Perigo sob o asfalto: DAE reforça segurança

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DAE e Comgás treinam equipes para evitar acidentes com redes subterrâneas de gás.

Treinamento mira risco invisível nas ruas de Santa Bárbara

Debaixo do asfalto, redes de água, esgoto, energia, telecomunicações e gás natural dividem um espaço cada vez mais disputado. Um erro durante uma escavação pode interromper serviços essenciais, causar vazamentos e colocar trabalhadores e moradores em risco.

Diante desse cenário, o DAE — Departamento de Água e Esgoto de Santa Bárbara d’Oeste — iniciou um ciclo de treinamentos em parceria com a Comgás para reforçar a segurança durante obras e manutenções realizadas nas vias públicas.

A capacitação é voltada aos servidores envolvidos diretamente na execução, no planejamento e no apoio às intervenções nas redes municipais de água e esgoto. A medida ocorre em meio à expansão da infraestrutura subterrânea de gás natural na cidade.

É importante esclarecer: a iniciativa tem caráter preventivo. A Prefeitura não informou que o treinamento tenha sido motivado por um acidente recente específico.

O perigo que quase ninguém vê

Para o cidadão que passa pela rua, uma obra pode parecer apenas uma vala, uma retroescavadeira e alguns cones.

Mas, no subsolo, centímetros podem separar uma rede de água de uma tubulação de gás.

É justamente nesse ponto que a prevenção deixa de ser burocracia e passa a ser uma questão de responsabilidade. Antes de escavar, as equipes precisam saber onde estão as redes, interpretar mapas técnicos, verificar sinalizações e escolher o método adequado para cada intervenção.

Segundo a Comgás, obras em ruas ou calçadas devem começar pela consulta da existência de tubulações no local. A concessionária também orienta que os cadastros técnicos estejam disponíveis em campo e que sejam feitas sondagens antes das escavações próximas à rede.

Quem conduz a capacitação

O treinamento em Santa Bárbara d’Oeste é ministrado por Andreza Fozzato, gestora de território do PPD — Programa de Prevenção de Danos — da Comgás.

O conteúdo acompanha as etapas de uma intervenção, desde o planejamento do serviço até a execução da escavação.

Entre os assuntos apresentados estão:

identificação das redes subterrâneas de gás;
leitura das informações técnicas;
procedimentos seguros durante escavações;
sinalização e isolamento da área;
condutas diante de possíveis vazamentos;
comunicação de ocorrências;
utilização dos canais emergenciais;
prevenção de danos à infraestrutura urbana.

A primeira turma reuniu líderes, profissionais técnicos e servidores administrativos na sede do DAE, na quarta-feira, dia 8 de julho.

Treinamento chega às equipes que estão nas ruas

A próxima etapa será realizada no Centro de Treinamento “Bepe Machado”, atendendo os trabalhadores da área operacional.

Devem participar encanadores, ajudantes gerais, motoristas, operadores de retroescavadeiras, atendentes da Central de Monitoramento — responsáveis pelos canais 0800 e rádio — e servidores em funções de chefia.

Esse grupo está diretamente exposto às situações mais delicadas das intervenções: abertura de valas, movimentação de equipamentos pesados, reparos emergenciais e contato com diferentes estruturas subterrâneas.

Capacitar apenas os gestores seria insuficiente. O procedimento precisa ser compreendido por quem planeja, por quem autoriza e, principalmente, por quem executa o serviço.

Escavação mecânica nem sempre pode ser usada

As orientações técnicas da Comgás estabelecem cuidados diferentes conforme a distância entre a escavação e a tubulação.

De acordo com o Programa de Prevenção de Danos, quando o trabalho ocorre a uma distância inferior a um metro do ativo da companhia, a escavação deve ser manual. A concessionária também recomenda que as valas de sondagem sejam abertas manualmente para confirmar a direção e a localização da rede.

O cuidado é necessário porque recapeamentos, reformas e alterações urbanas podem provocar divergências entre a profundidade indicada no cadastro e a posição encontrada no local.

Ou seja: o mapa técnico é fundamental, mas não substitui a verificação em campo.

Segurança protege trabalhadores e também o dinheiro público

Uma rede atingida durante uma obra não representa apenas risco operacional.

O incidente pode provocar interrupção de serviços, mobilização de equipes de emergência, atraso no cronograma, congestionamentos e novos custos para reparar o dano.

Quando órgãos públicos e concessionárias compartilham informações técnicas e padronizam procedimentos, a tendência é reduzir falhas, retrabalho e desperdício de recursos.

Sob uma perspectiva de gestão responsável, treinamento não deve ser tratado como despesa dispensável. É um investimento na preservação da vida, da infraestrutura e do dinheiro do contribuinte.

Outras cidades adotam estratégia semelhante

A preocupação não está restrita a Santa Bárbara d’Oeste.

Em Ribeirão Preto, equipes da Secretaria de Água e Esgoto também participaram de uma capacitação sobre tubulações de gás e segurança durante perfurações. Na ocasião, o treinamento reforçou a importância do mapeamento das estruturas subterrâneas e da prevenção de danos aos serviços públicos essenciais.

A experiência mostra um desafio crescente nas cidades: diferentes empresas e órgãos utilizam o mesmo subsolo, mas nem sempre as intervenções são realizadas pelas mesmas equipes.

Por isso, integração, atualização dos cadastros e comunicação rápida tornam-se indispensáveis.

O que fazer diante de cheiro de gás

A Comgás orienta que, diante de uma tubulação danificada ou de cheiro de gás, ninguém tente realizar reparos por conta própria.

Também devem ser evitados interruptores, aparelhos elétricos ou qualquer ação que possa produzir faísca. A ocorrência precisa ser comunicada imediatamente à concessionária pelo telefone emergencial 08000 110 197, opção 1.

Ao encontrar uma obra com possível vazamento, o cidadão deve manter distância da área sinalizada e seguir as orientações das equipes responsáveis.

Prevenir antes da máquina entrar

O treinamento promovido pelo DAE e pela Comgás representa uma medida técnica, mas também envia uma mensagem importante: obras públicas não podem depender de improviso.

As redes subterrâneas avançam, as cidades ficam mais complexas e a margem para erros diminui.

Agora, o desafio será transformar a capacitação em protocolo permanente: consulta prévia, comunicação entre concessionárias, fiscalização, sinalização correta e atualização contínua dos profissionais.

Porque, debaixo do asfalto, aquilo que ninguém vê pode ser justamente o que mais exige atenção.


Você já presenciou uma obra com pouca sinalização ou uma rua aberta sem informações claras em Santa Bárbara d’Oeste? Comente o bairro, compartilhe esta reportagem e ajude a cobrar segurança, planejamento e responsabilidade nas intervenções realizadas nas vias públicas.

Fonte: Governo de Santa Bárbara d’Oeste.

Da Redação.

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