EUA resistem com 10; Bélgica vira no sufoco e Kane supera Pelé
A Copa do Mundo de 2026 entregou, em seu 21º dia, exatamente aquilo que separa um torneio comum de um Mundial histórico: drama, pressão, expulsão, virada improvável, arbitragem no centro da polêmica e ídolos decidindo quando o jogo parecia escapar.
Em uma rodada marcada por sobrevivência, os Estados Unidos venceram mesmo jogando parte da partida com um homem a menos, a Bélgica arrancou uma classificação dramática contra Senegal e a Inglaterra precisou de Harry Kane para evitar um vexame diante da República Democrática do Congo. A própria FIFA destacou o dia como uma sequência de jogos em que EUA, Bélgica e Inglaterra avançaram após confrontos de alta tensão.
O mata-mata começou a cobrar caro
A Copa de 2026 é a primeira edição com 48 seleções e 104 jogos, em três países-sede: Estados Unidos, México e Canadá. Isso ampliou o espetáculo, mas também aumentou o desgaste, a imprevisibilidade e o número de jogos eliminatórios antes das oitavas tradicionais.
E foi justamente nessa nova fase de 32 seleções que o torneio mostrou sua face mais cruel: quem cochila, volta para casa.
EUA vencem, mas Balogun vira herói e vilão
Os Estados Unidos bateram a Bósnia e Herzegovina por 2 a 0 e avançaram às oitavas de final. O jogo, porém, teve um roteiro digno de cinema: Folarin Balogun abriu o placar, mas depois acabou expulso após revisão do VAR em lance com o zagueiro Muharemovic. A decisão foi tomada pelo árbitro brasileiro Raphael Claus.

Com um jogador a menos, os norte-americanos precisaram mostrar algo que pesa muito em mata-mata: frieza emocional. Malik Tillman sacramentou a vitória, e os EUA garantiram uma classificação que a imprensa norte-americana tratou como histórica, já que foi a primeira vitória do país em jogo eliminatório de Copa em 24 anos.
O detalhe que esquenta a próxima fase: os Estados Unidos reencontram a Bélgica, algoz em 2014, agora em uma Copa disputada dentro de casa.
A polêmica brasileira no centro do jogo
Raphael Claus não passou despercebido. A expulsão de Balogun dividiu opiniões, e o técnico Mauricio Pochettino discordou da decisão, afirmando que o atacante não teria tido intenção no lance.
É aquele tipo de decisão que inflama redes sociais, comentaristas e torcedores. Para uns, aplicação correta da regra. Para outros, excesso de rigor. O fato concreto é um só: os EUA sobreviveram ao caos e seguem vivos.
Bélgica opera milagre contra Senegal
Se os Estados Unidos viveram tensão, a Bélgica viveu quase um colapso. A seleção belga perdia por 2 a 0 para Senegal até os minutos finais, mas conseguiu buscar o empate e depois virou por 3 a 2 na prorrogação, com pênalti marcado após revisão do VAR.
O lance decisivo teve participação brasileira na cabine: Rodolfo Toski Marques atuou no VAR na jogada que terminou em pênalti para a Bélgica. A arbitragem revisou o lance e o árbitro hondurenho assinalou a penalidade que decidiu a classificação belga.

Habib Diarra e Ismaila Sarr deixavam os Leões de Teranga com a vitória encaminhada, mas Romelu Lukaku e Youri Tielemans levaram o confronto de forma dramática para a prorrogação. Então, à beira da disputa de pênaltis, Tielemans sofreu e converteu a cobrança para garantir a permanência da Bélgica na Copa do Mundo, em Seattle.
Para Senegal, foi o tipo de eliminação que dói por anos. Para a Bélgica, foi uma sobrevida inesperada. Para o torcedor neutro, foi puro Mundial.
Inglaterra flerta com o vexame, mas Kane decide
A Inglaterra entrou como favorita contra a República Democrática do Congo, mas levou um susto logo no começo. Brian Cipenga abriu o placar aos 7 minutos, colocando os africanos perto de uma das maiores zebras desta Copa.
O goleiro Lionel Mpasi segurou a pressão inglesa com defesas importantes, mas Harry Kane apareceu quando a Inglaterra mais precisava. O camisa 9 marcou duas vezes, aos 75 e aos 86 minutos, virou o jogo para 2 a 1 e colocou os ingleses nas oitavas.

Nos minutos finais, Kane produziu o que indiscutivelmente é o grande gol desta fase final para garantir ao orgulho de Thomas Tuchel um encontro de dar água na boca contra o México.
A atuação de Kane ainda teve peso histórico: ele chegou a 13 gols em Copas do Mundo, ultrapassou Pelé no ranking de artilheiros de Mundiais e entrou de vez na disputa pela artilharia da edição de 2026.
O que esse dia revela sobre a Copa?
O 21º dia deixou três recados fortes.
Primeiro: camisa pesa, mas não joga sozinha. Inglaterra, Bélgica e Estados Unidos avançaram, mas todos precisaram sofrer.
Segundo: o VAR será protagonista até o fim. Em uma Copa gigante, com pressão global e partidas eliminatórias, cada revisão pode mudar o destino de uma seleção.
Terceiro: os favoritos estão vivos, mas vulneráveis. A RD Congo quase derrubou a Inglaterra. Senegal quase eliminou a Bélgica. A Bósnia forçou os EUA a jogar no limite.
E o Brasil nisso?
A chave começa a ganhar contornos perigosos. Segundo a tabela atualizada, o Brasil enfrenta a Noruega, e quem passar desse confronto poderá cruzar com o vencedor de México e Inglaterra.
Ou seja: a noite heroica de Kane pode virar problema real para a Seleção Brasileira mais adiante.
O Mundial virou guerra de resistência
A Copa de 2026 está deixando claro que talento não basta. O novo formato cobra elenco, físico, estratégia, controle emocional e banco de reservas.
Quem tem apenas estrelas pode cair. Quem tem grupo, mentalidade e disciplina sobrevive.
E depois de uma noite com expulsão, virada, VAR decisivo e recorde histórico, uma coisa ficou evidente: esta Copa ainda vai derrubar muito favorito.
Confira os jogos de hoje:
2 de julho (horários)
15:00: Espanha x Áustria
19:00 Portugal x Croácia
23:00 Suiça x Argélia
E você, torcedor: essa Copa está mais emocionante ou mais injusta com tanto VAR e novo formato? Comente sua opinião e diga quem chega mais forte às oitavas: EUA, Bélgica ou Inglaterra.
Fontes: FIFA; ge; UOL; CNN Brasil; Agência Brasil; Reuters; The Guardian; Axios; Terra; Lance!; El País; Seu Dinheiro e VTV News.
Da Redação.
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