Carros elétricos: roubos disparam 101% em SP

Bateria instalada sob o assoalho de um carro elétrico em oficina, com iluminação vermelha e azul ao fundo, representando o aumento dos roubos e desmanches clandestinos de veículos eletrificados.
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Carros elétricos e híbridos tornaram-se alvos mais frequentes de quadrilhas especializadas em São Paulo.

Entre janeiro e maio de 2026, foram registradas 107 ocorrências, contra 53 no mesmo período de 2025. O principal interesse está nas baterias de alta tensão, que podem pesar até 500 kg e custar dezenas de milhares de reais.

A expansão dos carros elétricos trouxe novos modelos, redução do consumo de combustíveis e uma mudança relevante na indústria automotiva brasileira. Esse crescimento acelerado, porém, começou a despertar o interesse de quadrilhas especializadas no roubo, furto e desmonte de veículos.

Levantamento divulgado pelo UOL Carros aponta que o estado de São Paulo registrou 107 ocorrências envolvendo elétricos e híbridos entre janeiro e maio de 2026. No mesmo período de 2025, foram 53 casos, o que representa crescimento próximo de 101%.

O avanço dos crimes aconteceu enquanto a frota eletrificada também crescia. O problema é que as ocorrências aumentaram em velocidade superior à expansão da quantidade de veículos em circulação.

A bateria de alta tensão aparece no centro dessa nova dinâmica. Além de ser o componente mais caro de um veículo elétrico, ela possui módulos, células e materiais que podem ser revendidos no mercado paralelo.

O cenário não significa que todos os proprietários estejam expostos da mesma maneira. Modelo, cidade, local de estacionamento, rotina de circulação, seguro e presença de rastreamento influenciam diretamente o risco.

Por que os carros elétricos entraram na mira do crime

Durante os primeiros anos da eletrificação no Brasil, os carros elétricos eram pouco interessantes para desmanches clandestinos.

A frota era pequena, existiam poucos compradores para componentes usados e a desmontagem exigia conhecimentos técnicos diferentes dos aplicados em motores a combustão.

Esse cenário começou a mudar com o aumento das vendas.

De janeiro a junho de 2026, o Brasil comercializou 215.023 veículos leves eletrificados, crescimento de 125% em relação às 95.493 unidades vendidas no mesmo período de 2025. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico, 16 de cada 100 veículos leves vendidos no semestre tinham algum tipo de tração elétrica.

São Paulo liderou esse mercado, com 61.629 unidades eletrificadas vendidas no primeiro semestre de 2026. O estado concentrou 28,7% das vendas nacionais, enquanto a capital paulista respondeu por 22.566 unidades.

Quanto maior a frota, maior a procura por manutenção, reparos e peças de reposição. O crescimento do mercado legal também pode abrir espaço para componentes sem procedência, principalmente quando uma peça original apresenta custo elevado.

Resposta direta: os carros elétricos passaram a atrair quadrilhas porque baterias, inversores, motores elétricos e módulos eletrônicos possuem alto valor. Como esses componentes não podem ser removidos facilmente na rua, os criminosos levam o veículo inteiro para estruturas clandestinas de desmontagem.

Bateria de até 500 kg pode valer metade do veículo

A bateria de tração armazena a energia utilizada para movimentar os carros elétricos. Em muitos modelos, esse conjunto representa o componente individual mais caro do automóvel.

No BYD Dolphin, a substituição da bateria de 44,9 kWh pode ultrapassar R$ 70 mil. Considerando que o veículo custa aproximadamente R$ 150 mil, apenas a bateria pode representar perto da metade do valor do automóvel.

No Renault Kwid E-Tech, a reposição da bateria de 26,8 kWh pode variar entre R$ 40 mil e R$ 50 mil. Já no GWM Ora 03, o custo estimado fica próximo ao registrado no modelo da BYD.

A reportagem do UOL encontrou anúncios de baterias usadas de veículos da BYD oferecidas por valores entre aproximadamente R$ 17 mil e R$ 35 mil. Parte dos anúncios não apresentava informações claras sobre a procedência dos componentes.

Uma bateria usada pode ter origem legal, como um veículo sinistrado, desmontado por empresa autorizada ou vendido para reciclagem. O risco aparece quando o vendedor não apresenta nota fiscal, número de série, identificação do veículo de origem ou documentação da empresa responsável pelo desmonte.

IndicadorInformação
Ocorrências em São Paulo, janeiro a maio de 202553
Ocorrências em São Paulo, janeiro a maio de 2026107
Crescimento aproximado101%
Peso de uma bateria automotiva300 kg a 500 kg
Bateria do BYD DolphinMais de R$ 70 mil
Bateria do Renault Kwid E-TechEntre R$ 40 mil e R$ 50 mil
Anúncios de baterias usadas encontradosCerca de R$ 17 mil a R$ 35 mil
Tensão encontrada em muitos sistemasAcima de 400 volts

Os valores podem variar conforme modelo, capacidade, disponibilidade da peça, mão de obra e política comercial da montadora.

