Pesquisa: 89% migrariam para Flávio no 2º turno. O Levantamento interno do PL indica concentração da direita, mas metodologia não foi divulgada.
Uma pesquisa interna do Partido Liberal aponta que Flávio Bolsonaro receberia 89% dos votos atribuídos a Ronaldo Caiado e Romeu Zema em um eventual segundo turno contra Lula. Entre os eleitores de Renan Santos, a transferência seria de 64%. Como a metodologia completa não foi publicada, os números devem ser interpretados como projeção partidária, não como resultado eleitoral confirmado.
A capacidade de unir eleitores hoje distribuídos entre diferentes candidaturas tornou-se uma das principais disputas dentro da oposição. Mais do que conquistar votos no primeiro turno, os pré-candidatos precisam demonstrar que conseguiriam absorver os apoios dos concorrentes eliminados.
É nesse contexto que uma pesquisa interna do PL, repercutida pelo Diário 360, ganhou espaço no debate político. O levantamento atribui ao senador Flávio Bolsonaro uma elevada capacidade de receber votos de Ronaldo Caiado e Romeu Zema em uma eventual disputa direta com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O dado mais expressivo é de 89% de migração entre os eleitores de Caiado e Zema. Entre os apoiadores de Renan Santos, a transferência estimada seria de 64%.
Os percentuais ajudam a explicar a estratégia do PL para consolidar Flávio como principal representante da oposição. Entretanto, a publicação original não informa elementos fundamentais, como amostra, datas das entrevistas, margem de erro, método de coleta ou instituto responsável. Essa ausência limita qualquer conclusão definitiva sobre o comportamento do eleitorado brasileiro.
O que mostra a pesquisa interna do PL
Segundo os dados divulgados, Flávio Bolsonaro demonstraria maior capacidade de concentrar os votos dos candidatos identificados com a direita e o centro-direita em um eventual segundo turno contra Lula.
A projeção apresentada indica:
| Origem dos votos no primeiro turno | Migração estimada para Flávio |
|---|---|
| Eleitores de Ronaldo Caiado | 89% |
| Eleitores de Romeu Zema | 89% |
| Eleitores de Renan Santos | 64% |
Os números sugerem que os eleitorados de Caiado e Zema estariam mais próximos do campo político representado por Flávio. No caso de Renan Santos, a transferência projetada seria menor, embora ainda majoritária.
Resposta direta: a pesquisa indica que Flávio Bolsonaro poderia receber quase nove em cada dez votos dos eleitores de Caiado e Zema. Entre os apoiadores de Renan Santos, aproximadamente seis em cada dez migrariam para o senador.
Essa leitura, porém, depende de uma pergunta decisiva: quantos eleitores cada candidato teria efetivamente no primeiro turno? Um percentual elevado de transferência pode ter impacto limitado quando aplicado sobre uma candidatura com poucos votos.
Por exemplo, se um concorrente tiver 4% dos votos válidos e 89% desse grupo migrar, a contribuição potencial será próxima de 3,6 pontos percentuais. Portanto, taxa de transferência e tamanho da base precisam ser analisados conjuntamente.
Pesquisa aponta força de Flávio entre eleitores da direita
A elevada transferência atribuída a Caiado e Zema sugere uma proximidade ideológica entre seus respectivos eleitorados e a candidatura de Flávio Bolsonaro.
Caiado mantém uma trajetória associada à segurança pública, ao agronegócio e ao conservadorismo. Zema, por sua vez, consolidou sua imagem em torno de uma agenda liberal na economia, redução do Estado e oposição ao PT.
Flávio busca ocupar uma faixa que reúne parte dessas duas correntes. O senador combina o vínculo com o bolsonarismo, herdado de sua relação política e familiar com Jair Bolsonaro, com uma tentativa de ampliar o diálogo com setores econômicos e lideranças de centro-direita.

O perfil oficial do parlamentar no Senado Federal registra que Flávio representa o Rio de Janeiro e exerce mandato no Senado desde 2019. Essa posição oferece ao candidato estrutura política nacional e presença constante nos principais debates do Congresso.
Para o PL, a pesquisa funciona como argumento interno para mostrar que Flávio teria condições de evitar a fragmentação da direita no segundo turno. Entretanto, herdar votos de outros candidatos não significa conquistar automaticamente os apoios formais desses adversários.
Eleitores podem mudar de posição por diversos fatores:
- Composição da chapa presidencial;
- Apoios anunciados depois do primeiro turno;
- Desempenho nos debates;
- Rejeição aos dois finalistas;
- Situação econômica durante a campanha;
- Abstenções, votos brancos e nulos.
Entre o primeiro e o segundo turno, campanhas também podem sofrer mudanças bruscas. Declarações, crises, alianças regionais e fatos novos frequentemente alteram a disposição inicial dos eleitores.
