Noruega vence por 2 a 1, elimina a Seleção e amplia o maior jejum da história.
O sonho do hexacampeonato terminou diante do adversário que o Brasil jamais conseguiu vencer.
Com dois gols de Erling Haaland na reta final, a Noruega derrotou a Seleção Brasileira por 2 a 1, neste domingo, 5 de julho, no New York/New Jersey Stadium, e avançou pela primeira vez às quartas de final de uma Copa do Mundo.
Neymar ainda descontou em cobrança de pênalti nos acréscimos, mas já era tarde. O Brasil está eliminado da Copa do Mundo de 2026 e continuará sem levantar o troféu conquistado pela última vez em 2002.
O erro que mudou o jogo
O Brasil teve a primeira grande oportunidade aos 13 minutos.
Matheus Cunha foi derrubado por Kristoffer Ajer dentro da área. O árbitro Ismail Elfath inicialmente mandou o jogo seguir, mas mudou a decisão após ser chamado pelo VAR.
Bruno Guimarães assumiu a cobrança. O volante tentou deslocar Ørjan Nyland, mas bateu sem força suficiente e viu o goleiro norueguês defender.
O erro encerrou uma sequência de 40 anos sem que o Brasil desperdiçasse um pênalti durante o tempo normal de uma partida de Copa. O último havia sido Zico, contra a França, em 1986.
A escolha do cobrador também chamou atenção. Bruno Guimarães não era o principal especialista disponível, enquanto Vinícius Júnior chegou a segurar a bola antes de entregá-la ao camisa 8. Neymar, outro cobrador habitual, começou no banco.
O herói improvável que estava sem clube
A defesa de Nyland ganhou contornos ainda mais surpreendentes.
Aos 35 anos, o goleiro estava sem clube desde 1º de julho, quando terminou seu contrato com o Sevilla. Reserva durante boa parte da passagem pela equipe espanhola, ele viveu contra o Brasil uma das maiores atuações de sua carreira.
Além do pênalti, Nyland impediu um gol de Vinícius Júnior e realizou outras intervenções decisivas durante a pressão brasileira.
Enquanto o Brasil desperdiçava suas oportunidades, a Noruega mostrava uma característica indispensável em jogos eliminatórios: eficiência.
Endrick teve o gol nos pés

Carlo Ancelotti colocou Endrick no lugar de Matheus Cunha aos 13 minutos do segundo tempo.
Logo em sua primeira participação, o atacante recebeu um passe preciso de Vinícius Júnior, rompeu a defesa e ficou frente a frente com Nyland.
Era a chance de abrir o placar e mudar completamente a partida. Endrick, porém, perdeu o controle da bola e finalizou para fora.
O Brasil teve duas oportunidades praticamente incontestáveis — um pênalti e uma finalização cara a cara — e não transformou nenhuma delas em gol.
Em Copa do Mundo, a diferença entre avançar e voltar para casa costuma estar justamente nesses detalhes.
Ancelotti entregou o controle do jogo
A estratégia brasileira foi marcada por linhas baixas, pouca pressão sobre a saída de bola norueguesa e aposta em contra-ataques.
A Noruega permaneceu mais tempo com a bola e conseguiu trocar mais que o dobro de passes da Seleção. Mesmo precisando vencer, o Brasil passou longos períodos observando o adversário circular a bola sem exercer pressão mais agressiva.
Neymar entrou aos 22 minutos do segundo tempo, acompanhado por Danilo Santos. O camisa 10 passou a atuar como falso centroavante, com Vinícius Júnior pela esquerda e Endrick deslocado para a direita.
A alteração, entretanto, não mudou imediatamente o comportamento coletivo. O Brasil continuou passivo, enquanto o treinador Ståle Solbakken tornou a Noruega mais rápida com Oscar Bobb e Andreas Schjelderup.
Foi justamente Schjelderup quem encontrou o caminho para Haaland.
Haaland apareceu quando mais importava

