estruturado, explorar áreas de difícil fiscalização e ampliar sua capacidade territorial.

O que a polícia diz ter descoberto

Segundo a apuração policial, o treinamento do Comando Vermelho acontecia nas proximidades do rio São Lourenço, em uma região alagada e de mata fechada no município de Santo Antônio de Leverger, a cerca de 35 quilômetros de Cuiabá.

Os participantes teriam acesso à área por embarcações. Parte do percurso seria realizada por Rondonópolis, a aproximadamente 218 quilômetros da capital mato-grossense.

O delegado regional Santiago Rozendo Sanches explicou que aproximadamente 80% da região estaria alagada, tornando o acesso por barco mais viável. O isolamento também dificultaria a fiscalização e impediria que movimentações suspeitas fossem facilmente percebidas.

A investigação foi coordenada pelo delegado Fábio Nahas. De acordo com ele, o curso clandestino possuía etapas organizadas e uma estrutura comparada, pela própria autoridade policial, a treinamentos empregados por forças de segurança.

As informações foram divulgadas originalmente em reportagens da Folha de S.Paulo e repercutidas por veículos de Mato Grosso e de outras regiões do país.

Treinamento do Comando Vermelho descoberto em ilha de área indígena em Mato Grosso
Operação investigou uma estrutura clandestina atribuída a integrantes do Comando Vermelho em Mato Grosso.

Quem aparece na investigação

Os nomes civis dos principais investigados não foram divulgados nas reportagens consultadas. Eles são identificados pelos apelidos de:

  • Pescador: apontado como responsável pelo recebimento de carregamentos transportados pelo rio São Lourenço;
  • Corola e Fininho: apelidos atribuídos a outro investigado, suspeito de armazenar e distribuir o material ilegal;
  • Fábio Nahas: delegado responsável pela investigação;
  • Santiago Rozendo Sanches: delegado regional que explicou as dificuldades de acesso ao território;
  • General Pazuello (PL-RJ): autor do requerimento aprovado na Comissão de Segurança Pública da Câmara;
  • Coronel Meira (PL-PE): presidente da comissão e signatário do pedido oficial de informações.

É importante manter a precisão jurídica: os indivíduos citados por apelidos são investigados, e eventuais responsabilidades deverão ser estabelecidas pela Justiça.

Como funcionava o treinamento do Comando Vermelho

Relatos reunidos pela polícia indicam que o curso teria duas etapas. Primeiro, os participantes passariam por instruções sem munição. Depois, seriam transportados até uma ilha mais afastada, onde aconteceriam exercícios armados.

A polícia afirma ter recebido informações sobre a presença de fuzis, pistolas, metralhadoras e outro armamento de uso restrito. O foco do treinamento do Comando Vermelho seria preparar integrantes para atuar em áreas de mata e fugir de rivais ou de operações policiais.

A reportagem evita detalhar procedimentos que possam servir como manual criminoso. O ponto central é outro: investigadores descrevem uma formação organizada e contínua, não uma reunião improvisada.

Depoimentos colhidos em diferentes cidades reforçaram as suspeitas. Pessoas presas em outras operações teriam mencionado a existência de um curso de sobrevivência e preparação armada naquela região.

Adolescentes estavam entre os recrutados?

A Polícia Civil sustenta que adolescentes e jovens ligados à facção passaram pelo treinamento do Comando Vermelho. Contudo, os documentos públicos consultados não informam quantos participantes foram identificados, suas idades ou se todos pertenciam à comunidade indígena.

Essa distinção é essencial. Até a divulgação da operação, o delegado Fábio Nahas afirmou que não havia indícios de participação voluntária dos moradores da aldeia. A principal hipótese investigada era de que a comunidade teria sido coagida a tolerar a presença dos criminosos.

Portanto, não é correto atribuir responsabilidade coletiva aos indígenas. Pelo contrário: os moradores podem ter sido vítimas da ocupação criminosa, do medo e da ausência de proteção permanente do Estado.

