Governador mexicano é ligado ao Cartel de Sinaloa

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EUA acusam Rubén Rocha Moya de facilitar tráfico em troca de apoio político e propinas.

Governador mexicano é ligado ao Cartel de Sinaloa em acusação explosiva dos EUA

EUA afirmam que Rubén Rocha Moya e outros 9 atuais e ex-integrantes do governo de Sinaloa teriam colaborado com o cartel para enviar drogas ao território americano

Uma acusação pesada, com potencial para estremecer as relações entre México e Estados Unidos, colocou o governador de Sinaloa, Rubén Rocha Moya, no centro de uma crise internacional.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos tornou pública uma denúncia contra 10 atuais e ex-autoridades mexicanas, incluindo o governador de Sinaloa, por supostos crimes ligados ao tráfico de drogas e armas. Segundo os procuradores americanos, o grupo teria atuado em parceria com o Cartel de Sinaloa, uma das organizações criminosas mais conhecidas do mundo.

A acusação é grave: Rocha Moya e outros nomes de alto escalão teriam, segundo os EUA, protegido operações do cartel, recebido apoio político, aceitado propinas e permitido a entrada de grandes quantidades de drogas no território americano.

Mas o caso também abriu outra frente explosiva: o governo mexicano afirma que os EUA ainda precisam apresentar provas claras antes de qualquer prisão ou extradição.

Quem é o governador acusado?

Rubén Rocha Moya é governador do estado mexicano de Sinaloa, região historicamente associada à atuação do cartel fundado por Joaquín “El Chapo” Guzmán.

Rocha é ligado ao partido Morena, o mesmo da presidente mexicana Claudia Sheinbaum, e também é apontado como aliado político do ex-presidente Andrés Manuel López Obrador. A acusação contra ele, por isso, ultrapassa o campo policial e entra diretamente no tabuleiro político mexicano.

Segundo a Reuters, Rocha negou as acusações e afirmou que elas não têm “verdade ou fundamento”, classificando o caso como um ataque ao movimento político que governa o México.

O que os EUA dizem que aconteceu?

De acordo com o Departamento de Justiça americano, Rocha Moya e outros funcionários públicos teriam se associado ao Cartel de Sinaloa para permitir a distribuição de grandes quantidades de entorpecentes nos Estados Unidos.

A denúncia cita crimes relacionados a conspiração para importação de narcóticos e armas. Entre os nomes citados estão:

Rubén Rocha Moya, governador de Sinaloa;
Enrique Inzunza Cázarez;
Enrique Díaz Vega;
Dámaso Castro Zaavedra;
Marco Antonio Almanza Avilés;
Alberto Jorge Contreras Núñez, conhecido como “Cholo”;
Gerardo Mérida Sánchez;
José Antonio Dionisio Hipólito, conhecido como “Tornado”;
Juan de Dios Gámez Mendívil;
Juan Valenzuela Millán, conhecido como “Juanito”.

O Departamento de Justiça afirma ainda que Juan Valenzuela Millán também foi acusado em conexão com sequestros que resultaram na morte de uma fonte da DEA e de um familiar dessa pessoa.

A parte mais explosiva: eleição, cartel e “Los Chapitos”

Um dos pontos mais fortes da denúncia envolve a eleição de Rocha Moya em 2021.

Segundo a acusação americana, o governador teria recebido apoio de uma facção do Cartel de Sinaloa conhecida como “Los Chapitos”, ligada aos filhos de Joaquín “El Chapo” Guzmán.

A denúncia afirma que o grupo teria intimidado e sequestrado adversários políticos para favorecer a vitória de Rocha. Em troca, segundo os EUA, o governador teria prometido permitir que a facção operasse com impunidade em Sinaloa.

O Los Angeles Times também reportou que a acusação americana descreve instituições de Sinaloa supostamente colocadas a serviço da facção dos Chapitos, com envio de fentanil, cocaína, heroína e metanfetamina aos Estados Unidos.

México reage: “Não aceitaremos interferência estrangeira”

A presidente Claudia Sheinbaum reagiu com cautela e firmeza.

Ela afirmou que o México não protegerá ninguém que tenha cometido crime, mas disse que os EUA precisam apresentar provas claras e robustas. Sem isso, segundo ela, a acusação pode ter motivação política.

A Associated Press informou que o governo mexicano prometeu abrir uma investigação própria e avaliar se há elementos suficientes para sustentar as acusações feitas em Nova York.

O governo mexicano também afirmou que recebeu o pedido de extradição dos EUA, mas que ele não traria provas suficientes para justificar prisões imediatas.

Por que esse caso é tão grave?

Porque não se trata apenas de mais uma operação contra narcotraficantes.

O ponto central é que os Estados Unidos acusam autoridades públicas mexicanas de alto escalão de terem protegido um cartel em troca de poder político e dinheiro.

Isso cria três efeitos imediatos:

1. Crise diplomática entre México e EUA

O caso coloca pressão direta sobre Claudia Sheinbaum, que precisa responder às acusações sem parecer conivente com o crime organizado e, ao mesmo tempo, sem aceitar interferência externa no sistema político mexicano.

2. Risco de abalo no partido Morena

Como Rocha Moya é do mesmo partido da presidente, o caso pode atingir a imagem do governo mexicano e virar munição política para adversários internos e externos.

3. Reforço da ofensiva americana contra cartéis

A denúncia mostra uma mudança de escala: os EUA não estão mirando apenas chefes do tráfico, mas também políticos e agentes públicos que, segundo os procuradores, teriam garantido proteção institucional ao cartel.

Acusação ainda precisa ser provada

Apesar da força da denúncia, é importante destacar: Rubén Rocha Moya e os demais citados são acusados, não condenados.

A defesa e o governo mexicano contestam a solidez das provas. O processo ainda deve passar por etapas judiciais, pedidos formais de cooperação e eventual análise de extradição.

Ou seja: o caso é explosivo, mas ainda está em disputa jurídica, política e diplomática.

O que acontece agora?

O governo mexicano deve avaliar as informações enviadas pelos EUA e decidir se abre procedimentos internos, se aceita colaborar com pedidos de extradição ou se rejeita a acusação por falta de provas.

Enquanto isso, Washington tenta transformar o caso em um recado internacional: autoridades públicas acusadas de colaborar com cartéis também podem ser processadas fora de seus países.

O desfecho pode abrir um precedente enorme para a América Latina.

Se as acusações avançarem, o caso Rocha Moya poderá se tornar um dos maiores escândalos recentes envolvendo política, narcotráfico e soberania nacional no continente.


Você acha que os EUA estão expondo uma rede de corrupção internacional ou interferindo na política mexicana? Comente sua opinião e compartilhe esta matéria.

Fontes: Departamento de Justiça dos Estados Unidos, Reuters, Associated Press, Los Angeles Times, Veja e Gazeta do Povo.

Da Redação.

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