PF apura suposta rede paga para influenciar a opinião pública no caso Banco Master.
Projeto DV: a lista que expôs uma guerra milionária contra o Banco Central
Uma suposta operação digital milionária, contratos com influenciadores, páginas de grande alcance e uma narrativa pronta para atacar o Banco Central. Esse é o centro do chamado “Projeto DV”, investigação que mira a contratação de perfis nas redes sociais para defender o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro em meio à crise envolvendo a instituição financeira.
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, documentos internos atribuídos ao projeto indicam que a ofensiva contra o Banco Central e contra o ex-diretor Renato Gomes teria seguido uma cartilha de comunicação, com orientações de títulos, textos, fotos e roteiros para vídeos curtos no Instagram. A Folha afirma que os contratos somavam R$ 8 milhões, embora parte deles tenha sido interrompida após a Polícia Federal começar a investigar o caso.
O que é o Projeto DV?
O nome “Projeto DV” faria referência às iniciais de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A ofensiva teria surgido no contexto da rejeição, pelo Banco Central, da compra do Master pelo BRB, Banco de Brasília. Segundo a Folha, o BC virou alvo após barrar a operação, e a PF identificou cerca de 40 perfis que poderiam ter sido contratados para integrar a estratégia.
Na prática, a suspeita é que perfis de entretenimento, fofoca, opinião política e páginas de grande audiência tenham sido usados para espalhar uma narrativa coordenada: a de que o Banco Central teria agido de forma precipitada ou injusta contra o Master.
O dinheiro: contratos de R$ 8 milhões e pagamentos de R$ 3,5 milhões
A Folha informou que os contratos com influenciadores foram firmados pela agência Mithi, do publicitário Thiago Miranda, e que os valores previstos chegavam a R$ 8 milhões. A reportagem também aponta pagamentos de R$ 3,5 milhões entre o fim de dezembro de 2025 e 5 de janeiro de 2026, após Miranda receber valor semelhante de uma empresa ligada a Vorcaro.
À CNN Brasil, fontes informaram que Miranda confirmou à Polícia Federal ter sido responsável pela contratação de influenciadores e disse que apresentou o plano a Vorcaro no fim de 2025, classificando o serviço como “gestão de crise”.
Quem aparece citado?
Entre os nomes citados nas apurações jornalísticas estão:
Daniel Vorcaro — dono do Banco Master e figura central do caso.
Thiago Miranda — empresário da agência Mithi, apontado como responsável por contratações.
Renato Gomes — ex-diretor do Banco Central e um dos principais alvos das publicações.
Gabriel Galípolo — presidente do Banco Central, também citado no contexto dos ataques digitais.
Rony Gabriel — vereador de Erechim e influenciador, que relatou ter sido procurado para participar de ação reputacional.
Juliana Moreira Leite — jornalista e influenciadora que também relatou abordagem semelhante.
Luiz Bacci — citado em reportagem da Folha e do Metrópoles no contexto de contrato ou cachê ligado ao projeto.
O outro lado
A defesa de Thiago Miranda afirma que sua atuação foi lícita e ligada à comunicação reputacional, sem finalidade de atacar instituições públicas, autoridades ou órgãos de Estado. Segundo a CNN, a defesa disse que é preciso distinguir atividade profissional de comunicação de qualquer interpretação que atribua finalidade ilícita à atuação.
Ao Metrópoles, Miranda declarou que o briefing enviado aos perfis era para repercutir materiais já publicados na mídia e afirmou que havia cláusula proibindo ataque a órgãos públicos e tentativa de “sujar imagem de pessoas públicas”.
Por que isso importa?
O caso é maior do que uma disputa entre banco, agência e influenciadores. A investigação toca em uma questão explosiva: até que ponto campanhas digitais pagas podem manipular a percepção pública sobre decisões de Estado?
Se comprovada a coordenação para descredibilizar o Banco Central, o caso pode virar marco sobre os limites entre gestão de crise, publicidade, influência digital e ataque institucional.
O “Projeto DV” expõe uma engrenagem poderosa do Brasil atual: dinheiro, influência, redes sociais e disputa de narrativa. Ainda há investigação em andamento, versões conflitantes e pontos a esclarecer. Mas uma coisa já está clara: a guerra pela opinião pública deixou de acontecer apenas nos bastidores de Brasília. Agora, ela aparece no feed.
Você acha que influenciadores deveriam ser obrigados a avisar quando estão recebendo para defender uma narrativa? Comente sua opinião e compartilhe esta matéria.
Fontes: Folha de S.Paulo; CNN Brasil; Metrópoles.
Da Redação.
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