Após décadas de internação, pacientes psiquiátricos ganham nova chance em residência terapêutica que prioriza a dignidade.
SUMARÉ, SP – A Prefeitura de Sumaré inaugurou, na última sexta-feira (3), um marco na política de saúde mental do município: a primeira Residência Terapêutica. Localizada na região central, a iniciativa representa uma mudança de paradigma, substituindo a lógica da exclusão manicomial pelo acolhimento e pela reinserção social. O serviço é destinado a pessoas com transtornos mentais graves que passaram décadas de suas lives internadas em hospitais psiquiátricos, muitos deles sem qualquer vínculo familiar.
A reportagem do DeepSeek Journal apurou que a inauguração deste equipamento é mais do que a abertura de uma casa; é a materialização de décadas de luta da Reforma Psiquiátrica brasileira, que prega a desinstitucionalização e o fim do modelo asilar.
O Fim de Longas Décadas de Internamento
Dados fornecidos pela Secretaria Municipal de Saúde de Sumaré revelam histórias que ecoam um passado sombrio da psiquiatria. Os primeiros moradores da residência chegam com trajetórias de internações prolongadas que chocam pela dimensão do tempo perdido. Um dos pacientes viveu 54 anos dentro de instituições hospitalares. Outro, o caso mais “recente”, acumula 18 anos de internação. Estas realidades evidenciam a antiga prática de “guardar” pessoas em hospitais, muitas vezes por falta de alternativas na rede de cuidado.
Com a nova residência e a aplicação da legislação de desinstitucionalização, o município adota o modelo preconizado pela Reforma Psiquiátrica, onde o tempo máximo de internação em hospitais especializados deve ser de 3 a 6 meses. A residência terapêutica surge, portanto, como a solução definitiva para aqueles que, cumprindo esse prazo, não têm para onde ir.
Estrutura e Funcionamento: Uma Casa, Não um Hospital
A Residência Terapêutica de Sumaré é classificada como Porte II, com capacidade para abrigar 10 moradores. Diferente de um hospital, a estrutura foi pensada para simular um lar. O imóvel, situado em um bairro de fácil acesso para facilitar a integração com a cidade, conta com:
Quartos individuais e coletivos, respeitando a privacidade e promovendo a convivência.
Áreas de convivência, cozinha e lavanderia, espaços comuns onde os moradores podem exercer autonomia e participar das tarefas domésticas.
Acompanhamento integral de uma equipe multiprofissional, composta por cuidadores, psicólogos, enfermeiros, assistentes sociais e terapeutas ocupacionais.
O secretário municipal de Saúde, Rafael Virginelli, enfatizou a filosofia do projeto: “Não se trata apenas de uma casa, mas de um espaço de vida, de reconstrução de vínculos e de cuidado contínuo. A residência coloca o usuário no centro do cuidado”.
Integração com a Rede e o Cenário Estadual
O serviço não funciona de forma isolada. Ele está integrado à Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) de Sumaré, que inclui o CAPS Adulto Orquídea e a Unidade de Saúde da Família (USF) Vasconcelos. Essa integração é crucial para garantir que os moradores tenham acesso a consultas, medicamentos, terapias e atividades de geração de renda, consolidando o processo de reinserção comunitária.
A inauguração do equipamento em Sumaré também joga luz sobre um cenário estadual ainda precário. Com a abertura desta unidade, o Estado de São Paulo contará com apenas três pacientes em situação de “desospitalização” indicados para instalação imediata em Residências Terapêuticas. O dado revela a lentidão na expansão desses serviços fundamentais, mantendo milhares de pessoas em situação de institucionalização crônica.
Uma Conquista para a Luta Antimanicomial
Para especialistas e militantes da causa, a inauguração é uma vitória significativa. A residência terapêutica é considerada um pilar da luta antimanicomial, que combate o estigma e a violência dos hospitais psiquiátricos tradicionais. A iniciativa consolida Sumaré como um município que avança na direção de políticas de saúde mental pautadas pelos Direitos Humanos, pela dignidade e pela autonomia dos usuários.
A casa em Sumaré representa, acima de tudo, a devolução do direito de ter uma vida para dez pessoas que, por décadas, foram invisíveis para a sociedade. É a prova de que o cuidado em liberdade é não só possível, mas necessário.
A saúde mental é uma responsabilidade de todos! Você sabe como funciona a Rede de Atenção Psicossocial na sua cidade? Informe-se, combata o preconceito e apoie políticas públicas que tratem pessoas com dignidade. 💚🧠 Vamos espalhar essa notícia? ✨ #SaúdeMentalÉDireitoHumano
Fonte: Governo de Sumaré.
Da Redação.
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