Na AgroBrasília, senador critica burocracia, juros altos e promete ficar ao lado do produtor rural.
O discurso foi direto — e mirou em um dos setores mais estratégicos do país.
Durante passagem pela AgroBrasília 2026, uma das maiores feiras de tecnologia e negócios do agronegócio brasileiro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que o produtor rural enfrenta uma combinação perigosa: impostos altos, crédito caro, insegurança jurídica e excesso de burocracia.
A presença do parlamentar ocorreu na sexta-feira, 22 de maio, ao lado de nomes como a deputada federal Bia Kicis e o senador Izalci Lucas, ambos do PL, em uma agenda de forte apelo político junto ao setor produtivo. Segundo a Revista Oeste, Flávio conversou com produtores, empresários e representantes do agro durante o evento.
O recado: “o governo não pode atrapalhar”
Flávio Bolsonaro criticou a condução da política econômica federal voltada ao campo e afirmou que o Brasil precisa criar um ambiente mais favorável para quem produz, investe e gera empregos.
Em fala registrada pela Revista Oeste, o senador defendeu redução da carga tributária, simplificação de regras ambientais, segurança jurídica e facilidade no licenciamento ambiental.
A crítica conversa diretamente com uma pauta antiga do agro: menos instabilidade regulatória e mais previsibilidade para produzir.
Por que a AgroBrasília virou palco político?
A escolha do local não foi aleatória.
A AgroBrasília é um termômetro do setor. Na edição anterior, segundo dados oficiais da feira, foram mais de 188 mil visitantes, R$ 5 bilhões em negócios e 564 expositores.
Ou seja: não é apenas uma feira. É vitrine econômica, ponto de encontro político e espaço onde o agronegócio mede força, influência e pressão sobre Brasília.
O pano de fundo: crédito cresce, mas o produtor pisa no freio
O governo federal afirma que o crédito rural empresarial chegou a R$ 404 bilhões entre julho de 2025 e março de 2026, alta de 10% sobre a safra anterior. Mas o próprio Ministério da Agricultura aponta retração em linhas tradicionais: custeio caiu 11% nas contratações e investimento recuou 16%.
O boletim também atribui parte da cautela do setor às taxas de juros vigentes, o que reforça a reclamação de produtores sobre financiamento mais caro.
Segurança jurídica virou palavra-chave
A preocupação não é isolada. A Câmara dos Deputados registrou que a Agenda Legislativa do Agro 2026, apresentada pela CNA, tem dois eixos centrais: segurança jurídica e ambiente de negócios, além de competitividade e mercado internacional.
Para representantes do setor, temas como direito de propriedade, demarcação de terras, tributação, licenciamento e infraestrutura continuam no centro da disputa política.
Análise: discurso técnico ou movimento eleitoral?
A fala de Flávio tem dois efeitos ao mesmo tempo.
De um lado, ecoa demandas reais do produtor rural: crédito, impostos, segurança jurídica e previsibilidade. De outro, reforça a aproximação do senador com uma base politicamente estratégica para 2026: o agronegócio.
A questão que fica é objetiva: o discurso vai se transformar em proposta concreta ou ficará restrito ao palanque?
No campo, a cobrança costuma ser direta. Produtor não quer apenas aplauso em feira. Quer regra clara, crédito acessível e governo que não mude o jogo no meio da safra.
Você acha que o agro sofre com excesso de impostos e burocracia ou o setor precisa de mais controle? Comente sua opinião e compartilhe esta matéria.
Fontes: Revista Oeste; Diário360; Gazeta do Povo; AgroBrasília; Ministério da Agricultura e Pecuária; Agência Câmara Notícias; CNA.
Da Redação.
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