Criminosos não retiram a bateria na rua

Uma informação que circula nas redes sociais afirma que criminosos estariam retirando baterias de carros elétricos estacionados em poucos minutos.

Esse tipo de operação é tecnicamente improvável.

A bateria fica instalada sob o assoalho e integrada à estrutura do automóvel. O conjunto é fixado por dezenas de pontos, conectado ao sistema eletrônico e ligado a circuitos que podem operar acima de 400 volts.

A remoção exige desenergização do sistema, ferramentas isoladas, elevador automotivo e uma plataforma capaz de sustentar entre 300 kg e 500 kg. O manuseio incorreto pode provocar choque elétrico, curto-circuito, danos estruturais ou incêndio.

Por isso, a estratégia mais provável é furtar ou roubar o automóvel inteiro e transportá-lo até um galpão clandestino.

Carros elétricos: roubos disparam 101% em SP
Carros elétricos: roubos disparam 101% em SP

No local, os criminosos encontram tempo, equipamentos e espaço para separar bateria, motor, inversor, módulos de controle, central multimídia, peças de acabamento e componentes estruturais.

Há ainda relatos de ligações clandestinas de energia em locais usados para desmontagem. O objetivo seria manter veículos com pouca carga funcionando até o momento do desmonte.

O peso da bateria não impede o crime. Ele faz com que a ação dependa de organização, transporte, ferramentas especializadas e um imóvel preparado para receber o veículo.

Furtos podem ser mais frequentes que roubos

Roubo e furto são ocorrências diferentes.

No roubo, existe violência ou ameaça contra a vítima. No furto, o veículo é subtraído sem confronto direto, geralmente quando está estacionado ou sem o proprietário por perto.

A predominância do furto pode indicar uma atuação mais planejada. Em vez de abordar o motorista, criminosos observam rotinas, identificam locais com menor vigilância e procuram veículos que permanecerão parados por mais tempo.

Tecnologias de acesso sem chave também exigem cuidados. Sistemas eletrônicos são práticos, mas o proprietário deve manter aplicativos atualizados, proteger senhas e ativar recursos adicionais de autenticação quando disponibilizados pela montadora.

Os dados gerais sobre roubos e furtos de veículos em São Paulo podem ser acompanhados no painel estatístico da Secretaria da Segurança Pública. A base oficial apresenta os registros estaduais, embora não separe publicamente todos os indicadores por tipo de propulsão.

Essa limitação é relevante: ainda não existe uma base nacional pública, padronizada e detalhada que permita comparar todos os modelos elétricos, híbridos e a combustão.

Carros elétricos são mais roubados que os convencionais?

Ainda não é possível afirmar que os carros elétricos sejam, em números absolutos, os veículos mais roubados do Brasil.

Os modelos populares a combustão continuam concentrando grande parte das ocorrências devido ao tamanho da frota, à disponibilidade de compradores e à facilidade de revenda de peças.

O sinal de alerta está no ritmo de crescimento dos crimes envolvendo eletrificados. Em São Paulo, as ocorrências citadas no levantamento avançaram aproximadamente 101% em um ano.

Uma variação percentual alta deve ser analisada com cautela, porque a base de comparação dos eletrificados ainda é menor. Mesmo assim, o crescimento mostra que quadrilhas começaram a estudar a tecnologia e a criar canais para a comercialização dos componentes.

O aumento também pode influenciar o preço do seguro. Quando uma seguradora observa maior frequência de sinistros ou custo elevado de reparação, o risco pode ser incorporado ao cálculo da apólice.

Como reduzir o risco de roubo ou furto

Nenhuma solução elimina completamente o risco. A estratégia mais eficiente é combinar diferentes camadas de proteção.

1. Verifique as coberturas do seguro

Confirme se a apólice cobre roubo, furto, incêndio, colisão, alagamento, danos à bateria, perda parcial e perda total.

Não presuma que todos os contratos tratam a bateria da mesma maneira. Leia as condições gerais e pergunte como a seguradora calcula reparo, substituição, franquia e indenização.

2. Considere sistemas de rastreamento

O rastreamento pode aumentar a possibilidade de localização do automóvel após uma ocorrência.

Existem produtos específicos para veículos elétricos. A Ituran, por exemplo, oferece monitoramento com seguro, assistência e cobertura contra roubo ou furto, dependendo do plano contratado. A empresa informa que a indenização pode chegar a 100% da tabela Fipe quando as condições da apólice são atendidas.

3. Prefira estacionamentos controlados

Estacionamentos iluminados, com câmeras, controle de acesso e circulação de pessoas dificultam ações planejadas.

Quando possível, evite deixar o veículo durante longos períodos em locais isolados ou com baixa visibilidade.

4. Proteja chaves e aplicativos

Não compartilhe senhas de acesso ao veículo. Ative autenticação adicional e mantenha aplicativos e sistemas atualizados.

Também é recomendável evitar deixar documentos, controles de garagem ou dispositivos com informações pessoais dentro do automóvel.

5. Analise a procedência de componentes usados

Desconfie de baterias, módulos e motores vendidos muito abaixo do valor praticado no mercado.

