Haaland, tabu histórico e mata-mata: o Brasil joga tudo por uma vaga nas quartas.
Não é apenas mais uma partida de Copa do Mundo. O Brasil entra em campo neste domingo, 5 de julho, diante da única seleção que já enfrentou mais de uma vez e nunca conseguiu derrotar.
Do outro lado estará a Noruega de Erling Haaland, um dos atacantes mais temidos do planeta. Em jogo, uma vaga nas quartas de final, a continuidade do sonho do hexacampeonato e um tabu que atravessa quase quatro décadas.
Brasil e Noruega se enfrentam às 17h, pelo horário de Brasília, no Estádio de Nova York/Nova Jersey, em East Rutherford, nos Estados Unidos. Apesar das discussões sobre uma possível alteração, a Fifa manteve o horário originalmente programado.
O fantasma que o Brasil nunca conseguiu derrubar
A camisa brasileira carrega cinco estrelas, uma coleção de títulos e vitórias sobre praticamente todas as grandes potências do futebol. Contra a Noruega, porém, a história é diferente.
As seleções se enfrentaram quatro vezes. Foram duas vitórias norueguesas e dois empates. O Brasil jamais venceu.
O primeiro encontro aconteceu em 1988, com empate por 1 a 1. Em 1997, a Noruega venceu por 4 a 2. No ano seguinte, durante a Copa do Mundo da França, os europeus voltaram a derrotar a Seleção por 2 a 1. O último duelo, em 2006, terminou novamente empatado por 1 a 1.
O resultado de 1998 ainda permanece na memória dos torcedores. Bebeto abriu o placar, mas Tore André Flo e Kjetil Rekdal viraram o jogo para os noruegueses.
Curiosamente, o atual técnico da Noruega, Ståle Solbakken, fazia parte daquele elenco. Agora, 28 anos depois, ele tenta repetir a façanha — desta vez comandando a equipe do banco de reservas.
Vini Jr. contra Haaland: dois homens e uma vaga
O confronto também coloca frente a frente dois dos maiores nomes desta Copa.
Vinícius Júnior chega ao mata-mata como principal referência ofensiva do Brasil. O camisa 7 marcou quatro gols, deu uma assistência e assumiu o protagonismo que há anos era cobrado pela torcida brasileira.
Do outro lado está Haaland.
Mesmo poupado diante da França na fase de grupos, o atacante norueguês já marcou cinco gols na competição. Ele decidiu a classificação contra a Costa do Marfim ao aparecer nos minutos finais e garantir a vitória por 2 a 1.
Enquanto Vini representa velocidade, drible e improvisação, Haaland oferece força física, explosão e uma capacidade brutal de transformar uma única oportunidade em gol.
O duelo pode ser resumido em uma pergunta direta: quem terá espaço para decidir primeiro?
Ancelotti enfrenta um quebra-cabeça no meio-campo
Carlo Ancelotti chega ao confronto com uma baixa importante.
Lucas Paquetá está fora após sofrer uma lesão muscular na coxa esquerda durante a vitória sobre o Japão. O treinador admitiu que não existe no elenco outro jogador com exatamente as mesmas características do meio-campista.
A tendência é que Gabriel Martinelli receba uma oportunidade entre os titulares. O atacante do Arsenal marcou o gol da classificação sobre o Japão, aos 50 minutos do segundo tempo, e treinou na equipe principal nos últimos trabalhos antes da partida.
Raphinha, recuperado de uma lesão na coxa, deve começar no banco. Ancelotti confirmou que o atacante ainda não está em condição física ideal, mas poderá ser utilizado durante a partida.
Neymar também está disponível, oferecendo ao treinador uma alternativa de experiência e criatividade caso o jogo fique travado.
Provável escalação do Brasil
Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos; Casemiro, Bruno Guimarães e Gabriel Martinelli; Rayan, Matheus Cunha e Vini Jr.
Casemiro e Danilo entram em campo pendurados com cartão amarelo.
Provável escalação da Noruega
Nyland; Pedersen ou Fredrik Aursnes, Ajer, Torbjørn Heggem e David Møller Wolfe; Sander Berge, Patrick Berg e Martin Ødegaard; Antonio Nusa, Alexander Sørloth ou Oscar Bobb e Erling Haaland.
O lateral Julian Ryerson é dúvida por conta de um problema muscular.
O Brasil cresceu, mas ainda deixou dúvidas
A Seleção Brasileira terminou a primeira fase na liderança do Grupo C.
