Impacto nas redes: influenciadores e o caso Banco Master

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Propostas sigilosas envolveriam pagamento e estratégia coordenada para criticar Banco Central e apoiar narrativa pública.

Nos últimos dias, circulam nas redes sociais e em relatos de influenciadores alegações de que profissionais digitais receberam propostas para produzir conteúdos em defesa do Banco Master e contra o Banco Central (BC), no contexto da liquidação da instituição financeira.

De acordo com influenciadores que divulgaram ter sido abordados, a oferta incluía remuneração e exigência de confidencialidade, segundo relatos publicados em plataformas como Instagram, X e outras redes. Usualmente essas propostas teriam sido feitas por meio de agências ou empresas de comunicação que atuariam em nome de interesses ligados ao banco.

Propaganda coordenada? O que se sabe

Conforme reportagem publicada pelo portal que originou a polêmica, pelo menos três influenciadores — Marcelo Rennó, Firmino Cortada e Paulo Cardoso — publicaram, em datas próximas, vídeos com narrativa convergente, criticando a atuação do Banco Central na liquidação do Master e destacando pontos favoráveis à instituição financeira.

Esses conteúdos eram visualmente similares, com abordagem e estilo parecidos — um sinal, para analistas, de que houve sincronização temporal e estética das publicações.

Ainda segundo essa apuração, mensagens internas e áudios indicam que alguns influenciadores receberam propostas formais com cláusulas contratuais que previam sigilo e exigências editoriais, como validação prévia do conteúdo antes da publicação.

Influenciadores negam vínculo ou pagamento

Vários dos influenciadores citados nas mensagens obtidas negaram publicamente que tenham firmado contrato ou que seus conteúdos tenham sido encomendados. Por exemplo, Firmino Cortada afirmou que seus vídeos são independentes, sem interferência de terceiros; outros nomes procurados ainda não se pronunciaram oficialmente.

Em paralelo, relatos publicados mais amplamente (inclusive em veículos nacionais) apontam que influenciadores e criadores digitais em diferentes nichos — inclusive fora do meio financeiro — relataram ter recebido propostas para divulgar conteúdos pró-Banco Master ou críticos ao Banco Central, mas muitos teriam recusado.

Contexto do caso Banco Master

Esse debate ocorre em meio a um dos maiores escândalos financeiros do país. Em novembro de 2025, o presidente do Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master, após investigações de irregularidades que envolvem emissão de títulos e promessas de retorno muito acima da média de mercado.

A sequência de acontecimentos incluiu ainda a prisão do principal controlador da instituição, Daniel Vorcaro, durante uma operação da Polícia Federal, e apurações sobre eventuais fraudes que podem ultrapassar a casa dos R$ 12 bilhões.

Nesse cenário, a atuação de influenciadores e como conteúdos foram produzidos e distribuídos nas redes ganham relevância — especialmente no plano jurídico e ético.

Aspectos legais e éticos

Do ponto de vista jurídico, não é proibido contratar influenciadores para defender um posicionamento. No entanto, autoridades e especialistas em regulação digital e publicidade alertam que é obrigatório identificar conteúdos patrocinados ou publicitários de forma clara, conforme as regras das plataformas e do Código de Defesa do Consumidor.

A falta de transparência sobre esse vínculo pode configurar publicidade enganosa por omissão, sujeita a sanções civis ou administrativas, e mesmo implicar responsabilizações legais em casos mais graves — sobretudo se o conteúdo tiver impacto direto no mercado financeiro ou no debate público.

O que os veículos oficiais dizem

Até o fechamento desta reportagem, o Banco Master não havia respondido oficialmente aos questionamentos enviados pelos veículos que investigaram as mensagens e propostas.


👉 Leia, compartilhe e diga o que você acha: influenciadores devem sempre revelar claramente quando há pagamento por conteúdo?

Fontes: Revista Oeste, Terra e VEJA

Da Redação.

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