Exija nota fiscal, número de série, laudo técnico, identificação do vendedor e comprovação da origem do veículo doador.

6. Registre rapidamente a ocorrência

Em caso de roubo ou furto, comunique imediatamente a Polícia Militar, a Polícia Civil, a seguradora e a empresa de rastreamento.

Quanto mais rápido o alerta for registrado, maior poderá ser a possibilidade de identificação e recuperação.

Mercado clandestino depende de compradores

Quadrilhas não desmontam carros elétricos apenas porque as peças são caras. O crime depende da existência de compradores dispostos a adquirir componentes sem documentação.

Marketplaces, oficinas, comerciantes, consumidores e empresas de reciclagem participam da construção dessa barreira de segurança.

Plataformas digitais podem exigir nota fiscal, identificação do vendedor e número de série. Oficinas podem recusar componentes sem comprovação de origem. Consumidores podem evitar ofertas incompatíveis com o preço de mercado.

Essa responsabilidade também envolve segurança técnica.

Uma bateria retirada de veículo sinistrado, alagado ou incendiado pode apresentar danos internos que não são visíveis externamente. O uso de uma peça comprometida pode gerar falhas, perda de autonomia, superaquecimento ou dificuldades no carregamento.

A instalação também deve ser realizada por profissionais preparados para trabalhar com sistemas de alta tensão.

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Eletrificação continuará crescendo no Brasil

O crescimento dos crimes não deve interromper a expansão dos carros elétricos.

No primeiro semestre de 2026, o mercado brasileiro mais que dobrou em relação ao mesmo período do ano anterior. Em junho, foram comercializados 47.579 veículos eletrificados, novo recorde mensal segundo a ABVE.

O avanço, porém, cria a necessidade de um sistema de segurança mais sofisticado.

Montadoras podem ampliar a identificação eletrônica de baterias e componentes. Seguradoras podem oferecer regras mais transparentes para sistemas de alta tensão. Autoridades podem integrar dados de veículos, peças, números de série e empresas autorizadas a realizar desmontagens.

Também será necessário aumentar a fiscalização sobre anúncios digitais e estabelecimentos que comercializam peças automotivas usadas.

A eletrificação não muda apenas a forma como o veículo é abastecido. Ela altera manutenção, seguro, reciclagem, reparação e combate ao crime patrimonial.

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Conclusão

O aumento dos crimes contra carros elétricos mostra que quadrilhas já perceberam o valor das baterias e dos componentes eletrônicos.

Em São Paulo, as ocorrências registradas entre janeiro e maio de 2026 cresceram aproximadamente 101% na comparação com o mesmo período de 2025. As baterias podem pesar até 500 kg e custar entre R$ 40 mil e mais de R$ 70 mil, dependendo do modelo.

Esses componentes não costumam ser removidos na rua. O veículo inteiro é levado até uma estrutura clandestina, onde acontece a desmontagem.

Seguro adequado, rastreamento, estacionamento controlado e atenção à procedência das peças ajudam a reduzir o risco. Compartilhe esta matéria com proprietários e pessoas que pretendem comprar um veículo eletrificado.


Você acredita que o aumento dos roubos pode atrasar a expansão dos carros elétricos no Brasil? Comente sua opinião e compartilhe esta matéria com quem já possui ou pretende comprar um veículo eletrificado.

Fontes:

UOL Carros

Associação Brasileira do Veículo Elétrico

Secretaria da Segurança Pública de São Paulo

Ituran Brasil

Da Redação.


Perguntas frequentes

Por que criminosos estão roubando carros elétricos?

Os carros elétricos possuem baterias, motores, inversores e módulos eletrônicos de alto valor. A expansão da frota aumentou a procura por essas peças no mercado de reposição, criando oportunidades para desmanches clandestinos.

Quanto pesa a bateria de um carro elétrico?

A bateria pode pesar entre 300 kg e 500 kg, dependendo da capacidade e do modelo. Ela geralmente fica instalada sob o assoalho e integrada à estrutura do automóvel.

É possível retirar a bateria na rua?

A remoção rápida na rua é improvável. O procedimento exige desligamento do sistema de alta tensão, elevador, ferramentas isoladas e uma plataforma capaz de sustentar o conjunto.

Quanto custa uma bateria de carro elétrico?

O preço varia conforme modelo e capacidade. Em veículos vendidos no Brasil, a substituição pode custar entre R$ 40 mil e mais de R$ 70 mil.

Carros elétricos são mais roubados que carros convencionais?

Ainda não existem dados nacionais suficientes para essa conclusão. Os modelos a combustão continuam liderando em números absolutos, mas os crimes envolvendo eletrificados cresceram rapidamente em alguns mercados.

O seguro cobre a bateria do veículo elétrico?

A cobertura depende da apólice. O proprietário precisa verificar se estão incluídos danos à bateria, roubo, furto, incêndio, colisão, perda parcial e perda total.

Como identificar uma bateria usada legalizada?

A peça deve possuir nota fiscal, número de série, laudo técnico e comprovação do veículo de origem. Anúncios com preços muito baixos e sem documentação representam sinal de alerta.

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