Trump sufoca Cuba e acende alerta na esquerda

cuba

Sanções dos EUA miram o coração financeiro do regime cubano e pressionam aliados históricos.

A crise em Cuba ganhou um novo capítulo explosivo. E desta vez, o impacto não está apenas nas ruas de Havana: ele atravessa a política latino-americana, atinge interesses econômicos internacionais e reacende o debate sobre a influência cubana no continente.

Nos últimos meses, o governo Donald Trump aumentou de forma pesada a pressão econômica contra o regime cubano. A estratégia mira setores considerados vitais para a sobrevivência financeira da ilha, especialmente estruturas ligadas às Forças Armadas e ao conglomerado militar GAESA, apontado pelos Estados Unidos como peça central da economia controlada pelo regime.

A ofensiva ganhou força depois da captura de Nicolás Maduro por forças americanas, em janeiro de 2026, episódio que abalou a Venezuela e afetou diretamente Cuba, historicamente dependente de petróleo e apoio financeiro venezuelano. Segundo a Reuters, a interrupção do fluxo de petróleo venezuelano agravou uma crise energética que já castigava a população cubana.

Agora, a pergunta que domina analistas, opositores e aliados do regime é direta: Cuba está diante da maior ameaça ao seu sistema político desde o fim da União Soviética?

O ponto de virada: sanções secundárias

Em 1º de maio de 2026, Trump assinou a Ordem Executiva 14404, ampliando o regime de sanções contra Cuba. O novo mecanismo permite punir não apenas empresas americanas, mas também bancos, companhias e investidores estrangeiros que mantenham negócios com entidades cubanas sancionadas.

Na prática, isso muda o jogo.

Antes, muitas empresas estrangeiras ainda conseguiam operar em Cuba driblando o alcance direto das restrições americanas. Com as sanções secundárias, o risco passou a ser global: quem negocia com estruturas sancionadas pelo governo dos EUA pode perder acesso ao sistema financeiro americano.

E poucos nomes são tão estratégicos nesse tabuleiro quanto a GAESA, conglomerado militar que atua em setores como turismo, finanças, comércio e serviços. Para Washington, o grupo é uma das principais fontes de sustentação econômica da elite cubana.

Visa e Mastercard deixam de funcionar em Cuba

O golpe mais visível veio no sistema de pagamentos.

O Banco Central de Cuba anunciou a suspensão de transações com Visa e Mastercard a partir de 6 de junho de 2026. Segundo a Reuters, a decisão ocorreu após um parceiro financeiro estrangeiro limitar operações envolvendo a Fincimex, empresa ligada à GAESA e responsável pelo processamento de pagamentos internacionais.

Isso significa que turistas, empresas e operadores internacionais passaram a enfrentar novas barreiras para movimentar dinheiro na ilha.

Para um país que já sofre com escassez, apagões, queda no turismo, crise cambial e dificuldade de importação, perder parte do acesso a pagamentos internacionais não é detalhe técnico. É um choque direto na circulação de recursos.

Hotéis e mineradoras começam a recuar

Outro sinal forte veio do setor privado estrangeiro.

Reportagem do El País informou que a rede espanhola Meliá anunciou a saída da gestão de 15 dos 34 hotéis que administrava em Cuba, todos vinculados à GAESA. A Iberostar também iniciou retirada de parte de suas operações, enquanto a mineradora canadense Sherritt foi citada entre as empresas impactadas pela pressão das sanções.

Esse movimento é simbólico porque o turismo sempre foi uma das principais vitrines econômicas de Cuba.

Quando hotéis internacionais, bancos e processadoras de pagamento começam a reduzir exposição ao país, o regime perde mais do que dinheiro: perde capacidade de manter aparência de normalidade.

Díaz-Canel também entrou na mira

Em 4 de junho de 2026, os Estados Unidos impuseram novas sanções contra o presidente cubano Miguel Díaz-Canel, sua esposa Lis Cuesta Peraza, integrantes da família Castro, o Ministério das Forças Armadas Revolucionárias e outras entidades ligadas ao regime.

A mensagem política foi clara: Washington não está mirando apenas “Cuba” como país. Está mirando pessoas, estruturas e organizações que considera responsáveis pela manutenção do sistema político cubano.

O governo cubano reagiu acusando os Estados Unidos de intervencionismo e classificou as medidas como tentativa de sufocar a ilha. Já Washington afirma que as sanções têm como alvo agentes responsáveis por repressão, atividades antiamericanas e enriquecimento da elite governante.

Por que isso mexe com o Foro de São Paulo?

O impacto político ultrapassa Havana.

O Foro de São Paulo foi criado em 1990, em um contexto de reorganização da esquerda latino-americana após a queda do Muro de Berlim e o enfraquecimento do socialismo no Leste Europeu. O próprio Partido Comunista de Cuba afirma que o Foro surgiu como iniciativa de Fidel Castro e Luiz Inácio Lula da Silva, com reunião fundacional em São Paulo.

