5 razões: argentinos avançam sobre empresas do Brasil. Juros, câmbio e ativos em crise viraram a mesa dos negócios entre os dois países.
Argentinos estão ampliando aquisições no Brasil porque a melhora fiscal e cambial da Argentina devolveu capacidade de financiamento aos grupos locais, enquanto juros elevados, dívidas e ativos pressionados criaram oportunidades do lado brasileiro. Em 2025, empresas controladas por argentinos realizaram 18 operações no país, contra 10 negócios feitos por brasileiros na Argentina.
Por décadas, a imagem mais comum era a de empresas brasileiras cruzando a fronteira para comprar ativos argentinos depreciados por crises recorrentes. Agora, o fluxo ganhou uma direção inesperada: argentinos voltaram a disputar empresas brasileiras, algumas delas relevantes em setores como cimento, finanças, indústria farmacêutica, siderurgia, biotecnologia e agronegócio.
O movimento não nasceu de um único negócio nem significa que toda a economia argentina esteja resolvida. Ele resulta da combinação de duas realidades. De um lado, grupos argentinos recuperaram previsibilidade para levantar capital, calcular riscos em dólar e planejar expansões. Do outro, companhias brasileiras enfrentam crédito caro, endividamento elevado e necessidade de vender ativos ou reorganizar operações.
Para entender por que os argentinos ganharam força nessa disputa, é preciso observar o custo do dinheiro nos dois lados da fronteira.
O sinal mais objetivo dessa inversão aparece nos números. Segundo levantamento da TTR Data citado pela Gazeta do Povo, companhias controladas por argentinos fizeram 18 aquisições ou investimentos no Brasil em 2025. Os Estados Unidos receberam 11 operações e o México, oito. No sentido inverso, empresas brasileiras concluíram dez transações na Argentina no mesmo período.
Não é apenas uma curiosidade estatística. A nova ofensiva dos argentinos revela como juros, moeda, liquidez e estresse financeiro podem alterar rapidamente a hierarquia econômica de uma região.
Por que os argentinos estão comprando empresas brasileiras?
A atual onda de compras dos argentinos ocorre porque empresas da Argentina ganharam melhores condições para financiar expansão, enquanto ativos brasileiros ficaram relativamente mais acessíveis. O Brasil oferece escala, mercado de capitais, cadeias produtivas integradas e empresas endividadas que precisam de capital, controle novo ou reestruturação.
Em 2025, o mercado argentino registrou 249 operações de fusões e aquisições, alta modesta de 0,4% em relação a 2024. O dado decisivo, porém, está no destino do capital: as transações envolvendo empresas brasileiras cresceram 50% em um ano, de acordo com o levantamento repercutido pela Gazeta do Povo.
Para os argentinos, essa diferença confirma que o Brasil deixou de ser apenas um parceiro comercial e voltou a ser uma plataforma de expansão regional.
Isso mostra que os argentinos não estão simplesmente investindo mais em qualquer lugar. O Brasil tornou-se um alvo prioritário. A proximidade geográfica ajuda, mas não explica tudo. Há grupos com conhecimento acumulado do ambiente brasileiro, conexões no Mercosul e capacidade de enxergar valor onde credores e acionistas locais veem dificuldade.
O caso da família Mindlin é simbólico. Marcelo Mindlin assumiu posição central na reestruturação da InterCement, enquanto Nicolás Mindlin, por meio da fintech Cocos Capital, avançou sobre ativos da Warren. Pai e filho entraram em setores diferentes, mas seguiram a mesma lógica: comprar escala, infraestrutura e capacidade operacional já construídas.
A virada nos números entre Brasil e Argentina
A comparação abaixo resume por que 2025 marcou uma inversão relevante no fluxo de negócios entre os dois países.
| Indicador | Resultado | O que revela |
|---|---|---|
| Operações dos argentinos no Brasil em 2025 | 18 | Brasil foi o principal destino do capital empresarial argentino |
| Operações dos argentinos nos Estados Unidos | 11 | O Brasil recebeu sete negócios a mais que o segundo colocado |
| Operações dos argentinos no México | 8 | O volume brasileiro foi mais que o dobro |
| Operações brasileiras na Argentina em 2025 | 10 | O fluxo inverso ficou pouco acima da metade |
| Fusões e aquisições na Argentina em 2025 | 249 | Mercado total cresceu 0,4% |
| Negócios com empresas brasileiras | +50% | A expansão direcionada ao Brasil foi muito superior à média |
Os números devem ser lidos com cautela. Uma operação pode envolver milhões ou bilhões, e a contagem isolada não mede todo o valor financeiro movimentado. Mesmo assim, a direção é clara: argentinos passaram a ocupar um espaço maior nas decisões societárias brasileiras.