Ilha também seria usada como corredor do tráfico

O treinamento do Comando Vermelho seria apenas uma parte da estrutura descoberta. A Operação Argos começou após denúncias de tráfico de drogas pela área indígena e pelo rio São Lourenço.

De acordo com os investigadores, carregamentos vindos de Mato Grosso do Sul seriam transportados por embarcações e descarregados perto da comunidade. Depois, seguiriam de caminhonete para um imóvel afastado da aldeia, de onde seriam distribuídos por terra e por vias fluviais.

A localização não parece casual. Áreas alagadas, rios extensos, vegetação densa e acesso limitado criam condições favoráveis para rotas clandestinas e dificultam a atuação regular das forças de segurança.

Esse conjunto transforma o caso em algo maior do que um centro de treinamento: trata-se de uma possível base logística ligada ao tráfico interestadual e às rotas próximas da fronteira boliviana.

Congresso cobra explicações do governo

A repercussão chegou à Câmara dos Deputados. Em 25 de março de 2026, foi apresentado o Requerimento de Informação 663/2026, aprovado pela Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado.

O documento questiona o Ministério dos Povos Indígenas sobre:

  • o conhecimento prévio da pasta e da Funai sobre a estrutura;
  • a existência de monitoramento na Terra Indígena Tereza Cristina;
  • possíveis registros de aliciamento de adolescentes indígenas;
  • as medidas de proteção adotadas depois da operação;
  • a articulação com os ministérios da Justiça e da Defesa;
  • o risco de outras terras indígenas abrigarem bases semelhantes.

O documento oficial da Câmara dos Deputados menciona expressamente uma “infraestrutura de treinamento” e uma possível base logística do crime organizado.

Entretanto, o requerimento representa uma cobrança por esclarecimentos — não é, por si só, prova de omissão deliberada do governo federal.

O que está confirmado e o que continua sob investigação

Confirmado por fontes policiais e documentos públicos

  • A Polícia Civil realizou a Operação Argos na região;
  • a apuração durou aproximadamente dez meses;
  • investigadores identificaram indícios de treinamento clandestino;
  • a área fica dentro da Terra Indígena Tereza Cristina;
  • o Congresso solicitou explicações formais ao governo federal;
  • Polícia Federal e Polícia Civil participaram da ação na área indígena.

Ainda precisa de esclarecimento

  • Quantas pessoas fizeram o curso;
  • quantos adolescentes foram recrutados;
  • se algum morador indígena foi aliciado;
  • há quanto tempo o centro estava em funcionamento;
  • quem financiava toda a estrutura;
  • se existem bases semelhantes em outros territórios;
  • quais suspeitos serão formalmente denunciados pelo Ministério Público.
Treinamento do Comando Vermelho descoberto em ilha de área indígena em Mato Grosso
Operação investigou uma estrutura clandestina atribuída a integrantes do Comando Vermelho em Mato Grosso.

Uma ameaça que ultrapassa Mato Grosso

O treinamento do Comando Vermelho mostra como o crime organizado tenta ocupar espaços onde o Estado possui menor presença operacional. A combinação de recrutamento juvenil, rotas fluviais, territórios remotos e armamento restrito exige resposta coordenada.

Uma política séria de segurança precisa proteger as comunidades, ampliar a inteligência policial, fiscalizar rotas financeiras e enfrentar as lideranças das facções. Também precisa garantir oportunidades reais aos jovens vulneráveis ao aliciamento.

Tratar o episódio apenas como mais uma apreensão seria um erro. A estrutura investigada sugere profissionalização, expansão territorial e preparação de novos integrantes. A pergunta que permanece é incômoda: quantos outros centros clandestinos podem estar funcionando sem terem sido localizados?

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Fontes — somente os nomes

  • Revista Timeline
  • Polícia Civil de Mato Grosso
  • Polícia Federal
  • Câmara dos Deputados
  • Folha de S.Paulo
  • g1 Mato Grosso
  • Agenda MT
  • Observatório dos Direitos e Políticas Indigenistas

Da Redação.

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