R$ 1,3 milhão: ETE Barrocão entra em nova era

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Quatro novos aeradores prometem cortar energia — mas a economia real ainda não foi divulgada.

Uma mudança silenciosa, instalada longe dos olhos da população, pode mexer diretamente com uma das maiores despesas do sistema de saneamento de Santa Bárbara d’Oeste: a conta de energia elétrica.

O DAE concluiu a modernização do sistema de aeração da Estação de Tratamento de Esgoto Barrocão. A unidade recebeu quatro novos aeradores, adquiridos por meio de um investimento de R$ 1,3 milhão do Programa de Eficiência Energética da CPFL Paulista.

O dinheiro foi concedido na modalidade de recurso a fundo perdido. Na prática, o DAE não terá de devolver o valor à CPFL como ocorreria em um financiamento convencional.

A promessa é clara: equipamentos modernos, menor consumo elétrico e mais eficiência no tratamento. A pergunta que permanece é igualmente importante:

Quanto Santa Bárbara realmente economizará por ano?

Quatro máquinas no coração do tratamento

Os aeradores são peças fundamentais dentro da ETE Barrocão.

Eles movimentam o esgoto e introduzem oxigênio no processo biológico, criando as condições necessárias para que microrganismos decomponham a matéria orgânica presente no material coletado.

Sem aeração adequada, o tratamento pode perder eficiência, gerar odores, acumular resíduos e comprometer a qualidade do efluente devolvido ao meio ambiente.

A ETE Barrocão utiliza um sistema biológico do tipo valo de oxidação, no qual a circulação e a oxigenação são essenciais para o trabalho das bactérias responsáveis pela remoção dos poluentes.

A substituição de equipamentos antigos por unidades mais eficientes pode, portanto, produzir dois ganhos simultâneos:

reduzir o gasto de energia;
preservar a qualidade do tratamento.
Uma estrutura capaz de tratar 140 litros por segundo

A ETE Barrocão entrou em operação efetiva em 1º de fevereiro de 2021, após investimento aproximado de R$ 17,7 milhões.

A unidade possui capacidade de tratamento de até 140 litros de esgoto por segundo e atende principalmente a região da Zona Leste de Santa Bárbara d’Oeste. O efluente tratado é posteriormente lançado no Rio Piracicaba.

Nos primeiros 100 dias de funcionamento, análises divulgadas pelo DAE apontaram índices de remoção de matéria orgânica de 87% no início da operação e de 100% em uma medição posterior.

Os resultados apresentados à época superavam o índice mínimo de 80% citado pelo município com base na legislação ambiental. Esses números, porém, representam análises realizadas em 2021 e não devem ser confundidos com uma avaliação atualizada da estação.

Por que a energia pesa tanto no saneamento?

Estações de água e esgoto trabalham durante praticamente todo o dia.

Bombas, motores, painéis, sistemas de automação e equipamentos de aeração precisam funcionar continuamente. Por isso, a energia elétrica costuma representar uma das principais despesas controláveis das empresas e autarquias de saneamento.

Como referência internacional, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos estima que sistemas de água e esgoto podem representar entre 30% e 40% do consumo energético de governos municipais naquele país.

A agência aponta ainda que medidas de eficiência podem gerar reduções de consumo entre 15% e 30%, dependendo da estrutura, da tecnologia utilizada e da operação de cada unidade. Esses percentuais são referências internacionais e não constituem uma previsão específica para a ETE Barrocão.

É justamente por isso que a troca de aeradores não deve ser vista como uma simples substituição de máquinas.

Ela atinge um dos pontos mais intensivos em energia do tratamento de esgoto.

Investimento público sem empréstimo

O recurso veio do Programa de Eficiência Energética, o PEE, regulamentado pela Agência Nacional de Energia Elétrica.

Segundo a ANEEL, o programa seleciona projetos destinados a reduzir desperdícios, melhorar o consumo de energia e incentivar tecnologias mais eficientes em diferentes setores.

Esta é a quinta vez que projetos apresentados pelo DAE de Santa Bárbara d’Oeste são selecionados em chamadas públicas da CPFL.

Antes da intervenção na ETE Barrocão, o programa já havia financiado:

conjuntos de motobombas;
motores de alto rendimento;
bombas hidráulicas;
painéis elétricos;
sistemas de automação;
substituição de lâmpadas fluorescentes por LED.

