Corte formou 7 a 1 contra recálculo do INSS, mas pedido de Fachin reinicia julgamento no plenário físico.
Uma das maiores esperanças de aposentados que buscavam aumentar o benefício do INSS sofreu novo baque no Supremo Tribunal Federal.
O STF formou maioria contra a liberação da chamada “revisão da vida toda”, tese que permitia incluir contribuições feitas antes de julho de 1994 no cálculo da aposentadoria. Antes da interrupção, o placar estava em 7 votos a 1 contra os segurados, seguindo o entendimento do relator Kassio Nunes Marques.
A discussão, porém, ainda não terminou. O julgamento foi interrompido após pedido de destaque do presidente do STF, Edson Fachin, o que zera o placar no ambiente virtual e leva o caso ao plenário físico, ainda sem data marcada.
O que estava em jogo?
A revisão da vida toda interessava principalmente aposentados que contribuíram com valores mais altos antes do Plano Real. Pela regra atual, o cálculo considera contribuições a partir de julho de 1994, deixando de fora salários anteriores que poderiam elevar o benefício.
Na prática, a tese dizia: se o trabalhador pagou mais ao INSS antes de 1994, ele poderia pedir que esses valores entrassem na conta.
Quem votou contra?
Segundo o Diário do Poder, votaram contra a revisão:
Kassio Nunes Marques, Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Gilmar Mendes e Luiz Fux.
O único voto divergente foi de Dias Toffoli, que defendeu uma saída intermediária para proteger aposentados que acionaram a Justiça confiando em decisões anteriores favoráveis à revisão.
Por que Toffoli discordou?
Toffoli defendeu a modulação dos efeitos para permitir a revisão a segurados que entraram com ações judiciais entre 16 de dezembro de 2019, data em que o STJ reconheceu a tese, e 5 de abril de 2024, quando o STF consolidou a virada contra o direito.
O ministro citou aposentados, pensionistas, idosos e famílias vulneráveis que teriam organizado a vida financeira com base na expectativa criada por decisões anteriores.
A reviravolta que confundiu aposentados
O STF chegou a validar a revisão em 2022. Mas, em 2024, mudou o entendimento ao julgar ações sobre a Lei 8.213/1991 e concluiu que a regra de transição previdenciária de 1999 é obrigatória, não podendo ser escolhida ou substituída pelo cálculo mais vantajoso ao aposentado.

Essa mudança frustrou milhares de segurados que já tinham ações em andamento.
A conta bilionária por trás da decisão
O impacto fiscal também pesou no debate público. Segundo o R7/Estadão Conteúdo, a União estimou que a revisão poderia gerar impacto de até R$ 480 bilhões aos cofres públicos.
Ao mesmo tempo, o STF já havia decidido que aposentados que receberam valores da revisão até 5 de abril de 2024 não precisariam devolver o dinheiro, nem arcar com custas e honorários referentes às ações até essa data.
O que acontece agora?
Com o pedido de destaque de Fachin, o julgamento deve recomeçar no plenário físico. Isso não significa vitória dos aposentados, mas abre uma nova etapa formal no processo.
O cenário, porém, é duro: o placar virtual de 7 a 1 mostrou uma tendência clara da Corte contra a revisão.
A revisão da vida toda ainda não teve o capítulo final encerrado, mas o sinal emitido pelo STF foi forte: a maioria dos ministros não pretende reabrir o caminho para recalcular aposentadorias com contribuições anteriores a julho de 1994.
Para aposentados, a sensação é de frustração. Para o governo, a decisão reduz risco bilionário nas contas públicas. Para o país, fica mais um debate incômodo: até onde vai a segurança jurídica quando a própria Corte muda de entendimento?
Você conhece alguém que entrou com pedido da revisão da vida toda? Compartilhe esta matéria e deixe sua opinião: o STF fez justiça ou frustrou quem confiou na própria Justiça?
Fontes: Agência Brasil; Diário do Poder; R7/Estadão Conteúdo; portal do STF/Tema 1102.
Da Redação.
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