O salto dos argentinos também se destaca porque ocorreu muito acima do crescimento médio do mercado de fusões e aquisições da própria Argentina.
O Brasil continuou atraindo capital externo de várias origens. Dados do Banco Central do Brasil mostram que o investimento direto no país acumulou US$ 75,7 bilhões em 12 meses até março de 2026, equivalentes a 3,18% do PIB. A ofensiva argentina, portanto, faz parte de um mercado amplo, mas chama atenção pela velocidade e pela inversão histórica.
A presença dos argentinos deve ser analisada dentro desse fluxo internacional, sem atribuir a eles todo o investimento estrangeiro recebido pelo Brasil.
5 razões que explicam o avanço dos argentinos
1. Ajuste fiscal devolveu capacidade de planejamento
Durante anos, inflação extrema, déficit público, controles cambiais e desvalorizações frequentes limitaram o planejamento das empresas da Argentina. Mesmo grupos sólidos encontravam dificuldade para acumular recursos em moeda forte, acessar crédito externo e calcular o retorno de uma aquisição fora do país.
Os argentinos que mantiveram caixa e liquidez atravessaram esse período em posição melhor para aproveitar a mudança de ciclo.
O ajuste das contas públicas promovido pelo governo de Javier Milei alterou parte dessa dinâmica. A Argentina alcançou superávit nominal equivalente a 0,2% do PIB, segundo os dados econômicos citados na reportagem-base. A melhora fiscal não eliminou os riscos argentinos, mas reduziu a percepção de descontrole permanente.
Para uma empresa, previsibilidade vale tanto quanto dinheiro. Uma aquisição leva meses de análise, negociação, auditoria e aprovação regulatória. Se a moeda pode sofrer uma ruptura no meio do processo, o comprador exige desconto maior ou simplesmente abandona o negócio. Com um horizonte menos instável, os argentinos voltaram a assinar contratos de longo prazo.
2. Juro real negativo deixa o capital relativamente mais barato
Em agosto de 2026, a taxa básica argentina estava próxima de 29% ao ano, enquanto a inflação anual havia recuado para 33,8% em julho. Embora o número nominal pareça alto, a taxa estava abaixo da inflação. Isso produz juro real negativo, condição que reduz o custo econômico do dinheiro para determinados agentes capazes de acessar financiamento.
Para os argentinos com acesso a crédito corporativo, a comparação relevante não é apenas a taxa nominal, mas o custo real e a previsibilidade do pagamento.
No Brasil, a situação era oposta. A Selic estava em 14% e a inflação em torno de 4,4%, deixando o juro real próximo de 9,15%. Para empresas brasileiras endividadas, refinanciar passivos ou captar recursos para crescer tornou-se muito mais oneroso.
Juro real é a taxa de juros descontado o efeito da inflação. Quando ele fica negativo, o valor real da dívida pode crescer menos do que os preços; quando fica muito positivo, o crédito pesa mais sobre caixa, investimento e expansão.
Essa diferença não significa que qualquer companhia argentina consiga dinheiro barato. O crédito privado pode cobrar taxas superiores às referências oficiais, e empresas com risco elevado continuam pagando mais. A vantagem aparece principalmente para grupos capitalizados, líquidos e com acesso a mercados financeiros.
3. Estabilidade cambial permite calcular negócios em dólar
Juro baixo ou negativo não ajuda uma empresa se a moeda local perde valor de forma imprevisível. Uma aquisição internacional costuma ser avaliada em dólar, ainda que o pagamento envolva reais, pesos ou estruturas societárias mais complexas.
Em 2026, o peso argentino acumulava queda de aproximadamente 2,5% diante do dólar, e a cotação próxima de 1.500 pesos por dólar estava no mesmo nível observado em setembro de 2025. Esse comportamento era muito mais estável do que o de ciclos anteriores.
Para os argentinos, um peso menos volátil reduz a chance de o preço final do ativo mudar radicalmente antes do fechamento da operação.
A estabilidade permite que os argentinos projetem o custo total de uma compra, travem parte da exposição cambial e negociem financiamento com menor margem de incerteza. Esse talvez seja o ponto mais importante da virada: uma empresa compra ativos com base no fluxo de caixa futuro, não apenas no preço exibido no dia da assinatura.
Se o câmbio muda violentamente entre a proposta e o fechamento, o negócio pode deixar de fazer sentido. Com volatilidade menor, compradores argentinos conseguem assumir compromissos mais longos no Brasil.
