EUA retiram sanções de presidente sírio e ministro do Interior

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Decisão histórica pavimenta reaproximação diplomática entre Washington e Damasco

Em um movimento que redefine a política dos Estados Unidos no Oriente Médio, a administração do Donald Trump anunciou a retirada das sanções sobre o presidente sírio Ahmed al‑Sharaa e o ministro do Interior sírio Anas Khattab. A medida se dá após aprovação de resolução no Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU) – e sinaliza uma virada estratégica de Washington em relação à Síria.

O que mudou

Os EUA removeram a classificação de “Terrorista Especialmente Designado Global” (SDGT) para Al-Sharaa e Khattab, conforme notificação do Departamento do Tesouro

No dia anterior, o CSNU votou 14 a 0 (com a China se abstendo) para tirar ambos da lista de sanções do organismo.

A Casa Branca já havia emitido, em junho de 2025, uma ordem executiva terminando o programa de sanções dos EUA contra a Síria — embora mantendo sanções sobre o ex-presidente Bashar al‑Assad, seus associados e outros que cometeram abusos.

Por que aconteceu

Segundo o porta-voz adjunto do Departamento de Estado, Tommy Pigott, “essa nova liderança síria, sob al-Sharaa, está trabalhando ativamente para localizar americanos desaparecidos, cumprir compromissos contra o terrorismo e narcóticos, eliminar remanescentes de armas químicas e promover segurança regional e estabilidade”.

Além disso, Trump disse que o objetivo é “dar à Síria uma chance de acertar” (‘give them a fighting shot’).

Impactos diplomáticos e geopolíticos

Para os EUA: a retirada das sanções abre caminho para uma normalização diplomática com Damasco, ampliando o envolvimento dos EUA em reconciliação no Oriente Médio.

Para a Síria: o governo de al-Sharaa, que substituiu Assad em dezembro de 2024, obtém reconhecimento internacional e pode atrair investimentos e apoio para reconstrução.

Ao conflito regional: a medida pode alterar alianças na região, especialmente envolvendo Rússia, Irã, Turquia e os países árabes, além de afetar grupos de oposição e vigilância de terrorismo.

Para a política antiterrorista: apesar da retirada das sanções, permanece entre as preocupações: laços passados de al-Sharaa com o grupo Hay’at Tahrir al‑Sham (HTS) — ligado à al‑Qaeda até 2016 — e a necessidade de monitorar de perto eventuais recaídas.

Críticas e alertas

Há quem, tanto dentro como fora da comunidade internacional, alerte que a retirada das sanções é prematura, dado que ainda persistem questões cruciais na Síria: direitos humanos, reconstrução sem favorecimento de antigos abusadores, e risco de vacância democrática.

A China, por exemplo, absteve-se na votação do CSNU citando preocupações com lacunas no combate ao terrorismo — especificamente com relação a milícias de uigures que operam na Síria.

O que vem agora?

O presidente Trump e o governo de al-Sharaa têm encontro previsto na Casa Branca — uma visita histórica, a primeira de um presidente sírio aos EUA desde a independência da Síria em 1946.

Há pressão no Congresso dos EUA para derrubar ou modificar a lei norte-americana conhecida como Caesar Syria Civilian Protection Act — que impõe sanções amplas sobre a Síria desde 2019 — embora seu fim total dependa de votação legislativa.

A reconstrução da Síria, o controle sobre antigos grupos rebeldes e a política de segurança regional vão continuar no centro das atenções diplomáticas.


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Fonte: JNS.

Da Redação.

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