Por que Renan Santos apresenta transferência menor
A diferença entre os 89% atribuídos aos eleitores de Caiado e Zema e os 64% projetados entre os apoiadores de Renan Santos revela uma possível divisão dentro do campo oposicionista.
Renan representa uma candidatura com discurso de renovação política e maior presença entre eleitores jovens e usuários de redes sociais. Parte dessa base pode rejeitar tanto Lula quanto o bolsonarismo tradicional, dificultando uma transferência mais automática para Flávio.
Ainda assim, o percentual de 64% indicaria que a maioria desse eleitorado escolheria o senador em uma disputa direta contra Lula. O restante poderia votar no presidente, anular o voto, votar em branco ou não comparecer.
Essa diferença pode transformar Renan em um personagem estratégico. Mesmo que sua votação no primeiro turno seja inferior à dos principais concorrentes, seus eleitores poderiam representar uma faixa menos previsível e, portanto, mais disputada.
O que é transferência de votos? É a proporção de eleitores de um candidato eliminado no primeiro turno que declara preferência por um dos dois finalistas. Ela não representa uma transferência automática nem uma orientação obrigatória do antigo candidato.
O comportamento também pode variar conforme a região, a idade, a renda e o grau de identificação partidária. Sem as tabelas completas da pesquisa, não é possível saber onde a transferência seria maior ou quais segmentos apresentariam mais resistência.
O que a pesquisa não revela
O principal limite do levantamento está na falta de informações metodológicas disponibilizadas ao público. A notícia informa os percentuais, mas não apresenta os dados técnicos necessários para uma avaliação independente.
Não foram detalhados:
- O instituto ou empresa responsável;
- O número total de entrevistados;
- As datas de realização;
- A margem de erro;
- O nível de confiança;
- A distribuição regional da amostra;
- O método de entrevista;
- A redação exata das perguntas;
- O contratante e o custo do levantamento;
- O registro correspondente na Justiça Eleitoral.
Essas informações não são burocracia. Elas permitem verificar se o grupo entrevistado representa adequadamente o eleitorado e se os percentuais podem ser comparados com outras pesquisas.
O Tribunal Superior Eleitoral mantém o sistema PesqEle para registro e consulta de levantamentos eleitorais. Desde 1º de janeiro de 2026, pesquisas destinadas à divulgação precisam observar as regras eleitorais e registrar previamente informações como contratante, metodologia e plano amostral.
A Justiça Eleitoral também disponibiliza uma página de consulta às pesquisas registradas. Sem o número de registro ou a ficha técnica, não é possível conferir se os percentuais divulgados correspondem a uma pesquisa eleitoral formalmente registrada ou apenas a um estudo estratégico de circulação interna.
Caixa de destaque — Limitação importante: os índices de 89% e 64% foram divulgados como dados de uma pesquisa interna do PL. Até a publicação desta matéria, a metodologia completa não havia sido apresentada na reportagem utilizada como referência.
Pesquisa interna e pesquisa eleitoral pública são diferentes
Uma pesquisa interna pode ser encomendada por partido, candidatura ou grupo político para orientar decisões estratégicas. Ela pode medir cenários, testar discursos e identificar segmentos mais receptivos.
O problema surge quando seus resultados chegam ao debate público sem a documentação necessária para que jornalistas, especialistas e eleitores possam verificar como foram produzidos.
| Critério | Pesquisa interna sem ficha pública | Pesquisa eleitoral registrada |
|---|---|---|
| Objetivo principal | Orientar estratégia partidária | Medir e divulgar opinião eleitoral |
| Metodologia disponível | Pode permanecer restrita | Deve ser informada no registro |
| Amostra verificável | Não necessariamente | Informada ao TSE |
| Margem de erro | Pode não ser divulgada | Deve constar na documentação |
| Comparação independente | Limitada | Mais viável |
| Uso jornalístico | Exige cautela adicional | Permite análise metodológica |
Isso não significa que uma pesquisa interna seja necessariamente incorreta. Significa apenas que seus resultados possuem menor capacidade de verificação pública quando os dados técnicos não são apresentados.
Para o leitor, a forma mais segura de interpretar o levantamento é entender os percentuais como um sinal da estratégia adotada pelo PL. Eles mostram como o partido enxerga o potencial de Flávio, mas ainda não comprovam que essa migração acontecerá nas urnas.
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Como os números podem influenciar a disputa de 2026
Dentro da oposição, uma pesquisa com alta transferência de votos pode ser usada para defender três movimentos.
O primeiro é pressionar por uma candidatura única. Se Flávio aparece como o nome capaz de receber a maior parte dos votos de outros postulantes, o PL ganha um argumento para negociar apoios ainda no primeiro turno.
O segundo é reduzir o risco de deserção eleitoral. Uma das preocupações das campanhas é saber se o eleitor de um concorrente derrotado aceitará apoiar outro candidato ou preferirá votar em branco, anular ou não comparecer.