Para críticos do Foro, Cuba sempre foi mais do que um país aliado: foi símbolo, referência ideológica e centro de articulação política para parte da esquerda latino-americana.

Por isso, qualquer risco real à estabilidade do regime cubano produz efeito psicológico e estratégico em toda a região.

A tese defendida por setores conservadores é que, se Cuba perder força, parte do imaginário político que sustentou movimentos aliados ao socialismo latino-americano também enfraquece. Já setores de esquerda argumentam que Cuba é vítima histórica de um bloqueio econômico americano e que as novas sanções aprofundam o sofrimento da população civil.

Lula, Rubio e a tensão diplomática

O tema também chegou ao Brasil.

Em junho de 2026, Lula criticou o secretário de Estado americano Marco Rubio e o chamou de “latino-americano frustrado”, em meio ao aumento das tensões entre Brasil e Estados Unidos. Rubio, filho de cubanos, tem sido uma das vozes mais duras da política americana contra Havana.

A fala de Lula foi interpretada por opositores como sinal de incômodo com o avanço da pressão americana sobre Cuba. Já aliados do presidente brasileiro enxergam a declaração como defesa da soberania latino-americana diante da política externa dos EUA.

O fato é que Cuba, Venezuela e Estados Unidos voltaram ao centro da disputa ideológica continental.

A crise cubana é econômica, política e simbólica

Cuba já enfrentava uma crise profunda antes da nova rodada de sanções.

A ilha convive com apagões, falta de combustível, escassez de alimentos, limitações no sistema de saúde e aumento da emigração. A Reuters mostrou que muitos cubanos têm recorrido a soluções improvisadas diante da falta de energia e combustível, enquanto o governo tenta manter o controle político em meio ao desgaste social.

Organizações internacionais também apontam problemas graves de direitos humanos. O relatório da Prisoners Defenders, citado pelo Guardian, denunciou trabalho forçado no sistema prisional cubano, enquanto opositores cubanos afirmam que há centenas de presos políticos no país.

Do lado do governo cubano, a narrativa é outra: Havana afirma que as sanções americanas são responsáveis por grande parte do colapso econômico e acusa Washington de tentar provocar instabilidade interna.

O regime cubano pode cair?

A resposta responsável é: pode enfrentar sua maior pressão em décadas, mas queda não é certeza.

Cuba sobreviveu ao embargo americano, ao fim da União Soviética, à morte de Fidel Castro, à transição para Raúl Castro, à chegada de Díaz-Canel e a sucessivas crises econômicas.

A diferença agora está na combinação de fatores:

perda do apoio venezuelano;
pressão direta sobre a GAESA;
sanções secundárias contra empresas estrangeiras;
saída de operadores internacionais;
bloqueio parcial de pagamentos;
crise energética;
desgaste social interno.

Esse conjunto aumenta o custo de sobrevivência do regime.

Mas regimes autoritários costumam resistir não apenas com dinheiro. Eles resistem com controle político, aparato de segurança, censura, medo, redes internacionais e capacidade de adaptação.

O que está realmente em jogo

A pressão americana contra Cuba não é apenas uma disputa econômica. É uma disputa de influência no continente.

Para Trump, enfraquecer Havana significa reduzir a capacidade de articulação de um dos regimes mais longevos do mundo comunista e conter a influência de adversários estratégicos, como China e Rússia, no Caribe.

Para Cuba, resistir significa preservar o regime político construído desde 1959 e manter viva a narrativa de soberania contra o imperialismo americano.

Para a esquerda latino-americana, o risco é simbólico: se Cuba cair, cai também um dos maiores ícones políticos de seu campo histórico.

Para a população cubana, porém, a questão é menos ideológica e mais urgente: comida, luz, remédio, renda, liberdade e futuro.

O cerco americano colocou Cuba diante de uma encruzilhada.

Ou o regime encontra uma forma de se reorganizar economicamente, ou enfrentará uma pressão interna e externa cada vez mais difícil de administrar.

A queda não está garantida. Mas o desgaste chegou a um nível raro.

E quando bancos, hotéis, cartões, petróleo e aliados começam a recuar ao mesmo tempo, o sinal é claro: Cuba entrou em uma fase decisiva.


E você, acredita que Cuba está perto de uma mudança histórica ou o regime ainda vai resistir por muitos anos? Comente sua opinião e acompanhe o PodemFoco News para entender os bastidores da política internacional que também impactam o Brasil.

Fontes: Reuters; Departamento do Tesouro dos EUA; Departamento de Estado dos EUA; El País; Partido Comunista de Cuba e CNN Brasil/ONU.

Da Redação.

About The Author


Descubra mais sobre PodEmFocoNews

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.