4. Empresas brasileiras pressionadas viraram oportunidades
Juros reais altos afetam companhias de diferentes maneiras. Empresas que contraíram dívidas quando a Selic estava em 2% ao ano, em 2020, passaram a enfrentar um custo de rolagem muito maior quando as taxas retornaram aos dois dígitos.
Em alguns casos, o resultado é a venda de ativos para reduzir passivos. Em outros, credores assumem papel decisivo em recuperações judiciais, negociações de controle ou conversões de dívida. A InterCement é o exemplo mais expressivo: a companhia entrou em recuperação judicial com dívida próxima de R$ 10 bilhões antes de o consórcio liderado por Marcelo Mindlin assumir o controle.
Esse estresse financeiro abriu aos argentinos uma janela que dificilmente existiria com crédito barato e balanços menos pressionados.
O preço de uma empresa em dificuldade não depende somente de fábricas, marcas ou clientes. Ele também incorpora dívidas, necessidade de capital, risco jurídico, obrigações ambientais e investimentos futuros. Os argentinos mais ativos estão entrando justamente onde uma reestruturação pode liberar valor que o antigo controlador não conseguia capturar.
Isso não significa que o Brasil inteiro esteja “à venda”. Significa que ciclos de crédito criam janelas. Quem chega com liquidez durante a fase de aperto pode negociar condições melhores e adquirir posições que seriam muito mais caras em um ambiente de juros baixos.
5. Brasil oferece escala, diversificação e conhecimento prévio
O mercado brasileiro reúne cerca de 213 milhões de habitantes, aproximadamente 4,6 vezes a população argentina. Para empresários argentinos, comprar uma companhia já operante no país é um caminho mais rápido para acessar consumidores, fornecedores, profissionais e infraestrutura.
A integração pelo Mercosul também reduz parte da curva de aprendizado. Cadeias automotivas, agrícolas, industriais e financeiras mantêm relações antigas entre os dois países. Grupos como Corporación América e Werthein já operam no Brasil há mais de uma década, o que cria experiência regulatória e redes locais.
Para os argentinos, conhecimento prévio reduz custos de entrada, acelera a análise do ativo e facilita a formação de equipes locais.
A diversificação é outro incentivo. Uma empresa concentrada na Argentina permanece exposta a decisões políticas, choques cambiais e ciclos domésticos. Ao adquirir negócios brasileiros, os argentinos distribuem receita, custos e ativos entre duas economias diferentes.
No primeiro semestre de 2026, a corrente de comércio bilateral somou US$ 13,8 bilhões, com US$ 7,4 bilhões em exportações brasileiras e US$ 6,4 bilhões em importações. Mesmo com retração em relação a 2025, esses valores mostram que as duas economias continuam profundamente conectadas.

Quais empresas brasileiras entraram no radar argentino?
A ofensiva dos argentinos atravessa setores muito distintos. Isso enfraquece a hipótese de uma corrida concentrada em uma única commodity e reforça a leitura de que o movimento é estratégico.
Em vez de repetir uma única tese, os argentinos combinaram reestruturação industrial, expansão financeira, saúde, tecnologia agrícola e consolidação regional.
| Empresa ou ativo brasileiro | Comprador argentino | Setor | Dimensão divulgada |
| InterCement | Consórcio Latcem, liderado por Marcelo Mindlin | Cimento e infraestrutura | Reestruturação de companhia com cerca de R$ 10 bilhões em dívida |
| Ativos da Warren | Cocos Capital, de Nicolás Mindlin e Ariel Sbdar | Mercado financeiro | Plataforma tinha cerca de R$ 20 bilhões sob custódia |
| Cellera Farma | Laboratorio Elea | Farmacêutico | Compra de aproximadamente 90%; estimativas de US$ 130 milhões a US$ 300 milhões |
| Participação na Usiminas | Ternium/Techint | Siderurgia | R$ 315,2 milhões por cerca de 21,7% das ações de antigos sócios japoneses |
| Laboratório Mundo Animal | Biogénesis Bagó | Biotecnologia veterinária | Operação avaliada em US$ 24 milhões |
| Biotrigo e ativos da KWS | Grupo Don Mario | Genética de sementes | Expansão iniciada em 2023 e ampliada em 2024 |
InterCement: o ativo industrial que mudou de mãos
Marcelo Mindlin, fundador da Pampa Energía, liderou o consórcio Latcem na tomada de controle da InterCement. O negócio deu ao empresário influência simultânea sobre a companhia brasileira e sobre a Loma Negra, principal cimenteira da Argentina, anteriormente controlada pela InterCement.
