Tesouro dos EUA acusa banco de lavar dinheiro ligado a Irã, Rússia e Venezuela e pode barrar transações em dólar.
Washington/Zürich – O governo dos Estados Unidos elevou nesta quinta-feira (26) a pressão sobre o sistema financeiro internacional ao propor uma regra que pode desconectar o banco suíço MBaer Merchant Bank AG do sistema financeiro americano, citando alegações de envolvimento em atividades ligadas a Irã, Rússia e Venezuela.
A medida, anunciada pelo Departamento do Tesouro dos EUA, se destaca por usar um dos instrumentos mais poderosos disponíveis: a possibilidade de cortar o acesso de uma instituição ao sistema financeiro baseado no dólar, um dos pilares do comércio global.
O que foi proposto?
O Tesouro publicou um aviso de proposed rulemaking (regra proposta) que, se aprovado de forma final, proibiria bancos norte-americanos de manterem contas correspondentes para o MBaer — ou seja, contas que permitem operações financeiras internacionais em dólar.
Esse tipo de ação tem impacto direto porque o dólar ainda é a moeda central do sistema global de pagamentos: sem contas correspondentes nos EUA, um banco estrangeiro perde grande parte de sua capacidade de movimentar dinheiro internacionalmente.
🔍 As alegações
Segundo a proposta, o governo norte-americano afirma que o banco suíço:
- Facilitou lavagem de dinheiro ligada a redes corruptas na Rússia;
- Processou transações relacionadas a atividades ilícitas do Irã, incluindo possíveis ligações com o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica e sua Quds Force;
- Esteve envolvido em operações associadas a atividades de corrupção venezuelana.
O Secretário do Tesouro, Scott Bessent, declarou que “MBaer canalizou mais de cem milhões de dólares pelo sistema financeiro dos EUA em nome de atores ilícitos vinculados ao Irã e Rússia” e alertou bancos globais de que “a integridade do sistema será protegida com toda autoridade disponível”.
🧩 Contexto histórico e diplomático
Essa proposta surge em meio a uma fase de crescente rivalidade geopolítica entre Washington e Teerã, que inclui sanções recorrentes, negociações nucleares e tensões militares na região do Oriente Médio. Ao mesmo tempo, os EUA também têm mantido sanções financeiras e bancárias mais amplas contra instituições russas por causa da guerra na Ucrânia.
A ação contra o MBaer não é a primeira tentativa americana de isolar instituições suspeitas: a história recente inclui a exclusão de bancos russos e iranianos do sistema SWIFT, um sistema global de mensagens financeiras usado por milhares de instituições, como forma de pressionar economias consideradas desestabilizadoras pela Casa Branca.
⚖️ Resposta de autoridades suíças
O regulador financeiro suíço, a FINMA, confirmou que está em contato com a instituição e com as autoridades americanas. Segundo relatórios, a FINMA concluiu procedimentos de aplicação de regras contra o banco semanas antes, mas ainda enfrenta apelações legais que tornam a situação incerta.
Isso significa que, no curto prazo, não há ação automática de exclusão — mas o cenário pode mudar conforme o processo regulatório e judicial se desenrole na Suíça.
📉 Implicações econômicas e diplomáticas
Analistas globalistas destacam que, se aprovada de forma definitiva, a medida:
- Pressiona bancos estrangeiros a revisarem relações com instituições sob suspeita;
- Intensifica a disputa pelo papel do dólar como moeda dominante;
- Impacta negociações diplomáticas com Teerã e Moscou;
- Eleva o risco de retaliações econômicas e políticas desses governos.
Especialistas lembram que medidas semelhantes já foram usadas contra instituições russas no passado para dificultar acesso ao sistema financeiro global em resposta a conflitos e sanções internacionais.
📌 Próximos passos
O aviso publicado pelo FinCEN, órgão de fiscalização financeira dos EUA, abre um período de 30 dias para comentários públicos antes da regra ser finalizada ou ajustada. Caso confirmada, a ação pode se tornar um marco nas políticas de sanções financeiras contra entidades suspeitas de operar em zonas de conflito ou sob investigação de lavagem de ativos.
Fique ligado: essa pode ser a maior reviravolta nas sanções financeiras internacionais em anos — com impacto direto no mercado global e nas relações diplomáticas.
Fonte: Reuters.
Da Redação.
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