Novo depoimento reacende suspeitas no caso dos descontos do INSS
Lulinha e Careca do INSS: novo depoimento aumenta pressão sobre investigação que já mira bilhões
A investigação sobre o escândalo dos descontos indevidos em aposentadorias e pensões voltou a ganhar temperatura em Brasília. O novo capítulo envolve Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado pela Polícia Federal como personagem central no esquema sob apuração.
O ponto que acendeu o alerta agora é o depoimento da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha. Segundo o UOL, ela afirmou à Polícia Federal que apresentou Lulinha a Antônio Camilo Antunes em um “contexto social”. A declaração reforça uma linha de apuração que já buscava entender a natureza da relação entre o filho do presidente e o empresário investigado.
Mas a história não para aí.
De acordo com reportagem da Revista Timeline, o novo depoimento se soma a relatos anteriores que apontam aproximação entre Lulinha e o “Careca do INSS”, inclusive em agendas relacionadas a negócios no setor de cannabis medicinal em Portugal. A publicação afirma que investigadores analisam viagens, contatos empresariais, mensagens e possíveis estruturas societárias ligadas ao grupo econômico de Antunes.
O que está sob investigação?
A Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal, apura um esquema de descontos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. Segundo a Folha de S.Paulo, a investigação trata de um esquema que teria descontado mais de R$ 6 bilhões de beneficiários entre 2019 e 2024.
Antônio Carlos Camilo Antunes é tratado nas apurações como um dos principais nomes ligados ao suposto esquema. A Agência Brasil informou que o ministro André Mendonça, do STF, manteve a prisão do empresário em janeiro de 2026. Antunes é investigado por suposto envolvimento em descontos indevidos de mensalidades associativas em benefícios do INSS.
Quem é Roberta Luchsinger e por que ela importa?
Roberta Luchsinger entrou no centro da apuração porque, segundo o UOL, admitiu ter apresentado Lulinha ao “Careca do INSS”. Ela disse que a aproximação ocorreu em ambiente social e afirmou ter receio de que o contato fosse explorado politicamente após a deflagração da operação.
A Folha também informou que Roberta foi alvo de uma fase da Operação Sem Desconto e que a investigação apontou recebimento de recursos vindos de Antunes. A empresária nega irregularidades e diz estar sendo criminalizada pela amizade com o filho do presidente.
A viagem a Portugal virou peça-chave
Outro ponto sensível envolve uma viagem de Lulinha a Portugal. Segundo a Veja, a ex-marqueteira do PT Danielle Miranda Fonteles teria confirmado à Polícia Federal que Lulinha esteve no país para visitar uma fábrica de canabidiol ligada aos negócios de Antônio Camilo Antunes. A reportagem também afirma que, de acordo com o depoimento, Lulinha teria participado de reuniões relacionadas ao empreendimento, mas sem atuar diretamente nas negociações.

A Revista Oeste publicou versão semelhante, afirmando que Danielle relatou à PF que Lulinha participou de viagens e visitas técnicas organizadas por Antunes em Portugal, em instalações ligadas a um projeto de medicamentos à base de cannabis.
O Metrópoles já havia noticiado, em dezembro de 2025, que Danielle Fonteles atuou como representante de negócios de cannabis ligados ao “Careca do INSS” em Portugal, com base em mensagens obtidas pela coluna.
O ponto explosivo: relação social ou ponte de negócios?
Essa é a pergunta que agora move a narrativa política e investigativa.
De um lado, há depoimentos e reportagens indicando que Lulinha conheceu Antunes, viajou para Portugal e esteve em agendas relacionadas a negócios. De outro, a defesa de Lulinha nega envolvimento em irregularidades.
Segundo a Folha, os advogados de Lulinha afirmam que ele não participou de negociações, não investiu trabalho ou valores e não recebeu convite para associação, participação ou compra de cotas no projeto comercial ligado a Antunes. A reportagem também registra que Lulinha não foi indiciado nem considerado formalmente investigado no caso.
Ou seja: existe uma conexão admitida e relatada por testemunhas, mas, até o momento, isso não equivale a prova de crime.
O que o “Careca do INSS” disse?
Durante depoimento à CPMI do INSS, Antônio Carlos Camilo Antunes recusou-se a responder perguntas do relator, deputado Alfredo Gaspar, mas negou participação em fraude. Segundo o Senado, Antunes disse que as acusações contra ele seriam resultado de “desinformação e fake news” e afirmou que nunca foi o personagem descrito como “Careca do INSS”.
Ainda conforme o Senado, Antunes admitiu que uma de suas empresas prestou serviços a entidades responsáveis por descontos em aposentadorias, mas negou envolvimento no suposto esquema.
Por que isso tem impacto político?
Porque o caso mistura três elementos de alta combustão pública:
1. Aposentados e pensionistas supostamente lesados
A investigação envolve descontos indevidos em benefícios do INSS, tema de enorme impacto social.
2. Um empresário preso e chamado de operador do esquema
Antunes é apontado pela PF como figura relevante na engrenagem investigada e segue no centro das apurações.
3. O nome do filho do presidente
Mesmo sem indiciamento, a presença de Lulinha em depoimentos, viagens e contatos citados por testemunhas cria desgaste político inevitável para o governo.
O que se sabe com segurança até agora?
Roberta Luchsinger afirmou à PF que apresentou Lulinha a Antônio Camilo Antunes em contexto social.
Danielle Fonteles relatou que Lulinha participou de agendas em Portugal ligadas a negócios de cannabis medicinal vinculados a Antunes.
A Operação Sem Desconto investiga descontos indevidos em aposentadorias e pensões, com cifras que, segundo a Folha, passam de R$ 6 bilhões.
A defesa de Lulinha nega irregularidades e afirma que ele não participou de negociações nem investimentos no projeto.
Antônio Camilo Antunes nega participação em fraude.
O que ainda precisa ser esclarecido?
A Polícia Federal ainda precisa responder, com base em documentos, quebras de sigilo, mensagens e depoimentos, três perguntas centrais:
Lulinha apenas conheceu Antunes ou participou de algo além de agendas sociais e empresariais?
As viagens e reuniões em Portugal tinham caráter meramente exploratório ou integravam um plano de negócios mais estruturado?
Houve qualquer conexão entre os negócios privados citados e o dinheiro investigado no esquema do INSS?
Até que haja conclusão oficial, denúncia ou decisão judicial, o caso deve ser tratado como investigação em andamento.
O novo depoimento não condena Lulinha, mas aumenta a pressão sobre uma investigação que já nasceu explosiva. O caso envolve aposentados, bilhões em descontos suspeitos, empresários presos, depoimentos cruzados e agora o nome do filho do presidente no centro da narrativa pública.
A pergunta que fica é direta: essa relação foi apenas social e empresarial ou existe algo mais profundo que a Polícia Federal ainda tenta comprovar?
Essa resposta pode definir o tamanho real do escândalo.
Você acha que essa investigação deve avançar até o fim, independentemente de quem esteja envolvido?
Comente sua opinião e compartilhe esta matéria com quem precisa entender os bastidores desse caso.
Fontes: UOL; Folha de S.Paulo; Agência Brasil; Senado Notícias; Veja; Revista Oeste; Metrópoles e Revista Timeline.
Da Redação.
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