Temporais, granizo e vento atingem o Sul e avançam sobre áreas de SP.
O Brasil entrou nesta terça-feira, 26 de maio de 2026, em uma nova rodada de instabilidade: uma frente fria, combinada com uma área de baixa pressão próxima ao Sul do país, abriu corredor para chuva forte, temporais, rajadas de vento e risco pontual de granizo em diferentes regiões. A situação foi apontada em previsão da Climatempo, publicada pelo Canal Rural, em reportagem assinada por Hildeberto Jr.
E aqui está o ponto que merece atenção: não é uma mudança de tempo uniforme. Enquanto o Sul enfrenta o núcleo mais instável, São Paulo entra no radar para pancadas de chuva, o Norte segue com acumulados elevados e parte do Centro-Oeste sente o outro extremo: tempo seco e umidade baixa. O INMET também confirma a concentração de instabilidades entre Norte, Nordeste, Sul e trechos do Sudeste nesta terça e quarta-feira.
O que está provocando essa virada no tempo?
A engrenagem meteorológica envolve três elementos principais: frente fria, baixa pressão atmosférica e cavado meteorológico. Na prática, essa combinação aumenta a formação de nuvens carregadas, favorece chuva moderada a forte e pode gerar temporais localizados.
A MetSul Meteorologia, em análise da meteorologista Estael Sias, aponta que uma área de baixa pressão atua sobre o Sul do Brasil e deve se converter em ciclone extratropical ao alcançar o Atlântico entre terça e quarta-feira. A própria MetSul ressalta que não se trata de um ciclone profundo nem intenso, mas que o sistema tem força suficiente para mexer com o tempo no Sul e em parte do Sudeste.
Sul do Brasil: chuva forte, trovoadas e risco de granizo
O Sul está no centro da instabilidade. Segundo a previsão publicada pelo Canal Rural, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná têm condições para chuva moderada a forte, com maior risco no sul e oeste do Paraná, oeste catarinense e áreas do norte gaúcho. As rajadas podem variar de 40 km/h a 50 km/h, chegando a 70 km/h no sul de Santa Catarina.
A MetSul também registrou acumulados relevantes no Rio Grande do Sul na segunda-feira, 25, com volumes de 41 mm em Santo Ângelo e Campo Novo, 40 mm em Santo Cristo e 34 mm em Ajuricaba, entre outras cidades. Para terça-feira, a baixa pressão ainda favorece chuva em centenas de municípios gaúchos, catarinenses e paranaenses, com risco localizado de granizo.
São Paulo entra no mapa da chuva
No Sudeste, a manhã começou com tempo mais firme em muitas áreas, mas a instabilidade avança ao longo do dia. A Climatempo, em conteúdo publicado pelo Canal Rural, cita chance de chuva com trovoadas em regiões como Campinas, São Carlos e Botucatu até a noite. Também há atenção para o interior, litoral e sul paulista, além do Sul de Minas e Rio de Janeiro.
Na capital paulista, o CGE da Prefeitura de São Paulo registrou manhã fria, céu encoberto e média de 17°C nesta terça-feira. A previsão indica máxima de 24°C, com retorno das instabilidades à tarde e chuvas de fraca a moderada intensidade. Para quarta-feira, 27, o tempo deve seguir fechado, com chuviscos e máxima que não deve passar de 21°C.
Para o interior paulista, o IPMet/Unesp, com boletim da meteorologista Rita de Cássia César Moreira de Cerqueira, indicou céu parcialmente nublado a nublado e possibilidade de chuvas fracas em áreas isoladas no curto prazo. Em cidades da região, o boletim apontava máxima de 28°C em Campinas, 28°C em Piracicaba, 29°C em Rio Claro e 26°C em São Carlos nesta terça-feira.
Norte e Nordeste também exigem atenção
Enquanto o Sul lida com frente fria e baixa pressão, o Norte segue sob influência de calor, umidade e atuação da Zona de Convergência Intertropical, favorecendo pancadas fortes em Roraima, Amapá, Amazonas e norte do Pará. O Canal Rural aponta risco de temporais em grande parte de Roraima, norte e oeste do Amapá e extremo noroeste do Pará.
O INMET reforça que, entre 25 de maio e 1º de junho, os maiores volumes de chuva devem se concentrar em áreas da Região Norte, com acumulados que podem ultrapassar 200 mm em sete dias em pontos de Roraima, Amapá, norte do Amazonas e norte do Pará.
No Nordeste, a chuva se concentra principalmente no litoral. A previsão indica precipitações no litoral leste entre Rio Grande do Norte e Sergipe, além do litoral da Bahia, com destaque para áreas entre Paraíba e Pernambuco. O interior nordestino, por outro lado, segue com predomínio de tempo firme e baixa umidade em alguns pontos.
Centro-Oeste: menos chuva, mais secura
No Centro-Oeste, o cenário é outro. O tempo permanece mais firme na maior parte da região, mas Mato Grosso do Sul pode receber pancadas isoladas, especialmente no sul, sudoeste e sudeste do estado. Já no norte de Goiás, a umidade relativa do ar pode ficar abaixo de 30%, condição que aumenta desconforto respiratório e risco de queimadas.
O INMET também indica padrão típico do período seco em grande parte do centro do país, incluindo áreas do Tocantins, leste de Rondônia, Sertão Nordestino, Centro-Oeste e parte de Minas Gerais.
Vai piorar ou passa rápido?
A tendência é que a instabilidade mais forte no Sul perca força a partir de quarta-feira, 27, com avanço de ar mais seco e queda nas temperaturas mínimas, especialmente em áreas serranas. O INMET prevê mínima em torno de 6°C na região serrana do Sul após a passagem da frente fria.
A MetSul também aponta que o sistema de baixa pressão tende a se afastar da costa sobre o Atlântico ao longo da quarta-feira. O vento mais intenso deve ficar principalmente em alto-mar, com rajadas entre 80 km/h e 100 km/h longe da costa, enquanto em terra firme o risco de vento severo é menor.
O alerta para a população
A orientação é simples, mas decisiva: moradores de áreas com histórico de alagamentos, quedas de árvores ou enxurradas devem acompanhar os avisos oficiais do INMET, Defesa Civil local e órgãos municipais de monitoramento.
Em caso de chuva forte, o ideal é evitar atravessar áreas alagadas, não se abrigar debaixo de árvores durante descargas elétricas e redobrar atenção em rodovias, principalmente no Sul, litoral, interior paulista e áreas de serra.
A frente fria desta semana não chega sozinha. Ela vem acompanhada de baixa pressão, instabilidade, vento e risco pontual de granizo. Para boa parte do país, o tempo muda rápido. Para outras regiões, o perigo está no oposto: a secura.
O recado dos meteorologistas é claro: a semana exige atenção, principalmente em áreas do Sul, de São Paulo, do Norte e do litoral do Nordeste.
Você sentiu a virada no tempo na sua cidade?
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Fontes: Canal Rural / Climatempo, INMET, MetSul Meteorologia, CGE da Prefeitura de São Paulo e IPMet/Unesp.
Da Redação.
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