As ações alcançaram a sede do DAE, a ETA II, a Estação Elevatória Santa Alice–Represinha e reservatórios dos jardins São Francisco e Amélia.

Com a modernização do Barrocão, os investimentos acumulados do programa nas instalações do DAE ultrapassam R$ 5,5 milhões, segundo levantamento publicado pelo jornal O Liberal em março de 2026.

O que foi divulgado — e o que ainda falta saber

A modernização representa uma conquista relevante para o município. Entretanto, eficiência energética precisa ser comprovada com números, não apenas com boas intenções.

Nos comunicados públicos consultados, o DAE confirmou:

o investimento de R$ 1,3 milhão;
a instalação de quatro aeradores;
a origem do recurso;
a previsão de redução do consumo elétrico;
a conclusão da modernização.

Por outro lado, não foram apresentados publicamente:

o consumo de energia antes da substituição;
a economia estimada em kWh por ano;
a redução projetada na conta de energia;
a potência dos equipamentos antigos e novos;
a marca e o modelo dos aeradores;
a vida útil prevista;
o prazo de retorno econômico do projeto;
o cronograma de medição dos resultados.

A ausência desses dados nos materiais consultados não significa que eles não existam nos documentos técnicos do projeto. Significa apenas que a população ainda não consegue avaliar, pelas divulgações disponíveis, qual será o resultado financeiro efetivo da modernização.

Transparência será o próximo teste

A própria ANEEL mantém instrumentos de medição, verificação e acompanhamento dos projetos financiados pelo Programa de Eficiência Energética.

O Observatório do PEE reúne informações sobre projetos, movimentações financeiras e indicadores utilizados na avaliação dos investimentos. A finalidade declarada é ampliar o acompanhamento e a prestação de contas à sociedade.

O caminho mais transparente seria o DAE divulgar, após um período de operação:

a média mensal de consumo anterior;
a média registrada com os novos equipamentos;
a economia financeira obtida;
os custos de manutenção;
os resultados ambientais do tratamento.

Esse comparativo permitiria saber se o investimento cumpriu aquilo que prometeu.

Nova gestão assume o desafio

O DAE é comandado atualmente pela diretora-superintendente Patrícia Regina Marques de Martino, nomeada em abril de 2026 pelo prefeito Rafael Piovezan.

Patrícia tornou-se a primeira mulher a assumir a superintendência da autarquia em seus 40 anos de existência.

A modernização da ETE Barrocão chega, portanto, em um momento estratégico para a nova gestão: preservar os indicadores positivos do saneamento municipal e, ao mesmo tempo, demonstrar que investimentos tecnológicos produzem economia mensurável.

A conta de água vai baixar?

Até o momento, não foi anunciada qualquer redução na tarifa de água ou esgoto diretamente relacionada à troca dos aeradores.

Uma eventual economia energética pode aliviar despesas operacionais e liberar recursos para manutenção ou novos investimentos. Mas isso não significa, automaticamente, diminuição imediata na conta paga pelo consumidor.

Qualquer impacto tarifário dependeria de fatores regulatórios, custos gerais da autarquia e decisões futuras da agência responsável pela regulação.

Portanto, a modernização é positiva, mas seria precipitado prometer redução de tarifa sem dados concretos.

Tecnologia instalada. Agora faltam os números

Os quatro novos aeradores representam uma modernização importante para uma estação capaz de tratar milhares de litros de esgoto todos os minutos.

O investimento não saiu de um empréstimo municipal e pode reduzir um dos maiores custos operacionais do saneamento. Isso é relevante tanto do ponto de vista ambiental quanto da responsabilidade com os recursos públicos.

Mas a conclusão das instalações é apenas a primeira parte da história.

A verdadeira eficiência será demonstrada quando o DAE publicar quanto a unidade consumia antes, quanto passou a consumir depois e quanto dinheiro efetivamente ficou nos cofres da autarquia.

Modernizar é necessário. Medir, comprovar e prestar contas é indispensável.


Você considera que o DAE deveria publicar mensalmente o consumo de energia das estações de tratamento e a economia gerada pelos novos equipamentos? Comente, compartilhe esta matéria e acompanhe o PodemFoco News para cobrar transparência e conhecer os investimentos que afetam o futuro de Santa Bárbara d’Oeste.

Fonte: Governo de Santa Bárbara d’Oeste.

Da Redação.

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