Fim da viagem: Limeira zera fila da hemodiálise

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Nova ala abre 32 vagas, traz pacientes de volta e encerra deslocamentos para outras cidades.

Durante meses, moradores de Limeira enfrentaram uma rotina desgastante: sair da cidade várias vezes por semana para realizar um tratamento indispensável à sobrevivência.

Agora, esse cenário começa a mudar.

A Prefeitura de Limeira e a Santa Casa inauguraram, em 14 de julho de 2026, uma nova ala de hemodiálise com oito máquinas e oito poltronas. A expansão permite a abertura de 32 novas vagas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e, segundo o município, será suficiente para atender todos os pacientes limeirenses que dependem do procedimento.

Mas a conquista também revela uma pergunta incômoda: por que pacientes precisaram esperar, viajar ou permanecer internados até que a ampliação finalmente saísse do papel?

O que muda na prática

A admissão dos novos pacientes será gradual e começa em 1º de agosto de 2026.

Com a ampliação, a quantidade de poltronas destinadas ao atendimento ambulatorial pelo SUS passa de 26 para 34. O novo espaço deverá funcionar nos períodos da manhã e da tarde.

A Santa Casa acompanha atualmente 231 pacientes em tratamento de hemodiálise.

Entre os beneficiados diretamente estão:

moradores que aguardavam o início do tratamento;
pacientes obrigados a viajar para municípios da região;
pessoas que permaneciam internadas por falta de vaga ambulatorial;
famílias que precisavam reorganizar toda a rotina em torno dos deslocamentos.

De acordo com o provedor da Santa Casa, Wilson Rocha, 17 pacientes de Limeira realizavam hemodiálise fora do município e poderão retornar para perto de casa.

Oito pacientes ocupavam leitos por falta de vaga

Um dos dados mais graves divulgados pela Prefeitura mostra o impacto que a falta de estrutura provocava dentro do próprio hospital.

Antes da ampliação, oito pacientes permaneciam internados apenas porque não havia vaga disponível para realizar a hemodiálise em regime ambulatorial.

Com a abertura da nova ala, essas pessoas poderão deixar a internação e continuar o tratamento ambulatorial. Na prática, a mudança também libera leitos de enfermaria para cirurgias, emergências e outras demandas hospitalares.

Não se trata, portanto, apenas da compra de equipamentos.

A ampliação reorganiza parte da estrutura hospitalar, reduz internações prolongadas e pode melhorar o atendimento de pacientes que sequer possuem doença renal.

Investimento público chegou a R$ 556 mil

A reforma e a adequação física da nova ala foram realizadas com recursos próprios da Santa Casa.

Já a Prefeitura investiu R$ 556.288 na aquisição das oito máquinas de hemodiálise e das oito poltronas. Segundo a administração municipal, os recursos vieram de emendas parlamentares federais e estaduais.

O prefeito Murilo Félix declarou que a ampliação permitirá que 100% dos pacientes limeirenses sejam tratados dentro da cidade.

Também participaram da articulação e da inauguração o secretário interino de Saúde, Alexandre Ferrari, o provedor Wilson Rocha, o vice-provedor José Mário Bozza Gazzetta e os vereadores Nilton Santos, Mara Isa Mattos Silveira e Dr. Marcelo Rossi.

Projeto anunciado com 25 vagas terminou com 32

Há um detalhe importante na cronologia da expansão.

Em março de 2026, a Câmara Municipal divulgou que a ampliação planejada deveria elevar o número de máquinas de 27 para 35 e criar aproximadamente 25 vagas.

Na inauguração, entretanto, a capacidade oficialmente anunciada chegou a 32 novas vagas. A estrutura final, portanto, superou a projeção inicialmente divulgada.

Na ocasião do anúncio, o vereador Dr. Marcelo Rossi, autor de uma indicação solicitando a expansão, afirmou que já existiam pacientes na fila e moradores debilitados que precisavam se deslocar para outras cidades.

O contraste entre março e julho mostra que a pressão por novas vagas não surgiu de repente. A demanda era conhecida e vinha sendo debatida havia meses.

Quem decide a entrada dos pacientes?

Apesar de o tratamento ocorrer na Santa Casa, o hospital não escolhe diretamente quem será atendido.