O time empatou por 1 a 1 com Marrocos na estreia e venceu Haiti e Escócia pelo mesmo placar: 3 a 0. Na fase de 32 avos, o Brasil precisou lutar até o último minuto para superar o Japão por 2 a 1.
O gol decisivo de Martinelli mostrou poder de reação, mas também expôs dificuldades.
O Brasil teve problemas para controlar determinados momentos da partida e perdeu Paquetá ainda no primeiro tempo. Contra uma equipe fisicamente forte e muito mais perigosa nas bolas aéreas, qualquer desatenção poderá ser fatal.

Ancelotti, porém, afirmou que a equipe vive seu melhor momento no torneio. O italiano reconheceu a preocupação natural de um mata-mata, mas destacou que preocupação não significa ansiedade.
A Noruega não depende apenas de Haaland
Tratar a Noruega como uma equipe de um único jogador seria um erro grave.
O capitão Martin Ødegaard é responsável pela organização e pelo último passe. Sander Berge oferece presença física no meio-campo, enquanto Antonio Nusa e Alexander Sørloth ampliam as opções ofensivas.
Nas Eliminatórias Europeias, a Noruega marcou 37 gols em oito partidas, construindo um sistema desenhado para encontrar Haaland em velocidade e dentro da área.
Na Copa, os noruegueses venceram Iraque e Senegal, perderam para a França após pouparem boa parte dos titulares e eliminaram a Costa do Marfim na fase anterior. A equipe venceu três dos quatro jogos disputados no torneio.
Solbakken reconheceu o favoritismo brasileiro, mas deixou claro que sua seleção não entrará em campo apenas para se defender. Segundo o treinador, a Noruega precisa jogar com personalidade e encontrar maneiras de fazer a bola chegar até Haaland.
O plano brasileiro para parar o “cometa”
A estratégia não pode se resumir a marcar Haaland individualmente.
O próprio Bruno Guimarães afirmou que o principal objetivo será impedir que a bola chegue limpa ao centroavante. Quando Haaland recebe com espaço, uma única jogada pode ser suficiente para decidir o confronto.
O Brasil também trabalhou intensamente a defesa de escanteios e cobranças de falta. A Noruega deverá explorar cruzamentos, segundas bolas e o jogo físico dentro da área.
Na outra direção, a Noruega tentará evitar que Vini Jr. encontre situações de um contra um. Solbakken indicou que seus laterais deverão receber cobertura constante para reduzir o espaço do brasileiro.
As três batalhas decisivas serão:
Serviço para Haaland: Casemiro e Bruno Guimarães precisarão pressionar Ødegaard e impedir passes verticais.
Velocidade de Vini Jr.: o Brasil terá de inverter o jogo rapidamente antes que a defesa norueguesa consiga se organizar.
Bolas paradas: Marquinhos, Gabriel Magalhães e Alisson terão uma noite de atenção máxima.
Vitória pode colocar Inglaterra ou México no caminho
Quem avançar enfrentará o vencedor de México x Inglaterra nas quartas de final.
A partida está prevista para o sábado, 11 de julho, às 18h, em Miami.
Antes de pensar na próxima fase, entretanto, o Brasil precisa resolver um problema que nenhuma geração anterior conseguiu solucionar.
O tabu não entra em campo, não marca gols e não faz defesas. Mas ele aumenta a pressão, alimenta a confiança do adversário e transforma qualquer erro em combustível para uma possível zebra.
Onde assistir a Brasil x Noruega
A partida terá transmissão da TV Globo, SporTV, ge tv, SBT e CazéTV. O ge também acompanhará o duelo em tempo real.
Na Região Metropolitana de Campinas, Hortolândia preparou uma Fan Fest gratuita no Centro de Eventos “A Poderosa”, com abertura às 15h, telão, praça de alimentação e atrações para os torcedores.
Chegou a hora de derrubar o tabu
O Brasil possui mais tradição, maior profundidade de elenco e jogadores acostumados às maiores decisões do futebol mundial.
A Noruega carrega confiança, organização, força física e um atacante capaz de punir qualquer segundo de desatenção.
Não existe espaço para soberba, improvisação irresponsável ou acomodação. Em mata-mata, camisa pesa — mas disciplina, concentração e eficiência pesam ainda mais.
Às 17h, o Brasil descobrirá se finalmente conseguiu superar o adversário que nunca venceu ou se o fantasma norueguês continuará vivo.
O Brasil quebra o tabu ou Haaland acaba com o sonho do hexa? Deixe seu placar nos comentários e compartilhe esta matéria com quem vai assistir ao jogo com você.
Fontes: CBF; Fifa; Reuters; ge; CNN Brasil e Veja.
Da Redação.
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