Durante boa parte da partida, Haaland foi bem controlado por Gabriel Magalhães e Marquinhos.
Mas grandes atacantes não precisam participar de todas as jogadas. Precisam decidir as jogadas certas.
Aos 34 minutos do segundo tempo, Schjelderup cruzou pela esquerda. Haaland usou sua força física, ganhou a disputa pelo alto e cabeceou sem chances para Alisson.
Dez minutos depois, o roteiro se repetiu. Schjelderup encontrou novamente o centroavante, que finalizou de fora da área e marcou o segundo gol norueguês.
Haaland chegou a sete gols no torneio, igualando-se aos líderes da artilharia naquele momento. O atacante também ampliou sua sequência para 14 partidas competitivas consecutivas marcando pela seleção norueguesa.
O Brasil criou mais. A Noruega decidiu melhor.
Neymar marcou, provocou e chorou

Já aos 55 minutos do segundo tempo, o Brasil recebeu outro pênalti após falta sobre Casemiro.
Dessa vez, Neymar assumiu a responsabilidade e converteu. O camisa 10 discutiu com Nyland e tentou acelerar o reinício da partida, mas não havia mais tempo para uma reação.
No apito final, Neymar desabou em lágrimas. A partida pode ter representado sua última aparição em uma Copa do Mundo, embora o jogador ainda não tenha oficializado uma decisão sobre o futuro na Seleção.
O gol diminuiu a diferença no placar, mas não apagou uma atuação brasileira marcada pela falta de intensidade, pelas chances desperdiçadas e pela incapacidade de impor autoridade diante de um adversário organizado.
Um tabu que virou trauma
Antes da partida, Brasil e Noruega haviam se enfrentado quatro vezes: duas vitórias norueguesas e dois empates.
A derrota deste domingo ampliou o retrospecto para três vitórias da Noruega e dois empates. O Brasil continua sem vencer o adversário em toda a história.
A lembrança mais famosa era a vitória norueguesa por 2 a 1 na Copa de 1998. Em 2026, novamente por 2 a 1, a Noruega transformou o antigo tabu em uma das eliminações mais dolorosas do futebol brasileiro.
A maior seca da Seleção em Copas
O Brasil não chega às quartas de final pela primeira vez desde 1990.
A eliminação também confirma o maior período da história sem um título mundial. Quando a próxima Copa começar, em 2030, terão se passado 28 anos desde o pentacampeonato conquistado no Japão.
O problema não pode ser reduzido a um único jogador.
Bruno Guimarães perdeu o pênalti. Endrick desperdiçou uma oportunidade clara. A defesa permitiu que Haaland decidisse duas vezes. Ancelotti adotou uma estratégia excessivamente cautelosa. E a Seleção voltou a demonstrar dificuldade para reagir quando o peso de uma partida eliminatória aumentou.
Responsabilidade não significa procurar um culpado isolado. Significa reconhecer que talento sem organização, coragem e execução não conquista uma Copa do Mundo.
Ficha da partida
Brasil 1 x 2 Noruega
Local: New York/New Jersey Stadium, Estados Unidos
Data: 5 de julho de 2026
Gols: Haaland, aos 34 e 44 minutos do segundo tempo; Neymar, aos 55 minutos do segundo tempo
Árbitro: Ismail Elfath, dos Estados Unidos
Brasil: Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos; Casemiro, Bruno Guimarães, Gabriel Martinelli e Matheus Cunha; Vinícius Júnior e Rayan. Técnico: Carlo Ancelotti.
Noruega: Nyland; Ryerson, Ajer, Møller Wolfe e Heggen; Berg, Berge e Ødegaard; Sørloth, Nusa e Haaland. Técnico: Ståle Solbakken.
E agora, quem deve assumir a responsabilidade?
A eliminação encerra mais um ciclo cercado de expectativa e abre uma discussão inevitável sobre o futuro da Seleção.
Ancelotti deve permanecer e receber tempo para reconstruir o time? A CBF precisa mudar seu modelo de planejamento? Ou faltou atitude aos jogadores nos momentos decisivos?
Participe da discussão: quem foi o principal responsável pela eliminação — comissão técnica, jogadores ou direção da CBF? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a matéria com quem acompanhou esse pesadelo até o fim.
Fontes: FIFA; Reuters; UOL; ge; Folha de S.Paulo; CNN Brasil e The Guardian.
Da Redação.
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