As vagas do SUS são reguladas pelo Sistema Informatizado de Regulação do Estado de São Paulo, o SIRESP. É o sistema estadual que organiza a fila e distribui os pacientes de acordo com critérios clínicos e regulatórios.

Isso significa que pacientes e familiares devem acompanhar os encaminhamentos pela rede pública de saúde. A inauguração da ala não elimina os procedimentos médicos e administrativos necessários para a entrada no serviço.

Por que a hemodiálise não pode esperar?

A hemodiálise é indicada quando os rins perdem a capacidade de filtrar adequadamente o sangue.

Durante o procedimento, uma máquina remove toxinas, excesso de líquidos e outras substâncias que deveriam ser eliminadas naturalmente pelo organismo.

Em muitos casos, o tratamento é realizado três vezes por semana em uma clínica especializada. Dependendo da condição do paciente, a terapia pode continuar por tempo indeterminado ou até a realização de um transplante renal.

A rotina é pesada.

Além das horas ligadas ao equipamento, o paciente enfrenta deslocamentos, consultas, exames e restrições alimentares e de líquidos. Quando o tratamento é feito em outra cidade, o desgaste físico e emocional se multiplica.

Por isso, garantir vagas no próprio município não representa apenas conveniência. Representa segurança, dignidade e continuidade assistencial.

O alerta nacional por trás da conquista de Limeira

A expansão acontece em meio ao crescimento da doença renal no Brasil.

O Censo Brasileiro de Diálise de 2024 estimou 172.585 pacientes em diálise no país, com 52.944 pessoas iniciando o tratamento somente naquele ano.

Segundo o levantamento, 87,3% dos pacientes prevalentes estavam em hemodiálise. A taxa bruta estimada de mortalidade anual foi de 16,5%.

Dados do Observatório da Sociedade Brasileira de Nefrologia mostram que, entre janeiro e julho de 2025, o SUS registrou 155.428 pacientes em terapia renal substitutiva. Desse total, 149.002 estavam em hemodiálise.

No mesmo período, ocorreram 42.483 internações por doença renal crônica e 28.531 por lesão renal aguda.

Os números deixam claro que abrir vagas é fundamental — mas agir apenas quando o paciente já depende de uma máquina não basta.

O próximo desafio: impedir que novos pacientes cheguem à máquina

O secretário interino Alexandre Ferrari afirmou que Limeira pretende ampliar as ações de prevenção na Atenção Básica e estuda a implantação de um ambulatório pré-dialítico.

A administração também avalia alternativas como a hemodiálise domiciliar.

Esse pode ser o ponto mais decisivo da história.

Hipertensão e diabetes estão entre os principais fatores associados à progressão da doença renal crônica. Diagnóstico precoce, acompanhamento médico, controle da pressão e monitoramento da função renal podem retardar o avanço da doença em muitos pacientes.

A nova ala resolve uma urgência concreta. Porém, o verdadeiro teste para o poder público começa agora: garantir manutenção dos equipamentos, profissionais suficientes, medicamentos, acompanhamento contínuo e prevenção para que uma nova fila não apareça nos próximos anos.

Avanço merece reconhecimento — e fiscalização

A inauguração das 32 vagas representa uma vitória para pacientes, familiares, profissionais da saúde e para toda a cidade.

Moradores poderão deixar de percorrer estradas várias vezes por semana. Leitos hospitalares serão liberados. Pessoas que aguardavam atendimento finalmente poderão iniciar o tratamento.

Mas saúde pública não pode sobreviver apenas de inaugurações.

A população deve acompanhar se as 32 vagas serão efetivamente ocupadas, se os 17 pacientes tratados fora de Limeira retornarão, se os oito internados serão encaminhados ao atendimento ambulatorial e se a estrutura será suficiente diante do crescimento futuro da demanda.

A ala foi entregue. Agora, transparência, eficiência e continuidade precisam manter as máquinas funcionando.


Você conhece alguém que precisava viajar para fazer hemodiálise?  Compartilhe esta matéria com pacientes e familiares de Limeira. Conte nos comentários como era a rotina de deslocamento e cobre das autoridades a divulgação periódica da ocupação das vagas, da fila regulada e dos resultados da nova estrutura. Informação também salva vidas.

Fonte: Governo de Limeira.

Da Redação.

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