Essa combinação oferece sinergias operacionais, poder de escala e presença em dois grandes mercados sul-americanos. A oportunidade surgiu dentro de uma reestruturação complexa, não em uma compra convencional de empresa saudável.
Entre os argentinos, Mindlin representa o perfil de comprador disposto a entrar em ativos grandes, endividados e operacionalmente estratégicos.
Warren: entrada argentina no maior mercado de capitais da região
A Cocos Capital adquiriu a maior parte dos ativos da Warren, incluindo a gestora Rena, voltada ao segmento de grandes patrimônios. Segundo o InvestNews, a Warren possuía cerca de R$ 20 bilhões sob custódia antes da operação.
Com a compra, a Cocos projetou administrar aproximadamente US$ 5 bilhões em ativos e faturar mais de US$ 100 milhões por ano. Foi a primeira expansão internacional da fintech argentina, fundada em 2021.
O caso mostra como os argentinos também buscam plataformas digitais e financeiras, e não somente fábricas ou ativos físicos.
Cellera Farma: aposta no setor farmacêutico brasileiro
O Laboratorio Elea concluiu em maio de 2026 a aquisição do controle da Cellera Farma. As informações de mercado indicaram compra de aproximadamente 90% da empresa por um valor estimado entre US$ 130 milhões e US$ 300 milhões.
O intervalo amplo mostra que os termos completos não foram divulgados publicamente. Ainda assim, a operação comprova que o capital argentino não está restrito a ativos em recuperação judicial. O setor farmacêutico oferece demanda recorrente, propriedade intelectual, canais de distribuição e possibilidade de expansão regional.
Nesse setor, os argentinos entraram em uma empresa com operação ativa e potencial de crescimento, numa lógica diferente da reestruturação da InterCement.
Siderurgia, biotecnologia e sementes ampliam o mapa
Em novembro de 2025, a Ternium, controlada pelo grupo ítalo-argentino Techint, assumiu o controle da Usiminas após pagar R$ 315,2 milhões por cerca de 21,7% das ações pertencentes à Nippon Steel e à Mitsubishi.
No mesmo ano, a Biogénesis Bagó adquiriu o Laboratório Mundo Animal, de Pindamonhangaba, no interior paulista, em uma transação avaliada em US$ 24 milhões. Já o Grupo Don Mario vinha construindo presença em genética de sementes desde a compra da Biotrigo, em 2023, e de ativos de milho e sorgo da KWS na América do Sul, em 2024.
O que essa onda de aquisições significa para o Brasil?
O primeiro efeito é a entrada de capital em empresas que precisam financiar crescimento, reduzir dívida ou reorganizar operações. Quando o novo controlador investe em produtividade, tecnologia e expansão, fornecedores e empregados podem ser beneficiados. Quando a estratégia prioriza corte de custos e venda de ativos, o impacto pode ser mais duro.
O segundo efeito é competitivo. Um grupo regional com operações nos dois países consegue compartilhar tecnologia, compras, distribuição e acesso a crédito. Isso pode pressionar concorrentes brasileiros que atuam apenas no mercado doméstico.
A chegada dos argentinos aumenta a disputa por escala e pode acelerar novas rodadas de consolidação entre empresas locais.
Há também consequências para a governança. Aquisições internacionais exigem auditorias, aprovação de órgãos reguladores quando aplicável e registro de capital estrangeiro. O serviço oficial de declaração de investimento estrangeiro direto informa que operações e movimentações a partir de US$ 100 mil podem exigir detalhamento ao Banco Central, além das declarações periódicas previstas para empresas que atingem determinados volumes de ativos.
Para consumidores, a nacionalidade do controlador importa menos do que a qualidade da execução. Preço, atendimento, inovação e continuidade dos serviços dependem da estratégia adotada depois da compra. Uma aquisição pode fortalecer a empresa; também pode gerar concentração excessiva ou conflito de integração.
Por isso, seria simplista tratar o movimento como vitória automática da Argentina ou derrota inevitável do Brasil. O dado relevante é outro: os argentinos chegaram com liquidez justamente quando ativos brasileiros enfrentavam pressão.
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O movimento pode continuar em 2027?
A tendência pode prosseguir se três condições permanecerem: estabilidade cambial na Argentina, acesso de grupos locais a financiamento e manutenção de juros reais elevados no Brasil. Quanto maior a diferença entre o custo do capital dos compradores e a pressão financeira dos vendedores, mais espaço existe para novos negócios.
O apetite dos argentinos dependerá menos de discursos políticos e mais da continuidade dessas condições financeiras.