O terceiro é influenciar financiadores, dirigentes partidários e lideranças regionais. Políticos tendem a negociar apoio considerando competitividade, estrutura e potencial de vitória.
Entretanto, a pesquisa também pode provocar reação dos adversários. Caiado, Zema e Renan podem utilizar outros levantamentos para sustentar que possuem maior competitividade própria contra Lula, evitando que suas candidaturas sejam tratadas apenas como reservas de votos para o PL.
As Eleições Gerais de 2026 terão o primeiro turno em 4 de outubro. Caso nenhum candidato à Presidência alcance a maioria dos votos válidos, o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro, conforme o calendário divulgado pelo TSE.
Até lá, alianças, candidaturas e preferências eleitorais ainda podem mudar. O Brasil possui mais de 155 milhões de eleitores aptos a participar do processo, segundo a Justiça Eleitoral, tornando qualquer projeção nacional dependente de uma amostra ampla e corretamente distribuída.
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O que observar nas próximas pesquisas
Para saber se a tendência indicada pelo levantamento interno do PL se sustenta, será necessário acompanhar pesquisas públicas que divulguem integralmente sua metodologia.
Cinco informações merecem atenção:
- Votação no primeiro turno: mostra o tamanho real da base de cada candidato.
- Cenários de segundo turno: indicam quem seria mais competitivo contra Lula.
- Rejeição eleitoral: revela em quais candidatos o eleitor afirma que não votaria.
- Transferência entre candidaturas: aponta como os votos poderiam se reorganizar.
- Brancos, nulos e indecisos: identifica o espaço ainda disponível para crescimento.
Também é necessário comparar pesquisas realizadas no mesmo período. Levantamentos separados por várias semanas podem captar momentos políticos diferentes e, por isso, não devem ser tratados como se fossem uma única sequência.
A margem de erro precisa ser considerada. Uma vantagem numérica dentro desse intervalo representa empate técnico, ainda que um candidato apareça alguns pontos à frente na apresentação dos resultados.
Conclusão
A pesquisa interna divulgada pelo PL fortalece a narrativa de que Flávio Bolsonaro teria capacidade para unificar a direita em um eventual segundo turno contra Lula. O levantamento projeta migração de 89% dos eleitores de Caiado e Zema e de 64% dos apoiadores de Renan Santos.
Os percentuais são politicamente relevantes, mas precisam ser interpretados com cautela. Sem acesso à amostra, margem de erro, período de coleta, questionário e instituto responsável, não é possível avaliar a precisão do estudo nem transformá-lo em previsão eleitoral.
O dado mais sólido, por enquanto, é estratégico: o PL pretende apresentar Flávio como o candidato capaz de concentrar o voto oposicionista. Compartilhe a matéria e acompanhe as próximas pesquisas registradas para verificar se essa tendência aparecerá também em levantamentos públicos.
A capacidade de concentrar os votos da direita pode decidir o segundo turno. Você acredita que os eleitores de Caiado, Zema e Renan realmente migrariam para Flávio? Comente e compartilhe esta análise.
Fontes
- Diário 360
- Tribunal Superior Eleitoral
- Senado Federal
Da Redação.
Perguntas frequentes
O que mostrou a pesquisa sobre Flávio Bolsonaro?
A pesquisa interna do PL indicou que Flávio Bolsonaro receberia 89% dos votos de eleitores de Ronaldo Caiado e Romeu Zema em um eventual segundo turno. Entre os eleitores de Renan Santos, a transferência projetada seria de 64%.
A pesquisa foi registrada no TSE?
A publicação utilizada como referência não informou número de registro no TSE. Também não divulgou instituto responsável, amostra, margem de erro ou datas da coleta, impedindo a conferência completa do levantamento.
Flávio Bolsonaro já herdou esses votos?
Não. Os percentuais representam uma projeção de comportamento para um eventual segundo turno. O voto pode mudar durante a campanha, e a transferência não acontece automaticamente.
O que significa herdar votos no segundo turno?
Significa receber o apoio de eleitores que escolheram outro candidato no primeiro turno. Essa migração pode ser influenciada por afinidade ideológica, rejeição ao adversário, apoios partidários e acontecimentos da campanha.
Por que os votos de Caiado e Zema migrariam para Flávio?
Os três candidatos disputam segmentos da direita e do centro-direita. Essa proximidade política pode favorecer a migração, mas o percentual exato só pode ser avaliado corretamente com acesso à metodologia e à amostra da pesquisa.
Por que a transferência dos votos de Renan seria menor?
Parte do eleitorado de Renan Santos pode buscar uma alternativa tanto ao PT quanto ao bolsonarismo tradicional. Isso ajudaria a explicar uma transferência estimada em 64%, abaixo dos 89% projetados entre eleitores de Caiado e Zema.
Quando será o segundo turno das eleições de 2026?
O primeiro turno ocorrerá em 4 de outubro de 2026. Se necessário, o segundo turno para presidente e governadores será realizado em 25 de outubro de 2026.
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