Rede pró-Cuba na mira dos EUA

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Após acusação contra Raúl Castro, ONGs são investigadas por suposta influência de Havana nos EUA.

Rede pró-Cuba na mira dos EUA após acusação contra Raúl Castro

Uma nova frente de tensão entre Estados Unidos e Cuba ganhou proporções explosivas nesta semana. O Departamento de Justiça dos EUA tornou pública uma acusação contra Raúl Modesto Castro Ruz, de 94 anos, por seu suposto papel na derrubada de dois aviões civis do grupo Brothers to the Rescue / Hermanos al Rescate, em 24 de fevereiro de 1996. O caso deixou quatro mortos: Carlos Costa, Armando Alejandre Jr., Mario de la Peña e Pablo Morales.

Mas a acusação criminal abriu outra investigação ainda mais política: segundo a Fox News, autoridades dos EUA apuram uma suposta rede de 145 organizações pró-Cuba que teria reagido de forma coordenada apenas nove minutos após o anúncio das acusações contra Castro.

De acordo com a reportagem, mais de US$ 1 bilhão em receitas combinadas ligadas a essas organizações estaria sendo analisado para identificar a origem dos recursos e possíveis conexões com uma campanha de influência estrangeira.

O ponto que acendeu o alerta

A Fox News afirma que, às 13h54, o Party for Socialism and Liberation publicou artes já produzidas chamando a acusação contra Raúl Castro de “sem base” e “pretexto para outra guerra”. Horas depois, nomes ligados ao ecossistema pró-Cuba, como Vijay Prashad, do Tricontinental Institute, e Manolo De Los Santos, do People’s Forum, também amplificaram mensagens de defesa ao regime cubano.

A linha investigativa, segundo a reportagem, tenta responder uma pergunta central: foi apenas militância política espontânea ou uma operação de influência articulada?

Quem está no centro da acusação criminal

O Departamento de Justiça dos EUA acusa Raúl Castro e cinco coacusados cubanos: Lorenzo Alberto Pérez-Pérez, Emilio José Palacio Blanco, José Fidel Gual Barzaga, Raul Simanca Cardenas e Luis Raul Gonzalez-Pardo Rodriguez. Todos são citados por supostos papéis na ação militar de 1996 contra aeronaves civis desarmadas.

A Associated Press informou que Castro era ministro da Defesa de Cuba à época e que os pilotos teriam realizado missões de treinamento para localizar, perseguir e interceptar aeronaves próximas à costa cubana.

Importante: o próprio DOJ ressalta que uma acusação formal é apenas uma alegação, e que todos os réus são presumidos inocentes até eventual condenação judicial.

A reação de Havana

Cuba nega as acusações e trata o caso como movimento político dos EUA. Segundo a Reuters, milhares de cubanos se reuniram diante da embaixada americana em Havana em protesto contra a acusação. O presidente Miguel Díaz-Canel, o primeiro-ministro Manuel Marrero e familiares de Raúl Castro participaram do ato.

A filha de Raúl, Mariela Castro, disse à mídia estatal cubana que o pai estava “tranquilo”. Já o governo cubano classificou as acusações como “espúrias” e sugeriu que poderiam servir como pretexto para pressão ou intervenção contra a ilha.

O que está realmente em jogo

O caso ultrapassa a esfera criminal. Ele mistura memória histórica, disputa ideológica, influência internacional, financiamento de organizações, redes digitais e a relação explosiva entre Washington e Havana.

Se as suspeitas sobre a rede forem confirmadas, os EUA poderão enquadrar parte dessas organizações em investigações de influência estrangeira. Se não forem, o episódio pode ser visto como mais um capítulo da guerra política entre o governo americano e grupos de esquerda pró-Cuba.

Por enquanto, há uma certeza: o caso Raúl Castro reacendeu uma ferida de quase 30 anos e colocou sob holofotes uma rede internacional de ativismo que, até agora, operava longe da atenção do grande público.


Você acha que isso é investigação legítima contra influência estrangeira ou perseguição política contra organizações ideológicas? Comente e compartilhe essa matéria.

Fontes: Departamento de Justiça dos EUA, Fox News, Associated Press, Reuters, Financial Times, PBS NewsHour e PolitiFact.

Da Redação.

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