Master bancou viagem de chefe da PF a Londres

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PF diz que não pagou diárias; evento teve patrocínio do Banco Master e levanta novo desgaste político

Uma nova revelação joga ainda mais pressão sobre o já explosivo caso Banco Master. Documentos obtidos via Lei de Acesso à Informação mostram que o Banco Master custeou a viagem do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, a Londres, onde ele participou do 1º Fórum Jurídico – Brasil de Ideias, entre os dias 24 e 26 de abril de 2024.

A informação ganhou força nesta quarta-feira após publicação da Timeline e repercussão em outros veículos. Segundo a Polícia Federal, não houve pagamento de diárias ao diretor, porque os gastos com hospedagem, alimentação e transporte foram cobertos diretamente pelos organizadores do evento. A corporação acrescentou que não sabe os valores efetivamente gastos. Também declarou que Andrei Rodrigues não recebeu cachê, honorários, ajuda de custo ou qualquer outro benefício adicional.

O que torna o caso sensível

O problema não é apenas a viagem. O evento em Londres ocorreu num momento anterior ao colapso público do Banco Master, mas hoje é lido sob outra luz porque a instituição se tornou centro de investigações de grande impacto político e financeiro. O banco foi ligado a suspeitas de fraude bilionária, lavagem de dinheiro e organização criminosa, no âmbito da operação Compliance Zero.

Além disso, o mesmo fórum reuniu nomes de peso do Judiciário e do governo brasileiro. Entre os participantes citados por diferentes reportagens estavam Dias Toffoli, Alexandre de Moraes, Paulo Gonet, Ricardo Lewandowski e o próprio Andrei Rodrigues. Esse ambiente de proximidade entre autoridades e um banco hoje investigado amplia o desgaste institucional e alimenta questionamentos sobre conveniência, transparência e conflito de interesse.

Hotel de luxo e confraternização milionária

A repercussão aumentou porque os convidados ficaram hospedados no The Peninsula London, hotel de padrão cinco estrelas. Simulações citadas nas reportagens indicam diárias na casa de R$ 6 mil, podendo variar conforme o período e o tipo de acomodação.

Outro ponto sensível envolve uma confraternização paralela com degustação de whisky em clube privado de Londres. A Timeline cita custo estimado de US$ 640,8 mil, o equivalente a cerca de R$ 3,2 milhões na época. Já o Estado de Minas informou que documentos da PF apontam gasto total de cerca de US$ 6 milhões em todo o evento, incluindo a programação social.

O que disse a PF

A Polícia Federal sustentou que a cobertura das despesas pelos organizadores está prevista em normas federais e reforçou que Andrei Rodrigues não recebeu remuneração extra. Até a publicação das reportagens consultadas, não havia manifestação pessoal do diretor-geral sobre o tema.

Repercussão e impacto

Na prática, a revelação aprofunda a crise em torno do caso Master. O escândalo já vinha atingindo o sistema político e jurídico, e agora encosta ainda mais em autoridades que participaram de eventos patrocinados pelo banco. A pergunta que fica é direta: era apenas um fórum institucional ou uma vitrine de influência em larga escala? Essa resposta pode redefinir o tamanho político do escândalo nas próximas semanas.


Você acha aceitável uma autoridade participar de evento com despesas pagas por empresa que depois vira alvo de investigação? Comente e compartilhe.

Fontes: Timeline, Poder360, CNN Brasil, Estado de Minas e Liberal.

Da Redação.

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