Setores intensivos em dívida ou que exigem consolidação tendem a receber mais atenção. Infraestrutura, serviços financeiros, saúde, indústria de base, agronegócio e tecnologia regional são candidatos naturais porque oferecem escala e sinergias transfronteiriças.
Mas há riscos importantes. A inflação argentina continuava acima de 30% ao ano em julho de 2026. Mudanças cambiais, deterioração fiscal ou choque político podem reduzir novamente a capacidade de investir fora. No Brasil, uma queda consistente dos juros aliviaria empresas endividadas e poderia elevar a avaliação dos ativos, tornando aquisições mais caras.
Também não basta comprar. Integrar culturas empresariais, sistemas, equipes e obrigações regulatórias é uma etapa difícil. Muitos negócios destroem valor depois da assinatura porque o comprador superestima sinergias ou subestima passivos.
Os argentinos precisarão provar que conseguem transformar aquisições oportunistas em operações eficientes e sustentáveis no Brasil.
O avanço dos argentinos deve ser acompanhado por resultados posteriores: investimentos anunciados, emprego, redução de dívida, qualidade dos serviços e capacidade de crescimento. A quantidade de aquisições chama atenção; a qualidade da gestão determinará se a ofensiva será duradoura.
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Conclusão
Os argentinos voltaram a comprar empresas brasileiras porque recuperaram parte da previsibilidade financeira no momento em que juros altos e dívidas pressionaram companhias no Brasil. As 18 operações registradas em 2025, contra dez no sentido inverso, materializam uma mudança que já aparece em cimento, finanças, medicamentos, aço, biotecnologia e sementes.
A virada não prova que todos os problemas argentinos desapareceram nem que o Brasil perdeu sua atratividade. Pelo contrário: o tamanho do mercado brasileiro é justamente um dos principais motivos para essas compras. O ponto central é que capital e oportunidade raramente ficam parados. Quando um país melhora sua capacidade de financiamento e o outro encarece o crédito, a fronteira empresarial se move.
Compartilhe esta análise e acompanhe os próximos negócios: a disputa por ativos brasileiros pode estar apenas começando.
Aviso Importante
As informações aqui apresentadas são de caráter educativo e não constituem recomendação de investimento. Consulte um profissional financeiro certificado antes de tomar decisões financeiras.
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Fontes:
- Gazeta do Povo
- Banco Central do Brasil
- InvestNews
- Governo Federal
- TTR Data
Da Redação.
Perguntas frequentes sobre argentinos e empresas brasileiras
Por que os argentinos estão comprando empresas brasileiras?
Os argentinos ganharam mais previsibilidade fiscal e cambial, enquanto empresas brasileiras enfrentam juros altos, dívidas e necessidade de capital. O Brasil também oferece um mercado consumidor maior, mercado de capitais desenvolvido e ativos estratégicos em diversos setores.
Quantas operações dos argentinos ocorreram no Brasil em 2025?
Empresas argentinas realizaram 18 operações de aquisição ou investimento no Brasil em 2025, segundo levantamento da TTR Data. No mesmo ano, grupos brasileiros fizeram dez transações na Argentina.
Quais empresas brasileiras foram compradas por argentinos?
Entre os casos recentes estão InterCement, ativos da Warren, Cellera Farma, participação relevante na Usiminas e Laboratório Mundo Animal. Também houve expansão argentina em genética de sementes por meio do Grupo Don Mario.
A Argentina já tem uma economia mais forte que a brasileira?
Não. O Brasil continua com PIB, população, mercado consumidor e sistema financeiro muito maiores. A onda de compras mostra uma melhora relativa na capacidade de alguns grupos argentinos e uma janela de oportunidade em ativos brasileiros pressionados.
Juros negativos na Argentina ajudam as empresas a comprar no Brasil?
O juro real negativo pode reduzir o custo econômico do capital para grupos com acesso a financiamento. Porém, a operação só se torna viável quando há estabilidade cambial suficiente para estimar o preço e o retorno em dólar.
As compras argentinas podem prejudicar empregos no Brasil?
O efeito depende do plano de cada comprador. Aquisições podem preservar empresas, reduzir dívidas e financiar expansão, mas reestruturações também podem trazer cortes. O resultado deve ser avaliado caso a caso após a integração.
Os argentinos continuarão comprando empresas brasileiras?
A tendência pode continuar se a Argentina mantiver estabilidade cambial e acesso a capital, e se o Brasil seguir com juros reais elevados e ativos pressionados. Mudanças fiscais, políticas ou monetárias nos dois países podem alterar rapidamente esse cenário.
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